Politica

Penélope Belitardo: 27 mil votos em Teixeira, uma candidatura sem fôlego estadual e o sonho do mandato que não aconteceu

07/10/2026 - 22h47

“Mulher do Prefeito” recebeu 34.208 votos em toda a Bahia, ficou fora da Assembleia e expôs os limites de uma candidatura concentrada em Teixeira de Freitas

A candidatura de Penélope Belitardo, a chamada “Mulher do Prefeito”, terminou as Eleições 2026 com uma pergunta que não pode ser ignorada: houve realmente um projeto para eleger uma deputada estadual ou Teixeira de Freitas foi colocada diante de uma expectativa que não se transformou em mandato?

Penélope terminou a eleição com 34.208 votos em toda a Bahia. Apesar da expressiva votação em Teixeira de Freitas, onde ultrapassou a marca dos 27 mil votos, o desempenho fora do município ficou muito distante do necessário para alcançar uma das cadeiras da Assembleia Legislativa.

E é justamente aí que a conta política começa a não fechar.

A força de Teixeira não foi suficiente

Durante a campanha, a possibilidade de Teixeira de Freitas voltar a ter uma representante na Assembleia Legislativa foi apresentada como uma grande aposta política do grupo liderado pelo prefeito Marcelo Belitardo.

O eleitor teixeirense foi chamado a acreditar que uma votação maciça no município poderia colocar Penélope dentro da Assembleia.

Mas eleição estadual não se vence apenas dentro de uma cidade.

A Bahia possui 417 municípios, e os números apresentados pela própria votação mostram uma candidatura extremamente concentrada em Teixeira de Freitas.

Fora do município, Penélope obteve:

Alcobaça — 1.110 votos
Itanhém — 645
Medeiros Neto — 567
Caravelas — 555
Prado — 472
Vereda — 463
Mucuri — 409
Nova Viçosa — 381
Salvador — 375
Itamaraju — 246
Lajedão — 231
Coaraci — 151
Ilhéus — 104
Alagoinhas — 95
Ibirapuã — 74
Itabuna — 68
Porto Seguro — 63
Eunápolis — 54.

Em outras palavras: a candidatura teve dificuldade para sair de Teixeira de Freitas e transformar a popularidade local em votos suficientes espalhados pelo estado.

O PDT mostrou o tamanho do desafio

O resultado dentro do próprio PDT deixa a situação ainda mais evidente.

Os candidatos eleitos pela legenda tiveram:

Luciano Pinheiro — 92.339 votos
Marcinho Oliveira — 83.074 votos
Neto Coelho — 54.429 votos
Josafá Marinho — 47.464 votos
Cacau da Mata — 47.216 votos.

Penélope terminou com 34.208 votos.

Ou seja, ficou 13.008 votos atrás de Cacau da Mata, o último nome entre os eleitos do partido na relação apresentada.

Penélope terminou, portanto, distante da faixa de votação alcançada pelos eleitos do PDT.

Uma candidatura estadual com votação de perfil municipal

O dado mais contundente talvez esteja justamente na diferença entre a votação em Teixeira e o total estadual.

Com mais de 27 mil votos em Teixeira de Freitas, Penélope praticamente construiu sua votação em torno de seu principal reduto.

O problema é que, para uma candidatura que pretendia representar toda a região e ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa, era necessário muito mais do que uma votação expressiva dentro do próprio município.

Era preciso construir uma rede eleitoral capaz de levar milhares de votos para além de Teixeira.

E os números mostram que isso não aconteceu na proporção necessária.

Marcelo e Penélope precisam explicar a estratégia

O resultado coloca diretamente sobre a mesa a responsabilidade política do grupo de Marcelo Belitardo.

Se o objetivo era realmente eleger Penélope, a pergunta inevitável é:

por que a candidatura não conseguiu construir uma votação estadual mais ampla?

Por que a maior parte da força eleitoral ficou concentrada em Teixeira de Freitas?

Por que municípios importantes da região não apresentaram votações mais expressivas?

E, principalmente: qual era o plano para transformar os mais de 27 mil votos de Teixeira em uma cadeira na Assembleia Legislativa?

Não basta apresentar uma candidatura, movimentar lideranças, realizar eventos e pedir votos. Para conquistar uma vaga estadual, é necessário construir uma estrutura eleitoral muito além das fronteiras municipais.

Teixeira votou, mas o mandato não veio

O eleitor de Teixeira de Freitas fez a sua parte dentro das urnas e entregou a Penélope uma votação expressiva.

Mas os números estaduais não acompanharam a força demonstrada no município.

O resultado final é objetivo: 34.208 votos e nenhum mandato.

A campanha que prometia levar uma representante de Teixeira de Freitas para a Assembleia Legislativa terminou sem a cadeira e com uma diferença de mais de 13 mil votos para o último candidato eleito pelo PDT na relação apresentada.

O “sonho” virou cobrança

Agora, depois da eleição, o discurso político precisa dar lugar ao balanço dos números.

A população pode perguntar: foi uma candidatura realmente planejada para vencer ou uma aposta excessivamente concentrada na força política do prefeito dentro de Teixeira de Freitas?

Essa resposta cabe ao grupo de Marcelo e Penélope Belitardo.

O fato é que não faltou voto em Teixeira de Freitas.

Faltou transformar essa votação em uma força eleitoral estadual capaz de garantir a vaga.

E, no fim das contas, a chamada “Mulher do Prefeito” ficou fora da Assembleia Legislativa da Bahia.

Para quem apresentou a candidatura como possibilidade de Teixeira voltar a ter uma representante no Legislativo estadual, o resultado deixa uma conta política aberta — e uma pergunta que dificilmente desaparecerá tão cedo:

afinal, onde estava o projeto estadual que deveria transformar os votos de Teixeira em mandato?


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