200 mil trabalhadores domésticos deixam o mercado em 10 anos, diz IBGE
Com as mulheres mais escolarizadas e a maior oferta de trabalho no setor de serviços, o número de pessoas ocupadas em trabalhos domésticos (atividade que concentra muito mais mulheres) caiu de 6,2 milhões em 2001 para 6 milhões em 2011. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE, divulgados nesta quarta-feira (28).
A redução, diz o IBGE, foi mais forte entre as domésticas sem carteira assinada –de 13,2% das trabalhadores em geral em 2001 para 10,9% em 2011.
Segundo o IBGE, a menor oferta de empregadas domésticas fez aumentar a remuneração da categoria. Com o custo maior desse serviço e a dificuldade em contratar uma empregada, as mulheres passaram a dedicar mais horas de sua rotina diária a afazeres domésticos, de acordo com o instituto.
De 2006 para 2011, o tempo total dedicado pelas mulheres a afazeres domésticos subiu de 26,4 horas por semana para 27,7 horas –o número era, porém, maior em 2001 (30,9 horas). Em 2011, as mulheres gastavam 2,5 vezes mais tempo em tarefas do lar do que os homens (11,2 horas). Somada a jornada chamada produtiva ao tempo semanal gasto com o trabalho doméstico, as mulheres gastavam 6 horas a mais por semana do que os homens com os dois tipos de ocupação.
TRABALHO E FILHOS
Colocar os filhos na creche abre espaço para as mulheres se inserirem no mercado de trabalho. A taxa de ocupação (percentual de pessoas empregadas em relação ao total de pessoas com mais de 16 anos) das mulheres com filhos de 0 a 3 anos na escola era de 71,7% em 2011. Para as que tinham filhos nessa faixa etária não matriculados, o percentual recuava para 43,9%.
DESLOCAMENTO
Embora a maior parte dos trabalhadores gaste menos de 30 minutos para chegar ao trabalho (deslocamento considerado como rápido), cresceu o percentual de pessoas que demanda tempo superior a esse entra a casa e o emprego. De 2001 a 2011, o tempo maior do que meia hora subiu de 7% para 35,2% entre os homens e aumentou de 27,9% para 32,6% entre as mulheres. Ou seja, os homens levam mais tempo em seu trajeto ao trabalho.
O mesmo ocorre entre as pessoas de cor preta ou parda, cujo tempo superior a 30 minutos atingia a 36,6% dessa população –mais do que os 31,8% dos brancos.
Fonte: Folha de São Paulo