Extremo Sul se destaca no Brasil com a mandiocultura; Alcobaça é o maior produtor regional

Na quarta-feira (26), a Comunidade São Sebastião sediou, como parte da Semana de Agricultura Familiar, promovida pela Secretaria de Agricultura do município, palestras sobre mandiocultura e seus derivados. A Semana terminará com uma Feira de Agricultura Familiar, no espaço em frente ao Rondelli Supermercados do Monte Castelo, e contará com palestras, dentre elas, uma sobre mandiocultura, com um técnico da Bahiatec (Superintendência Baiana de Assistência Técnica).
A mandiocultura também foi pauta da reunião que ocorreu na quinta-feira (27), realizada na Ceplac, em Teixeira de Freitas. Nela, esteve presente o secretário de Agricultura Dory Neves, produtores e interessados na cultura com maior potencial do Extremo Sul. O foco foi o Plano de Ação Territorial da Mandiocultura, para tanto, dentre os presentes, também estava Marilda Galeno, gerente de Desenvolvimento Territorial da Superintendência da Bahia, a qual falou em nome do Banco do Nordeste, responsável pela implantação do Plano de Ação, cujas metas anuais são aumentar, no primeiro ano, 5% a produtividade da mandioca; 15% no segundo ano; 25%, no terceiro, e 40%, no quarto ano, afinal, seu objetivo geral é, justamente:
“Aumentar em 40% a produtividade da mandioca (ton. de raiz/há) em áreas cultivadas por 55 agricultores familiares pertencentes aos municípios de Alcobaça, Caravelas, Ibirapuã, Itamaraju, Jucuruçu, Lajedão, Medeiros Neto, Mucuri, Nova Viçosa, Prado e Teixeira de Freitas”.
Marilda, com entusiasmo, falou aos presentes sobre a história do projeto:
“Quando iniciamos, havia uma necessidade de ratificação da necessidade deste programa. Para tanto, lançamos primeiro dois projetos-piloto por estado, e não me vinha na cabeça outra região, se não o extremo sul da Bahia para ser o projeto-piloto da mandiocultura”, disse.

Ela contou que, lançado em 15 de dezembro de 2016, o Plano de Ação Territorial da Mandiocultura no Extremo Sul, devido ao seu sucesso, incentivou o Banco do Nordeste, entidade financeira federal, a ampliar para mais 50 projetos espalhados em todo o Brasil, dos quais, 11 estão na Bahia.
A gerente, que elogiou o bolo de puba (matéria-prima obtida da mandioca) oferecido na ocasião, parabenizou, repetidas vezes, a região Extremo Sul da Bahia, que abraçou o projeto e fez dele sucesso e destaque nacional. Além disso, confidenciou que, nas reuniões antes da decisão de qual seria o mote do plano de ação para o Extremo Sul, em Salvador, acreditavam que seria escolhida a bovinocultura de leite, no entanto, ela teve “uma grata surpresa, a escolha foi mandiocultura, o plano de ação em mandiocultura do país”, esclareceu.
Em suas colocações, ela destacou que embora o Plano de Ação seja preparado para caminhar sozinho, sem interferências governamentais, “é interessante que haja participação das lideranças locais, que haja parcerias, para o seu efetivo sucesso”.
O Foco no Poder entrevistou Fabiana Longo, responsável pela BAHIATER no município e que também esteve na reunião na Ceplac, quando disse que a mandiocultura da região é referência para a Embrapa.

Ela explicou o porquê de se trabalhar a mandioca no Extremo Sul, região composta por 13 municípios, dos quais, segundo ela, 11 fazem parte do Plano de Ação.
“Nosso território abrange 13 municípios, após a divisão da política territorial. A alguns anos atrás, nosso território também abrangia a costa do descobrimento, hoje, é de Itamaraju porá cima o território de identidade do extremo sul da Bahia”, explicou.
O Projeto é desenvolvido pelo Banco do Nordeste e em todos os municípios foram feitas reuniões de adesão com os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Sustentável, mas, dois ficaram de fora. Segundo Fabiana, “onze se mostraram interessados em aderir a essa proposta e vem participando e construindo esse plano com a gente desde marco 2016, a fim de estar fortalecendo a cadeia produtiva da mandioca”.
Ainda de acordo a representante da Bahiatec em Teixeira, parte integrante da SDR (Secretaria de Desenvolvimento Rural) do Governo do Estado, “em cada município serão cinco unidades demonstrativas, cinco produtores, cada um terá a oportunidade de adquirir manivas, sementes de qualidade, com o apoio da Biofábrica, em Ilhéus, Governo do Estado e assistência técnica para desenvolver a unidade demonstrativa dentro de sua propriedade”.

O Plano de Ação diz que a mandiocultura “é de suma importância por ser praticada pela maioria dos trabalhadores familiares do Território de Identidade do Extremo Sul da Bahia”. Fabiana coaduna essa ideia ao esclarecer que “mais de 95% dos produtores da agricultura familiar produzem a mandioca”, e prossegue:
“Essa cultura se mostra de suma importância principalmente para segurança alimentar das famílias. Historicamente, a agricultura familiar trabalha com essa cultura da mandioca. Ela vem se mostrando como uma forte e rica cultura de subsistência pra essas famílias, potencializando também a produção de renda, a economia do município e de toda nossa região, dai nosso esforço de estar trabalhando com essa cadeia produtiva da mandioca”.
É importante citar que, conforme o Plano de Ação, que “apesar da importância socioeconômica, a sua exploração resume-se basicamente na produção de farinha e raízes frescas, não sendo utilizado todo o potencial da cultura, através da integração entre plantação e processo de produção”, e, diante disso, a Bahiatec, que possui, também, o Setaf (Serviço Territorial de Apoio à Agricultura Familiar), esclarece que dentre seus objetivos para sanar este problema está atuar em prol de “potencializar as cooperativas existentes e fomentar a criação de novas. Potencializar a agroindústria, para que os produtores possam ter uma produção legalizada. Comercializar de forma correta para poder se inserir de maneira formal no mercado”.
Sobre esse assunto, há Alcobaça para ilustrar. Conforme Fabiana, o município é o maior produtor de mandioca, beju e farinha. Dados extraoficiais apontam que lá existem cerca de 400 farinheiras em âmbito de agricultura familiar, as quais comercializam seus produtos para o Extremo Sul e outros Estados, porém, o fato de isso ser feito sem o devido amparo legal, inviabiliza dados oficiais e um retorno financeiro melhor para os produtores.

Resolver tais problemas e toda assessoria dentro dos municípios para construção dessas áreas demonstrativas são alguns dos trabalhos da Bahiatec, que “desde o início, com nossos técnicos, contribuindo tanto com a parte metodológica, quanto com a parte de assistência técnica, extensão rural, lá no campo”, está engajada em prol do sucesso do Plano de Ação da Mandiocultura, muito pertinente num estado em que 90% da mandioca que é produzida advém da agricultura familiar, o público-alvo do projeto.
Anexo ao prédio da Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária, o escritório da Bahiatec em Teixeira de Freitas possuí profissionais “abertos ao diálogo com qualquer produtor, fazemos emissão de declaração de aptidão ao Pronaf, muito importante ao produtor, porque todo e qualquer projeto de política pública que o agricultor for acessar precisa desse documento”, informou Fabiana.
“Atendemos já alguns municípios e queremos expandir aos demais também. Estamos fazendo parcerias com as secretarias de agricultura, com objetivo de chegar a quem mais precisa. Estamos dialogando com as prefeituras para implantação do Semaf (Serviço Municipal de Apoio à Agricultura Familiar), que seria a unidade da Bahiatec mais perto do agricultor”.
Quem tiver interesse deve procurar saber mais sobre o Plano de Ação e critérios para se enquadrar no rol da agricultura familiar, Fabiana explica que tudo é feito em obediência à normatização da lei federal que estipula, dentre outras coisas, o número de hectares que deve possuir a propriedade, que deve ser até 4 módulo fiscal.

Foco no Poder
Edição Bell Kojima/Repórter Coragem