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Thathira Mickaelle o “Lendário Hospital Regional de Teixeira de Freitas”

27/11/2012 - 14h43

Centenas de pessoas, diariamente, atravessam as portas do Hospital Municipal de Teixeira de Freitas, mais conhecido como Hospital Regional, em uma busca incessante e dolorosa para aliviar ou se verem livres de doenças e dores inoportunas ao Estado.

Em um cenário de problemas indecifráveis e de todas as ordens, a fila de doentes cresce numa procissão interminável que agora reza para não adoecer e retornar àquela unidade de saúde, que se tornou lendária pelas  péssimas condições de atendimento. Mas, mistérios e descomprometimento com a população à parte, lembremo-nos do grito soluçante embrenhado no artigo 196 da Constituição, que se pronuncia: “A saúde é direito de todos e dever do Estado”. Infelizmente, as belíssimas palavras que compõe a Carta Magna não podem salvar vidas sem que efetivas providências de ordem política sejam tomadas.

Falar sobre saúde compreende citar uma situação bem mais ampla, onde cabem problemáticas que dizem respeito à prevenção, como medidas de saneamento, vacinas, alimentação, medicamentos, exames, dinheiro, etc. Então, falemos apenas de uma parte desse ciclo que paira sob o Hospital Regional em Teixeira de Freitas, composto por imensas filas e pessoas deitadas em bancos e macas espalhados pelos corredores.

No Hospital Regional os médicos, que universalmente são conhecidos como anjos protetores da vida, olham o paciente e um diagnóstico, naturalmente impreciso, é feito em apenas trinta segundos. Esse tempo imposto entre a linha tênue que separa o bem-estar e a dor foi vivido pela minha irmã Amy Brian que, coincidentemente, deseja ser médica. Ela acredita firmemente na força e na renovação da saúde e, agora ainda mais que antes, depois da triste experiência que passou na condição de paciente, traça planos de salvar vidas com responsabilidade e respeito. A ida de Brian ao hospital pode ter sido providencial, mas quase nada ela poderá fazer no futuro, na condição de simples profissional de saúde, se não houver a vontade política.

A imortal esperança talvez tome forma com os novos tempos que se aproximam no âmbito político de Teixeira de Freitas e, quem sabe a frágil, enigmática e vaporosa linha da vida tenha a chance do respeito. Assim, ninguém terá mais a sensação horrenda de ter que jogar as cartas da vida nos corredores do Hospital Regional.

Enquanto isso, tenhamos a velha fé de que, quando fatalmente o pulso de uma vida precisar ser restaurado na cidade de Teixeira de Freitas, ele seja entregue nas mãos de alguém que, apesar de todas as dificuldades existentes no sistema de saúde público brasileiro, tenha responsabilidade e amor para com a vida do próximo. Se a isso somarmos a vontade política de humanizar o atendimento as portas do Hospital Regional serão vistas como uma passagem para se ter um dos direitos fundamentais do ser humano, como grita arfante a nossa Constituição.

Thathira Mickaelle é estudante de Direito


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