Lavagem de dinheiro causa polêmica no STF em julgamento do mensalão
O Supremo Tribunal Federal colocou em pauta o dolo eventual da lavagem de dinheiro durante o julgamento de réus do processo do mensalão. O dolo eventual é equiparável ao que os americanos chamam de cegueira deliberada, que acontece quando o agente desconfia que recebe dinheiro sujo e prefere continuar na práticaem vez de recusá-lo ou aprofundar o seu conhecimento sobre a natureza do recurso.
No capítulo referente à lavagem, o ministro Marco Aurélio absolveu a todos por considerar que não ficou comprovado que os réus conhecessem o crime antecedente, contra a administração, “pois acreditavam estar recebendo dinheiro diretamente do PT”.
Outro integrante da Corte, o revisor do processo, Ricardo Lewandowski, afirmou que o Ministério Público Federal não conseguiu provar que os acusados tinham “inequívoco conhecimentoda origem ilícita dos recursos”.Procuradores da República que acompanham o julgamento opinaram que não há prova de dolo direto, “pois ninguém tinha motivo para contar para os acusados que o dinheiro era procedente de peculatos e de empréstimos fraudulentos”.
No entanto, declararam que o dolo eventual era de possível reconhecimento, poisos réus,mesmo sem pedirdinheiro para DelúbioSoares, receberam deMarcosValério e sabiam disso.
Informações do Estadão.