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Supersalários na Prefeitura de Teixeira de Freitas: Chefe de gabinete fatura R$ 24.800.00 mensais sem nenhuma legalidade e escancaram imoralidade administrativa

Em um município onde falta médico nos postos de saúde, remédios básicos nas farmácias públicas e investimento em áreas essenciais, a Prefeitura de Teixeira de Freitas protagoniza um dos episódios mais revoltantes de descaso com o dinheiro do contribuinte, a institucionalização da farra dos supersalários dentro do executivo municipal.
Investigação realizadas pelo Zero Hora News revela que o chefe de gabinete da Prefeitura, Henny Aramuni Gonçalves, recebe mensalmente um salário que beira o deboche com a população: R$ 24.800,00 (Vinte e quatro mil e oitocentos reais). O valor é resultado de um vencimento base de R$ 12.400,00, acrescido de uma gratificação de 100%, exatamente no mesmo valor do salário, sem qualquer justificativa técnica, administrativa ou legal. Em ferevereiro de 2025, por exemplo, somado a outras benesses, o chefe de gabinete recebeu do erário público, a quantia de R$ 41.333,34 (quarenta e um mil, trezentos e trinta e três reais e trinta e quatro centavos, em março do mesmo ano R$ 37.200,00 (trinta e sete mil e duzentos reais) O que choca não é apenas o montante elevado, mas o fato de que essa gratificação não possui amparo em lei municipal, decreto ou portaria. Trata-se de um pagamento arbitrário, sem critério, sem transparência e que afronta diretamente os princípios constitucionais da administração pública.

(extrato de salário de servidores públicos retirado do portal do TCM/BA em 21/08/2026)
Esse é mais um caso em que um previlégio acaba virando regra, bem que poderiamos classificar como uma gratificação fantasma, pois o cargo de chefe de gabinete é comissionado, de livre nomeação e exoneração, já remunerado pela confiança política e pelas atribuições estratégicas. A legislação é clara, não cabe gratificação adicional para esse tipo de função, muito menos em percentual tão elevado, usado como artifício para dobrar salários e criar uma casta de privilegiados dentro do governo.
Na prática, o que se vê é uma manobra para turbinar remunerações, driblando limites legais e ignorando completamente a moralidade administrativa. Não há comprovação de encargos extraordinários, dedicação exclusiva formal ou qualquer justificativa plausível que explique por que o chefe de gabinete recebe exatamente o dobro do salário-base. Dinheiro que falta na saúde e sobra para os apadrinhados do atual prefeito Marcelo Belitardo.
Em apenas um ano, Henny Aramuni, teria recebido mais de R$ 322 mil dos cofres públicos (somado apenas a gratificação de 100%, sem considerar outras benesses que turbinaram ainda mais o salário. Esse valor, pago a um único servidor, poderia manter postos de saúde abastecidos com medicamentos, médicos, contratar profissionais da saúde para reduzir filas e acelerar exames simples como de fezes e urina que hoje a população precisa esperar quase seis meses para sua realização, ou seja, melhorar a estrutura de atendimento à população mais pobre.
Outro ponto que chama atenção e aprofunda ainda mais a gravidade do caso, é o elo familiar e político envolvendo o chefe de gabinete Henny Aramuni Gonçalves. Ele é irmão de Carim Aramuni, ex-procurador adjunto do município, ambos oriundos da cidade de Nanuque (MG). Nos corredores da política local, a relação entre os dois vai muito além do parentesco, Carim Aramuni Goncalves é apontado por fontes como figura influente nos bastidores, alguém que orbita decisões estratégicas e que teria papel direto na condução política do próprio chefe de gabinete.
Nos meios políticos, o nome de Carim Aramuni surge com frequência como mentor informal de Henny, exercendo influência silenciosa, porém constante. Mesmo fora dos holofotes oficiais, Carim seria uma espécie de cérebro nos bastidores, alguém que entende os atalhos do poder e conhece profundamente os mecanismos jurídicos e administrativos do executivo municipal. Essa proximidade levanta questionamentos inevitáveis, quem realmente puxa as cordas? Quem define prioridades? E até que ponto essa relação familiar interfere nas decisões administrativas da Prefeitura de Teixeira de Freitas?
A influência da família Aramuni, no entanto, não se limita ao setor jurídico ou político. Levantamentos indicam que o clã familiar possui mais de oito empresas registradas, atuando em áreas diversas da economia, que vai desde frigorífico até atividades como educação e outros ramos empresariais. O detalhe que salta aos olhos é que Henny Aramuni figura como sócio em uma dessas empresas, o Instituto de Educação IESA, com sede na cidade de Nanuque. Ou seja, trata-se de uma família que transita com desenvoltura entre o direito, a política e o mundo empresarial, o que daremos enfoque maior em outra reportagem.
Esse entrelaçamento de poder público, relações familiares e interesses privados amplia ainda mais o debate sobre a moralidade administrativa na gestão Marcelo Belitardo. Pois como confiar na lisura das decisões quando os mesmos sobrenomes circulam entre cargos estratégicos, bastidores políticos e negócios privados? Em um cenário já marcado por supersalários e gratificações sem lei, as conexões da família Aramuni adicionam um novo e preocupante capítulo a uma história que, a cada revelação, se mostra ainda mais indigesta.
Enquanto isso, o cidadão teixeirense amarga a precariedade dos serviços públicos e vê seu dinheiro escorrer pelo ralo e sendo usado para financiar salários de marajá, em uma clara inversão de prioridades. A farra está instalada no executivo municipal e o caso de Henny Aramuni é apenas a ponta do iceberg.
Apurações do Zero Hora News indicam que outros membros do alto escalão da gestão Marcelo Belitardo, incluindo advogados ligados ao governo, também estariam recebendo remunerações turbinadas, destoantes da realidade financeira do município. Diante desse cenário, o que deveria ser exceção virou regra, e o que deveria ser combate ao desperdício transformou-se em banquete com o dinheiro público.
Por isso, o Zero Hora News anuncia o início de uma série especial de reportagens investigativas sobre os supersalários da gestão Marcelo Belitardo, com o objetivo de expor nomes, valores, bases legais (ou a ausência delas) e cobrar providências dos órgãos de controle.
O prefeito precisa responder à população porque do silêncio da gestão municipal diante de fatos tão graves o que só reforça a sensação de impunidade. Marcelo Belitardo precisa explicar, de forma clara e objetiva: Quem autorizou a gratificação de 100%?, Com base em qual lei?, Quantos outros servidores recebem valores semelhantes? e até quando o contribuinte será tratado como refém de privilégios? É importante saber que a omissão diante de irregularidades também é uma forma de responsabilidade.
A nossa reportagem tentou contato com o chefe de gabinete Henny Aramuni Gonçalves e com a prefeitura, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
O portal também protocolou denúncia formal no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) e no Ministério Público da Bahia (MP-BA), cobrando a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, caso confirmadas as irregularidades.