Política

Jotta Mendes Pensando com Coragem “Estado de emergência” ou maneira de ajudar correligionários?

10/02/2013 - 22h58
Jotta Mendes Pensando com Coragem
Desde que a população tomou conhecimento no último sábado, 2 de fevereiro, da declaração de estado de emergência por meio de decreto assinado pelo prefeito de Teixeira de Freitas, João Bosco Bittencourt (PT), que muitas dúvidas sugiram na cabeça dos teixeirenses, inclusive, na minha, sobre o porquê de tal decisão.

No primeiro momento, ninguém questionou a decretação do estado de emergência, apenas o fato de ele ter sido omitido da imprensa, algo desnecessário, haja vista, que toda a imprensa estava (está?) disposta a ajudar Bosco e sua equipe neste início de gestão.

Em meio às minhas indagações, preciso parar a fim de esclarecer alguns pontos, digamos, obscurecidos por quem não conhece minha trajetória. Há quem fale que o Repórter Coragem é oposição, a estes, afirmo que não, pois, no papel de repórter, eu não sou situação, tampouco, oposição. Vale salientar que não apoiei o atual prefeito – e todo mundo sabe disso! Em caso de outra eleição, por exemplo, ficarei, novamente, em palanque oposto ao dele. Depois, fazer oposição, para mim, é para os políticos com cargo na mão; e não tenho nenhum cargo político. Assim, não tenho cacife para fazer oposição. A única coisa que tenho, até agora, e que vou sustentar para o resto da minha vida é “POSIÇÃO”.

Explico ao leitor o que seria/ qual seria minha POSIÇÃO: se me pedir para ajudar, posso ajudar; divulgar? Posso divulgar; Em caso de apoio necessário em prol de benefícios para a coletividade teixeirense, eu posso apoiar. Entretanto, o que não posso é concordar com nada que esteja errado, logo, minha POSIÇÃO é defender o povo. Jamais poderei ir contra a vontade e as carências do grupo que, verdadeiramente, detém o poder, uma vez que, diz a Constituição que o poder emana do povo, e para o povo deve ser exercido.

Por tanto, ao ver os interesses do povo sendo sobrepujados pela individualidade, não posso me calar. Neste momento, eu tomo posição – alertar o povo que ele pode estar sendo enganado; se ele não acreditar, aí não posso fazer nada.

Em relação ao “Repórter Coragem” enquanto veículo de comunicação, o seu papel é divulgar aquilo que for de interesse da população, em razão disso, até o momento, foi o site que mais apoiou a administração do atual prefeito – essa não é conclusão minha, transcrevo o que já ouvi de pessoas que fazem parte da atual gestão. Mas, você pode comprovar tal afirmação em uma busca no histórico do site, e verá que todas as ações já realizadas pela Gestão Bosco foram amplamente divulgadas no “Repórter Coragem”. Isso porque entendemos que é necessário ajudar agora para ter subsídios e capacitação para cobrar depois.

Quanto ao estado de emergência…

Existe algum fato relevante, uma epidemia, algo assim, que justifique a sua decretação?

Houve alguma catástrofe entre o final do ano passado e o início deste, com aval da Defesa Civil comprovando a necessidade plena de decretação de estado de emergência?

Bom, se a resposta para essas perguntas for sim, elenque as epidemias, catástrofes, coisa do tipo e, desta maneira, estará justificada, realmente, a decretação do estado de emergência.

Se você tiver, favor enviar para o [email protected], para que possamos divulgar.

É preciso ter em mente que do ponto de vista legal, o estado de emergência só pode ser decretado se for devidamente justificado por um dos itens citados mais acima.

Por isso, começo a desconfiar que o estado de emergência foi uma forma de ajudar correligionários que teriam contribuído financeiramente na campanha do atual prefeito – já sob a promessa de serem recompensados posteriormente.

Durante o período de campanha, Bosco teria feito acordos com muita gente para ganhar a eleição, e, talvez, “ajudar” tanta gente cumprindo todos os trâmites do processo licitatório seria praticamente impossível. Afinal, outras pessoas poderiam disputar de igual para igual o processo licitatório, no qual, vence o menor preço. Isso dificultaria o favorecimento de aliados, porque haveria o risco real de alguém que não tivesse envolvido no grupo que o elegeu ganhasse a licitação.

E já tem gente de fora sendo beneficiada com o tal estado de emergência: uma empresa que veio de Salvador para cuidar da limpeza do município, já está instalada às margens da BR-101, em um galpão enorme onde, antigamente, funcionava a distribuidora da Coroa. A quem pertence essa empresa?

Segundo as “más línguas”, ela é de Luiz Caetano, ex-prefeito de Camaçari e ex-presidente da UPB, que não só financiou a campanha de Bosco, como bancou sua candidatura a primeiro tesoureiro da UPB, tendo João Bosco vencido.

Caetano é o mesmo que foi visto dando dinheiro a um radialista, que seria candidato a prefeito, mas, desistiu, para apoiar Bosco.

Qual o valor do contrato sem licitação feito entre a referida empresa e o município?

Em suma, infelizmente, há muita coisa em torno desta declaração de estado de emergência a ser explicada. Ele deixa a Administração João Bosco, apenas no início de seus trabalhos, sob o manto da suspeição.

Então, é possível, que tenham se pautado nesta brecha legal (DECRETAR ESTADO DE EMERGÊNCIA) para dispensar licitações, todavia, nesta situação específica de Teixeira, ela perde a legalidade no momento em que fica comprovada a ausência de motivos aceitáveis para esta decretação. E, com isso, ficamos, por ora, ficamos com a ideia de que isso foi jogada para facilitar o favorecimento de correligionários.

Mas, deixo para vocês a pergunta: qual a verdadeira intenção do tão citado decreto?

Jotta Mendes é radialista e repórter


Deixe seu comentário