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Tem solução pra pênis pequeno? Médicos respondem; mulheres opinam

20/11/2017 - às 18:11h
Por Franciele Pinho

No boteco, já entrando pela segunda grade, um gaiato lança a pergunta: “perder o pai ou perder o pau?” Parece fácil escolher, mas nenhum dos sacanas da mesa salva painho, de cara. Pelo contrário: “O velho já viveu bastante”, larga um. “Eu morreria pelo meu pau”, diz outro, sem pensar muito. Pois é, nessa ‘escolha de Sofia’, o velho viraria estatística em boa parte dos casos.

E se de um lado, poucos ligam para o fato de ter o maior e melhor pai do mundo, no outro caso, a história é um pouco diferente. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), apesar de não haver dados sobre esse tipo de conduta, é cada vez maior o número de homens que buscam tratamentos clínicos ou cirúrgicos para aumentar o bingolim.

É o caso de um estudante de Salvador, de 19 anos, que recorreu a duas das dezenas de medidas ‘milagrosas’ no projeto para se tornar um mini Kid Bengala. “Tenho um pênis de 12 cm, duro, mas quero que seja uns três ou quatro centímetros maior”, conta. Para ele, a angústia, na verdade, é com o pinto flácido. “Mole, sempre achei muito pequeno e decidi fazer algo. Pesquisei na internet e comprei uma bomba (de sucção) peniana e um pêndulo. Usei os dois por três meses, todo dia, mas vi pouca mudança e começou a aparentar lesões. Parei, com medo”, relatou o rapaz, que admite não ter procurado um médico antes, nem depois.

Para o urologista Sylvio Quadros, membro titular da SBU, esse tipo de conduta, além de não trazer os efeitos esperados, pode levar a distúrbios de ereção, ou consequências ainda mais graves.

“Aquilo ali [apetrechos experimentais] estira as fibras sensitivas. Pega num ligamento suspensório do pênis, e também estica, e esse rapaz, a médio e longo prazo, vai ter distúrbio de ereção”, adverte.

Sem milagre
E as formas de tentar dar um upgrade no coisinho são tão diversas quanto perigosas. Além da bomba peniana, que usa uma pressão negativa para causar inchaço (deixar mais grosso), e do pêndulo, usado por até 10h num dia para esticar o bilau, os tratamentos disponíveis no submundo do ‘enlarge your penis’ inclui também pílulas, injeções e até aplicação de colágeno. Na prateleira do barril dobrado – que só dobra mesmo os problemas do desavantajado –, faz sucesso até um tal de gel russo, feito à base de ácido hialurônico.

Mas no projeto Long Dong pode-se ir muito mais longe: é o caso da cirurgia peniana, que, assim como os métodos anteriores, são considerados experimentais pela SBU e pela quase totalidade dos urologistas. “Em condições normais, rotineiramente, não existe cirurgia para aumentar tamanho de pênis. Não funciona, na prática”, comenta o urologista Wagner Coêlho Porto, vice-presidente da SBU.

Segundo ele, é importante ter cuidado, “sobretudo hoje, com a facilidade da comunicação, para não estar criando terapias, sendo que não tem milagres, na prática”. Ainda conforme Coêlho Porto, os conselhos de Medicina têm tido uma vigilância cada vez maior com “indivíduos que vendem terapias miraculosas que não funcionam e, muitas vezes, prejudicam o indivíduo”.

Importa?
Mas, afinal, por que o dote continua a causar dor de cabeça(s) na rapaziada? Para a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, esse sofrimento tem a ver com a preocupação em atender a expectativas impostas pela sociedade atual.

“O temor de ter o pênis pequeno gera insegurança. E esta será maior na medida do grau de submissão aos valores machistas da nossa sociedade. Por ser associado a força e poder, os homens na nossa cultura prestam mais atenção ao seu pênis do que a qualquer outra coisa. É compreensível então que o tamanho adquira grande importância e seja motivo de tanto sofrimento”, afirma ela, em entrevista ao CORREIO, na semana em que divulga seu novo livro, ‘Novas Formas de Amar’, pela Nova Fronteira.

A psicanalista acredita que “é hora de avaliar o que pode ser feito, inclusive de saber se o pênis é realmente tão pequeno assim”. Segundo Coêlho Porto, o tamanho, de fato, não é tão importante quanto o bom uso da ferramenta. E há até uma explicação científica: “A parte que é enervada na mulher, na vagina, é a entrada dela, que são o clitóris e os grandes lábios. Então, se você souber conduzir a mulher nessa parte que é sensível, a  resposta dela será satisfatória”. Àqueles que não se convencem disso, ele sugere que procure um tratamento emocional de adequação, para se sentir bem com o próprio dote.

Quanto às mulheres, a maioria realmente concorda que o tamanho não importa quando o parceiro sabe utilizá-lo bem. Mas também há casos de frustrações e decepções, conforme relatos feitos ao CORREIO (ver abaixo). Para evitar constrangimentos, a educadora sexual Cris Arcuri recomenda:

“Antes de medir o tamanho a olho nu, dê a oportunidade das preliminares”.
Mas é justamente esse contato prévio que é, quase sempre, evitado por um administrador de 29 anos. Ele conta que, para não reviver situações constrangedoras, costuma simular timidez nos encontros. “Às vezes saio, encontro uma menina bacana, deixo ver até aonde a coisa vai. Quando rola beijo, e já sinto que ela quer mais coisas, é mais normal eu despistar. A menina tem que ser muito de boa pra eu arriscar”, comenta, sem entrar em detalhes sobre os contratempos sexuais.

Tripé
Falar em tripé num texto sobre pênis modestos parece provocação, mas, para além disso, é também a receita de um publicitário de 32 anos para lidar com a situação. “Já falei uma vez pra uma menina que tinha batizado meu pênis de Nelson Ned. Disse que cantava bem e tudo. Ela se acabou de rir e foi, rolou”, conta ele, que considera o tal tripé para manter-se firme diante da adversidade anatômica: o bom humor, a auto-confiança e o empenho em dar prazer. “Sou pau pra toda obra. Claro que já ouvi muito comentário que não gostei. Algumas mulheres são cruéis, mesmo. Mas aí você tem que ser também, no bom sentido, e mostrar serviço, né?”, afirma, sem mencionar o dote.

Um jornalista de 30 anos também vai pela mesma linha bem humorada e confiante. “Eu ganho no calibre. Ponto 50. E a chapeleta é rombuda. Parece um cogumelo silvestre”, galhofa, ao considerar sua condição anatômica a mais adequada para dar prazer à parceira. Há quem confirme a tese. “Para mim, o bom é pênis ‘gordo'”, admite uma servidora pública, que não liga tanto para a envergadura.

Mas, segundo a educadora sexual Cris Arcuri, tudo vai depender mesmo é do que se passa na cabeça do casal. “O tamanho não importa. Claro que existem mitos e verdades sobre o assunto. Mas o que importa é saber fazer. Saber excitar. Usar o corpo a seu favor”, diz ela, ao citar que a média mundial do tamanho do pênis é de 13,12 cm de comprimento e 11,66 cm de circunferência, quando ereto. O que é pequeno, médio ou grande talvez seja também uma questão de ponto de vista.

Diante disso, colhemos alguns relatos femininos sobre como lidaram ou costumam lidar com homens que têm o pênis, na visão delas, pequeno:

Universitária, 22 anos: Nunca namorei nenhum cara com pênis pequeno, mas já tive relações casuais com três. O problema maior, ironicamente falando, não foi a falta de tamanho. Acho que tinham uns 12 cm (eretos) os três, respectivamente, mas sim a falta de gingado na cama. Parece que os caras quando sabem que não foram agraciados pela natureza, simplesmente, morrem na cama.

Guarda municipal, 33: Tamanho importa, faz a diferença. Mas se for preguiçoso, não vale a pena. Sou do grupo que diz que desempenho é mais importante. Antes um pequeno brincalhão, do que um grande bobão. Tenho medo do grande,  porque alguns são estúpidos na hora H, e machucam. Mas já fui feliz com um pênis de médio para pequeno. Jorge era muito bom no que fazia. Deu até saudade.

Sommelière de cerveja, 32: Sou uma defensora dos pintos pequenos. Pelo que percebi ao longo da vida, os caras que têm noção que não foram tão privilegiados, em geral, são mais gentis, e não só na cama. Na vida. Não tem a arrogância que injustamente são atribuídas aos ditos pintos pequenos com carros grandes. E outra: pinto pequeno faz um bocado de coisa, inclusive sexo anal, que a maioria das mulheres – no caso, as amigas com quem converso, e me incluo nessa – adoram, mas sofrem quando o cara é mais avantajado. Pinto pequeno faz de tudo e, tendo uma grossura padrão, faz muito gente feliz, sim!

Publicitária, 33: Eu acho que tamanho, definitivamente, não é documento, e desempenho compensa. Se o cara for bom, e se a química for gostosa, tá lindo. Às vezes o cara é grande demais, não sabe usar, e fica uma porcaria. Esse negócio de grande demais não é bom, não. Tem que ser o tamanho exato. Às vezes, se for pequeno, e o cara souber, não tem problema. Aonde tiver língua e dedo…

Professora, 32: Bem, eu conheci esse cara numa entrevista de emprego há uns 4 anos e desejava muito ficar com ele. Mas o tempo foi passando e então fomos dormir juntos. Marcamos num motel. Eu tava super na expectativa, pois ele é um homem alto, bonito… associei a sua estrutura ao órgão sexual, mas, me decepcionei. Além disso, não é viril. Meia mole, sabe? Não gostei.

Jornalista, 30: Eu conheci um boy e comecei a conversar com ele. Conversa vai, conversa vem, ele foi me buscar em uma festa em que estava e saímos. Foi ‘a decepção’! Pelo tamanho dele eu nunca ia imaginar o que estava vendo. Parecia meu dedo indicador. Na penetração, nem a camisinha aguentou. Fiquei desesperada procurando e não encontrei. Nem o desempenho foi bom. Quando então, sinto algo estranho dentro de mim e, surpresa! A camisinha tinha entrado durante a tentativa. Ele deve ter ficado com muita vergonha porque eu não conseguia disfarçar. Nunca mais me procurou.

Compradora, 30: Já teve cara que gastou um tempo usando uma pilha de travesseiros comigo, enquanto eu insistia pra ele fazer outras coisas. Mas a penetração que ele se importava mais. Temos que cuidar da “masculinidade” antes do tamanho do pênis. Uma amiga minha falou para o cara que ele tinha o pau pequeno, e ele, todo intelectual, estudante de Heidegger (filósofo alemão), larga: “Você que é  larga.” (…) Acho que uma parte dos homens ainda não sabe lidar com isso por conta do ego.

Jornalista, 35: Já tive três parceiros com esse perfil (pênis pequeno): dois muito bons nas preliminares e no ato. Eram muito seguros. O terceiro, nem tanto. Se preocupava muito com a estética, o que afetou o relacionamento. Conclusão: depende mesmo da dedicação, interação e química do casal, não do tamanho.

Secretária executiva, 32: Uma amiga me apresentou um amigo dela. Conversávamos madrugada adentro pelo saudoso MSN, até que resolvemos pegar um cinema. Ficamos e os encontros se tornaram frequentes e cada vez mais calientes. Até que em um dia estava na casa dele e o clima começou a rolar. Melhor preliminar de todos os tempos, sexo oral maravilhoso, até que quando eu vou ver o instrumento… Pááá! A surpresa era que não tinha surpresa. Fiquei chocada, tesão  sumiu. E ele não apresentou nenhuma camisinha. Pedi pra ele colocar, e ele se negou dizendo que não tinha, mas que não deveria me preocupar porque ele era infértil. Nem sei se existe camisinha para aquele tamanho, mas muita falta de noção me propor uma coisa dessas. Me afastei.

Comunicóloga, 22: Saí com um cara umas três vezes, antes de rolar sexo. O papo era maravilhoso e só faltava combinação na cama. No fim das contas achei que ele não ficava ereto por qualquer motivo que fosse, só que aquele homem alto, largo e super legal tinha um micropênis. Um pequeno bem usado é bom, mas micro não rola… portanto, tamanho é sim documento.

Autônoma, 32: Eu tinha um melhor amigo desde os tempos da escola, e ele foi durante anos apaixonado por mim; até fizemos uma promessa que perderíamos a virgindade juntos – o que não rolou da minha parte. Mas, depois de quase 10 anos da promessa, estávamos já com 22 anos, acabei apaixonando por ele, e transamos. Foi a primeira vez dele. E foi incrível. Era bem pequeno. Eu não tinha muita referência, mas notei a diferença dos outros que já tinha visto. Mas foi gostosinho, gozamos, até choramos de lindeza quando acabou.

Fonte: Correio24horas

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