Colunistas

Edelvânio Pinheiro “Serei como os paráclitos na defesa do pequeno gênio”

[Edelvânio Pinheiro]

EDELVANIO PINHEIRO

A preciosa graça de imortalizar estações através das palavras, de descrever a chuva e recompor o sol morno para secar páginas, abrir e estagnar o tempo que é a maior inspiração do supremo criador, deixa este escrevinhador de histórias enobrecido.

Daqui, não se sabe a quantas primaveras, embaixo de uma árvore, em uma cadeira de balanço ou diante de um rio sereno, este humilde escriba verá suas linhas firmes e austeras, imortalizadas no coração e lidas pela voz de um moço vivaz e elegante, que hoje é apenas um pequeno gênio.

Ele lerá meus humildes ensinamentos, alto e bom tom, e assim, como seu homenageado também Mitterrand, que ainda adolescente, gostava de ser respeitado como um príncipe herdeiro do trono da França, terá discernimento para apreciar filosofias e conseguir, como um nobre rei, separar, cirurgicamente, o joio do trigo. E se assim não o for, verei um filho estático sob as leis de pessoas que nunca se atreveram a mudar a própria história para vencer no tabuleiro, onde a dança, que permite apenas o equilíbrio, nos ensina que golpes nascem de argumentos e não de solavancos.

Quando meu pequeno menino se fizer homem, verá registrado nos anais da história que minha luta foi voraz, apesar de ter estado nela apenas por ele, para de perto lhe mostrar que o melhor caminho não é construído de aparências. Verá também que a verdade não pode ser edificada em solos superficiais nem medianos.

Além de palavras, Tomás Mitterrand terá o exemplo de quem soube ouvir, como a irmã dele, Lohanna Menahti, que ainda adolescente ingressou na UESC, no curso de Medicina Veterinária. Meu pequeno guerreiro naturalmente entenderá que o amor se constrói no seio de uma família, mas saberá que decisões com racionalidade tiveram de ser tomadas frente a gestos de covardia, dissimulação, malevolência e ignorância.

Viviu Afonso, um grande mestre e amigo (que Deus o tenha em seu soberano reino), já nos últimos dias de vida, explicava-me que carroças barulhentas vêm sempre vazias. As carroças são como pessoas e anunciam logo quem são através do som que fazem: as que estão vazias são as mais barulhentas. E assim, eu, que sempre desaprovei o gesto de Pôncio Pilatos, entendi que ninguém é obrigado a se submeter físico ou psicologicamente às vontades e caprichos de uma pessoa ou de um grupo. Então, para não me fazer parecer uma erva daninha ou uma carroça vazia, lavei as mãos. Entretanto, como faziam os paráclitos na antiguidade, defenderei o pequeno príncipe, que veio para mostrar que a vida é capaz de renascer, mesmo singela como uma borboleta azul.

Enquanto a seleção brasileira perde seu grito depois do vexame contra a Alemanha, e Tomás, insistentemente grita “dooool” – porque não consegue ainda articular o fonema guê -, faço no meu silêncio as reflexões sobre um futuro impiedoso e tão próximo. E, na qualidade de seu representante mais audacioso, tentarei lhe mostrar inúmeras lições e direcioná-lo aos pilares que verdadeiramente edificam para que não seja um dia qualificado como um ser humano desprezível.

E, como “o tempo é um dos deuses mais lindos”, espero, com a perspicácia de uma águia, as próximas estações com seus vendavais e brisas suaves.

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