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Bancários recebem proposta e podem anunciar fim da greve amanhã

25/09/2012 - 20h33

Trabalhadores dos bancos estão reunidos neste momento para analisar uma nova proposta apresentada pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e a paralisação, que atinge todo o País, pode acabar após decisão da categoria nesta quarta-feira (26). De acordo com os grevistas, os trabalhadores farão assembleia amanhã (26) para decidir se aceitam a proposta ou continuam com o movimento.

O patrão elevou para 7,5% o índice de reajuste dos trabalhadores; para 8,5% o aumento do piso salarial e dos auxílios-refeição e alimentação; e para 10% a parcela fixa da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), assim como dos tetos da regra básica e do adicional. Os trabalhadores reivindicam 6% de reajuste real, além das reposições inflacionárias.

Além dos bancos, os Correios continuam parados, ocasionando transtornos para quem precisa colocar as contas em dia. Foi o caso da aposentada Lourdes Santos, 66 anos, que sofre com a falta de atendimento bancário. Ela diz que, desde a última quinta-feira (20), tenta renovar uma dívida de R$ 2.000 que possui com a Caixa Econômica Federal por causa de joias penhoradas. Se o problema não for resolvido, os objetos podem ir a leilão.

Em três agências diferentes de Belo Horizonte, Lourdes diz ter ouvido a mesma resposta: “Não tem como resolver”.

A universitária Marcela Soares de Almeida tenta, há uma semana, sacar R$ 600 para pagar um boleto. O valor foi depositado em uma conta-corrente recém-aberta na Caixa Econômica Federal e, com a greve dos Correios, o cartão não chegou à sua casa.

Com a agência fechada, no centro de BH, também não é possível retirar o cartão no atendimento presencial. Marcela reclama que precisará pagar juros mesmo tendo o dinheiro disponível.

Em Brasília, a pedagoga aposentada Claudia Araújo, 57 anos, sofre com a falta de suporte para as operações no caixa eletrônico, já que é deficiente visual.

Não tem funcionários e ninguém me ajuda; todo mundo anda com pressa e não para o que está fazendo para ajudar.

Os paulistanos enfrentam longas filas antes de entrar no banco. As agências menores e ainda abertas lotam e têm de ser fechadas com os clientes dentro para conter a demanda de serviços.

Com a paralisação, a auxiliar administrativa Kharoliny Santos Eloi deixa de ir à agência mais próxima de seu trabalho e faz uma caminhada de mais de três quilômetros até o Itaú mais próximo.

Administramos determinados condomínios. Entregamos ao banco o malote com as contas deles a pagar para buscar no dia seguinte. Quando a agência não abre, ficamos sem a devolução malote, o que atrasa os serviços.

Mesmo podendo encontrar uma agência aberta, o correntista não tem todos os serviços do banco disponíveis. No caso do Itaú, por exemplo, a compensação de cheques acima de R$ 5.000 deve ser feita na própria agência do correntista.

O corretor de seguros Jeferson Cavalcanti, 52 anos, correntista do Bradesco, enfrenta tal problema em Brasília. Desde que a greve começou, não conseguiu falar com o gerente sobre compensação de cheques e sobre problemas com pagamento no caixa eletrônico.

Tudo que depende de conversa não dá para resolver.

Com isso, o cliente tem que contar com a sorte, já que algumas agências acabam abrindo “dia sim, dia não” por causa da pressão dos sindicatos. O funcionário de uma agência do Santander da Avenida Rio Branco, em São Paulo, auxilia os clientes mesmo com os cartazes de aviso de greve colados no vidro da agência.

Estávamos abertos ontem, mas o sindicato veio aqui hoje (25) e fechou as portas de acesso ao atendimento pessoal. Amanhã, se ele não aparecer, abriremos.


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