Policial

Polícia Civil desvenda esquema que usava identidade de médico para aplicar golpes em vários estados; investigado está foragido

29/07/2026 - 20h25

A Polícia Civil da Bahia concluiu as investigações da denominada Operação Deepfake, que revelou um sofisticado esquema criminoso de fraudes praticadas com o uso indevido da identidade profissional e pessoal de um médico que atua em Teixeira de Freitas e região. O principal investigado, Flavio dos Santos Fraga, de 42 anos, morador de Salvador, foi indiciado pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso e associação criminosa, e encontra-se foragido da Justiça.

Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia Territorial de Teixeira de Freitas, no âmbito do Inquérito Policial nº 103858/2025, criminosos utilizavam recursos tecnológicos avançados, incluindo imagens produzidas por inteligência artificial (deepfake), para conferir aparência de autenticidade aos golpes aplicados em empresas de diferentes estados brasileiros.

A fraude consistia na utilização indevida dos dados pessoais e profissionais do médico para a aquisição de medicamentos, equipamentos e insumos hospitalares. Para isso, eram empregados documentos falsificados, receituários médicos adulterados, comprovantes de residência falsos, números telefônicos cadastrados em nome de terceiros e contas eletrônicas criadas exclusivamente para a prática criminosa.

Durante meses de investigação, a Polícia Civil realizou levantamentos cadastrais, análises de inteligência, interceptações telefônicas e telemáticas, além de representações judiciais que permitiram identificar Flavio dos Santos Fraga como o principal responsável pelos delitos investigados.

As provas reunidas apontam a utilização de linhas telefônicas, contas de e-mail, aparelhos celulares e diversos documentos falsificados diretamente vinculados ao investigado. Também foram encontrados arquivos contendo receitas médicas fraudulentas e imagens manipuladas digitalmente utilizadas para dar credibilidade às ações criminosas.

As investigações revelaram ainda que o suspeito não agia sozinho. Conforme apurado, ele contava com o auxílio de terceiros para a obtenção de documentos falsificados, produção das imagens fraudulentas, fornecimento de dados utilizados nos golpes e operacionalização das fraudes, circunstância que fundamentou também o seu indiciamento pelo crime de associação criminosa.

Outro fato que chamou a atenção dos investigadores é que Flavio dos Santos Fraga já figurou em apurações anteriores relacionadas a crimes patrimoniais praticados mediante fraude e associação criminosa, apresentando modus operandi semelhante ao identificado durante a Operação Deepfake.

Durante a operação, foram expedidos pela Justiça mandados de prisão temporária e de busca e apreensão. No entanto, quando as equipes policiais foram cumprir as medidas cautelares, o investigado não foi localizado, passando à condição de foragido. Posteriormente, diante do robusto conjunto probatório produzido ao longo das investigações, a prisão temporária foi convertida em prisão preventiva, permanecendo o suspeito em local incerto e não sabido.

Ao final do inquérito policial, a Autoridade Policial concluiu pelo indiciamento de Flavio dos Santos Fraga pela prática, em tese, dos crimes de estelionato (artigo 171 do Código Penal), falsidade ideológica (artigo 299 do Código Penal), uso de documento falso (artigo 304 do Código Penal) e associação criminosa (artigo 288 do Código Penal). Os autos já foram encaminhados ao Ministério Público para a adoção das medidas legais cabíveis.

As diligências para localizar e capturar o investigado continuam em andamento. Informações que possam contribuir para sua localização podem ser repassadas, de forma sigilosa, aos canais oficiais das forças de segurança.

Repórter Coragem


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