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Licitação de R$ 54,8 milhões para limpeza urbana de Teixeira de Freitas é alvo de questionamentos no TCM-BA

Certame prevê contratação de empresa especializada para serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; 22 empresas foram inabilitadas durante o processo
A licitação milionária para a contratação dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, entrou no radar do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) após empresas participantes apontarem possíveis irregularidades no edital e na condução da Concorrência Eletrônica nº 012/2026.
O certame possui valor estimado em aproximadamente R$ 54,8 milhões e prevê a contratação de empresa especializada para executar os serviços de limpeza urbana no município. Entre os questionamentos apresentados ao TCM-BA estão possíveis restrições à competitividade, exigências técnicas consideradas excessivas, prazo reduzido para apresentação de documentos e inconsistências na composição dos custos. (Bnews)
Prazo para projeto caiu de cinco dias para 24 horas
Um dos principais pontos questionados pelas empresas foi a exigência de um plano de trabalho com elevado nível de detalhamento técnico. A documentação incluía plantas e mapas georreferenciados, definição de setores e rotas, coordenadas, percursos produtivos e improdutivos, dimensionamento de equipes e equipamentos, memórias de cálculo, demonstração de plataforma de software, plano de contingência, PGR, PCMSO, cronograma de treinamento e arquivos editáveis.
Segundo as representações encaminhadas ao Tribunal, inicialmente as empresas teriam cinco dias úteis para apresentar toda a documentação. Posteriormente, por meio de uma retificação publicada em 10 de julho de 2026, o prazo foi reduzido para apenas 24 horas, sem alteração da data da sessão de julgamento ou reabertura integral do prazo para formulação das propostas. (Liberdade News)
As empresas alegaram que a mudança poderia comprometer a participação de concorrentes que não tivessem previamente elaborado estudos e materiais de tamanha complexidade.
22 empresas foram inabilitadas
Outro ponto que chamou a atenção do TCM-BA foi o número de empresas afastadas do procedimento. Ao longo da licitação, 22 concorrentes foram inabilitadas, situação que inicialmente levou a relatora, conselheira Camila Vasquez, a identificar possível restrição indevida à competitividade.
As representações apresentadas por empresas como M. A. da Silva Consultoria Empresarial Ltda., R4 Engenharia Ltda. e IFC Engenharia também questionaram a objetividade dos critérios utilizados para avaliação dos planos de trabalho. (Achei Sudoeste)
As denunciantes apontaram ainda supostas inconsistências na planilha orçamentária, incluindo divergências relacionadas ao ISS, ausência das composições analíticas dos custos unitários que teriam servido de base para o orçamento oficial e regras que poderiam limitar a elaboração das propostas.
Também foram levantadas dúvidas sobre a vigência e o horizonte econômico do futuro contrato, além da ausência de uma matriz de alocação de riscos anunciada no Termo de Referência e de informações sobre a unidade de destinação final dos resíduos e as distâncias necessárias para a elaboração das rotas. (Franco News)
Prefeitura teria exigido informações que não disponibilizou
Entre as críticas mais relevantes está a alegação de que o município teria exigido das empresas informações geográficas detalhadas para a elaboração dos planos operacionais, mas não teria disponibilizado previamente todos os dados básicos necessários para a formulação das propostas.
Na decisão que suspendeu inicialmente o certame, a conselheira Camila Vasquez destacou que a Prefeitura não teria fornecido informações geográficas mínimas para que as empresas pudessem elaborar propostas consideradas exequíveis. O entendimento apontou possível afronta aos princípios da legalidade, isonomia e planejamento previstos na Lei Federal nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações. (Achei Sudoeste)
TCM chegou a suspender a licitação
Diante dos questionamentos, em decisão monocrática proferida em 29 de julho e publicada no dia 31, a conselheira Camila Vasquez determinou a suspensão cautelar imediata da Concorrência Eletrônica nº 012/2026.
Na ocasião, a Prefeitura de Teixeira de Freitas ficou impedida de dar continuidade ao procedimento, homologar o resultado ou assinar eventual contrato decorrente da licitação até nova manifestação da Corte de Contas. O prefeito Marcelo Belitardo e o agente de contratação foram notificados para apresentar defesa. (Achei Sudoeste)
Medida cautelar foi posteriormente revogada
A situação, entretanto, mudou em agosto. Em decisão publicada no dia 11, a conselheira Camila Vasquez acolheu recurso apresentado pelo prefeito Marcelo Belitardo e revogou a medida cautelar que havia suspendido a licitação.
Com a decisão, a Prefeitura ficou autorizada a prosseguir com a Concorrência Eletrônica nº 012/2026. O TCM-BA, porém, continua analisando o mérito das irregularidades apontadas pelas empresas participantes. Portanto, até o momento, os questionamentos apresentados ao Tribunal não significam que tenha sido comprovada fraude ou direcionamento da licitação. (Achei Sudoeste)
Contrato atual aumenta a pressão por uma solução
Um dos argumentos apresentados pela defesa da Prefeitura para pedir a retomada do certame foi a proximidade do encerramento do contrato atualmente responsável pela coleta de lixo no município.
Segundo informações constantes da decisão que revogou a cautelar, o contrato vigente para a coleta de resíduos em Teixeira de Freitas tem término previsto para 29 de agosto de 2026. A administração municipal alegou que a manutenção da suspensão poderia provocar risco de interrupção de um serviço considerado essencial, com possíveis impactos sobre a saúde pública e a salubridade da população. (Achei Sudoeste)
A relatora considerou, nesse momento, a possibilidade de ocorrência do chamado “perigo de dano inverso”, previsto na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), entendendo que a paralisação do processo poderia gerar consequências mais graves para a coletividade do que a continuidade do procedimento.
R$ 54,8 milhões sob fiscalização
A Concorrência Eletrônica nº 012/2026 envolve uma contratação estimada em R$ 54,8 milhões, o que representa um compromisso financeiro expressivo para os cofres públicos municipais. Por isso, as condições do edital, a formação do preço, a competitividade entre as empresas e a execução futura dos serviços permanecem sob atenção.
O caso segue em análise no TCM-BA, e o julgamento definitivo das alegações apresentadas pelas empresas poderá esclarecer se houve, de fato, irregularidades capazes de comprometer o certame.
A Prefeitura de Teixeira de Freitas ainda poderá apresentar novos esclarecimentos e documentos ao Tribunal. As acusações de restrição à competitividade e demais questionamentos são alegações apresentadas pelas empresas participantes e ainda estão sob análise da Corte de Contas.
Com informações de BNews, Achei Sudoeste e documentos relacionados ao processo no TCM-BA. (Bnews)
Por: Edvaldo Alves / Liberdade News