cavalcanti
O incrível caso da mãe Jojó

Eu pensei já ter visto tudo em política, melhor dizendo, em seguidores dos políticos. Àqueles que apaixonadamente, sem medir o ridículo das situações vividas, seguem seus políticos do momento. Já assisti em tempos idos os Che Guevara de apartamentos. Jovens que colavam o retrato do guerrilheiro cubano nos seus quartos. Esse revolucionário marxista foi figura importante na Revolução Cubana, seu rosto estilizado tornou-se um símbolo contracultural de rebeldia e insígnia global na cultura popular de então.
Jovens saiam nas ruas vestindo camisas com imagens do Che Guevara e boinas pretas como ele usava. Sentavam em bares e diante daquele chopinho gelado com espuma de dois dedos no copo, discutiam as soluções para as desigualdades sociais e políticas do país. Na cabeça deles estavam construindo uma grande revolução no país.
Alguns políticos que estavam acordados, resolveram aproveitar essas cabeças cheias de chopp e dos olhos vermelhos cheios de colírio, ou com óculos escuros, para criar um regime socialista moreno, o moreno bronzeado do Sol das praias, antes do chopp e de muita fumaça nas cabeças. O pior disso tudo foi que os militares acreditaram nessa onda e o país mergulhou numa ditadura militar que durou 21 anos, 1964 -1985.
Agora, em tempos atuais, depois de 37 anos assisto o movimento dos bolsonaristas de esquina. A mesma paixão por uma pessoa que traduz um movimento , sem no entanto ser o líder desse movimento. Como disse um amigo, integrante desse movimento, “temos uma multi liderança, vários líderes espalhados”. Eu disse a ele que isso não dá certo nem em bacanal. Tanto não dá certo que estamos assistindo coisas ridículas acontecendo. Pessoas orando diante de um muro, outras bloqueando estradas, também acampadas diante de quartéis, algumas desconhecendo parentes e amigos por seguirem outra corrente política diferente da sua, estamos assistindo à arrogância brotando nessas pessoas. O melhor exemplo dessa desconexão da realidade, dessa imbecilização, ou da idiotização, como preferirem, dessas pessoas é, sem dúvida, o caso da mãe Jojó.
Um professor universitário, culto, preparadíssimo, se apaixonou por este movimento chamado de direita. Pra mim o mais certo seria movimento antipetismo, movimento da direita não é isso, já que foi contaminado. O professor virou um líder do bolsonarismo de esquina. Quando seu movimento perdeu as eleições, o professor pirou de vez. Isolou-se num casebre de pau a pique, coberto com sapé, no quintal da sua casa, e vestiu-se com um vestido rendado, que era da sua mulher, colocou um turbante, colares de concha, adotou um cachimbo no canto da boca e passou a fazer predições para o futuro do país e sobre o novo governo. Mãe Jojó, como agora é chamada, diante dos seus búzios, prevê um futuro sombrio para o país.
Por Érico Cavalcanti