Pensando
com coragem

Síndrome da bajulação. A melhor maneira de deixar um gestor cego e surdo, é cercando de bajuladores

20/01/2023 - 13h09

Se você quer fazer uma boa gestão, ouça os críticos, se não quer cerque-se de bajuladores.

Os bajuladores não te deixará você ouvir, nem ver os críticos, muito menos enxergar os problemas.

O problema é que quando a conta chega, os bajuladores não estão lá pra pagar e quem arca com as consequências é você.

Já vi gestores que faziam até uma gestão razoável, não conseguir sair às ruas, porque os bajuladores lhe blindavam do povo, não deixavam o povo falar com ele, nem ele aproximar-se do povo, quando chegou a reeleição que ele tentou aproximar-se, o povo já estava do lado do seu opositor.

Essa semana eu fui convidado pra um café da manhã, quando cheguei lá era uma entrevista coletiva, nos moldes daquele cercadinho de Bolsonaro, onde só entrava quem foi convidado e só perguntava quem fosse elogiar o referido gestor.

O espírito de bajulação era tão grande, que queriam definir até como o gestor respondia e quando respondia as perguntas.

O resultado da coletiva, foi um coletivo de bajuladores, que fez com que o gestor saísse de lá cego e surdo, só não estava mudo porque precisava falar com os bajuladores.

Houve quem classificassem o gestor como o melhor de todos, que a cidade estava a mil maravilhas.

Ninguém teve coragem de dizer ao gestor que a cidade sofreu uma chuva de mais de 60 dias, teve 90% das ruas danificadas, destas 100% continuam intransitáveis, cheia de buracos.

Ruas carentes de iluminação e a cidade está a mil maravilhas.

Ah, sem contar que o hospital está faltando médicos, está faltando medicamentos, está falando servidores e sobrando incompetência, mas s cidade está a mil maravilhas.

Quando o gestor quer trabalhar, ouve os críticos, quando não quer, ouve os bajuladores.

Ah, eu ia esquecendo de dizer, há funcionários públicos com salários atrasados.

Há fornecedores sem receber.

Há obras inacabadas.

Há denúncias de corrupção.

Há práticas de nepotismo, mas a cidade tá a mil maravilhas.

Gestor, não ouça os bajuladores, saia do cercadinho, vai pra rua, ouça o povo.

Mas não vá cercado de bajuladores, vá sozinho.

Saia as ruas, ouça o que o povo pensa.

Ah, se você tem medo da reação do povo, use um disfarce, não venha me dizer que você não sabe usar disfarce. Na política você disfarçou-se de honesto e conseguiu enganar o povo.

Agora é só disfarçar-se de povo e enganar os honestos.

Não vou dizer quem é o gestor, porque hoje eu escrevi para entendedores e entendedores entenderão.

Jotta Mendes, é radialista, jornalista e escritor


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