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Edelvânio Pinheiro: “Coloque as mãos apenas onde o braço alcança”

28/02/2013 - 17h11

EDELVANIO PINHEIRONa imensidão do azul celestial os pássaros, perfeitos e soberanos acrobatas do ar, plainam em um silêncio invejável e santo. Na divina altura, onde mal podemos enxergá-los, ouve-se apenas a voz dos ventos e da paz.

Em contrapartida, em chão firme, um turbilhão de emoções invade a harmonia da vida e desentoa a serenidade da nossa alma. Os problemas, aparentemente insolúveis e carregados de sentimentos opressores, induzem para que fechemos a porta de todos os nossos nobres sentimentos e acabemos, explosivamente, com o nosso bem mais precioso: a vida.

A vida não se resume apenas nas batidas do coração. Ela não é somente a consonância dos órgãos. O sopro de vitalidade que emana em nós é algo mais complexo e grandioso. A divina relação entre corpo, mente e espírito é entregue aos homens e estes devem ser sábios, zelosos e vigilantes, principalmente nos momentos de frustração, quando se deve ser tolerante, perseverante e equilibrado.

Enquanto somos embalados por nossos pais como eternas crianças, o nosso histórico de vida é registrado no mais íntimo dos mistérios do subconsciente. Assim, as mais sombrias modulações da personalidade e também o estandarte da autonomia emocional, que nascem a partir dos limites impostos por nossos pais, serão nosso vale de colheita e plantio por toda a nossa existência.

Maria Pinheiro, minha mãe, para quem recentemente escrevi uma crônica, que foi postada também nesse portal de notícias, me ensinou grandes lições das quais hoje faço boa colheita, transmitindo-as aos meus filhos e leitores. Um desses grandes e sábios ensinamentos fala ao meu coração sobre a humildade de lutar para ter uma vida digna e viver satisfeito com a colheita dos meus esforços, e tão somente com a colheita dos meus esforços. Ela dizia, em sua simplicidade e amabilidade de mãe, “coloque a mão apenas onde o seu braço alcança.” Com essa lição, alicerçada em minha íntima formação, cresci agradecido pelo o que me concede a providência divina mediante minha luta e zelo.

Se as sementes da guerra forem plantadas em algum momento de lapidação existencial de nossos filhos, infelizmente, eles crescerão sem conhecer os limites reais que por natureza existem e terão, inevitavelmente, desagradáveis surpresas quando, munidos da crença de que tudo podem, nunca desenvolverão a arte de gerenciar a própria vida e serão presas fáceis da frustração. A ausência do não na vida das crianças as fazem serem fortes lutadoras na arena dos pobres de espírito.

Depois de adultos, a vida repleta de negativas, que naturalmente eles enfrentarão, será como um muro intransponível, em razão de durante seu desenvolvimento, terem tido apenas o sim como resposta. Nesse anfiteatro muitas pessoas arrastadas pela cólera e ignorância, sem limites, sem caráter e desprovidas do nobre polimento espiritual, procurarão um culpado para seus desatinos. E, muitas delas, acertadamente, encontram a resposta na fraqueza dos pais que não os puniram com a severidade que deveriam.

Nas imutáveis leis de Deus dizer não e impor limites tem um caráter educativo. Evadir-se dessa sabedoria é adotar um sofrimento desnecessário e ser também culpado pela hostilidade sobre a qual a nova geração vem compilando sua história. Por isso, impor limites aos filhos é mais importante do que a manifestação do amor.

Pessoas que não foram educadas para enfrentar os pesares da vida e não aprenderam ter bom senso, serão presas fáceis dos excessos e, infelizmente, não poderão voar com os pássaros para se verem livres dos seus problemas. Então, é necessário enfrentarmos as dificuldades que tanto nos ensinam e nos moldam. Correr delas é buscar, incessantemente, o fracasso. Enfrentar os obstáculos da vida é a nossa maior missão. E o grande arquiteto de todo esse mistério universal, o criador da vida, proverá as necessidades daqueles que não se acovardam e que valorizam a existência, assim como ele provê as necessidades das aves do céu e dos lírios que florescem nos campos.

Edelvânio Pinheiro é jornalista e graduado em Letras Vernáculas.


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