Política

Jotta Mendes Pensando com Coragem“Ninguém fez pela cidade o que Jaques Wagner está fazendo” – João Bosco, ao lançar a pegadinha do ano

03/03/2013 - 22h53
Jotta Mendes Pensando Com Coragem
A vinda do governador da Bahia, Jaques Wagner, ao Extremo Sul, deixará lembranças marcantes em algumas pessoas. O pessoal da imprensa, que tomou um “olé” do governador – e eu não estou incluso, pois, cansado de ser maltratado pela tropa de choque do governador em Teixeira de Freitas, fui a Itamaraju, onde o governador passaria primeiro. Com isso, sem querer, evitei o transtorno.

Os prefeitos, vereadores e deputados, ou seja, “autoridades”, vão lembrar o dia que tomaram “Chá de Espera”. Isso mesmo! Não é chá de cadeira, porque lá não havia. Ah! Mas, é chá quente, porque o local era muito quente. Só que não havia açúcar, ou, adoçante, era o famoso chá amargo, que dizem até que fazer bem; não sei, nunca tomei.

Entre as autoridades que tomaram “Chá de Espera” estava o prefeito de Ibirapuã, Rildo Andrade (PRP) – que chegou a ficar com a cabeça doendo de tanto esperar; a prefeita do Prado, Maíra Brito – que é branca, ficou vermelha de tanto ficar no Sol; o prefeito de Vereda, Dinoel, também ficou vermelho. Vai ver foi complô do governador para que os “companheiros” ficassem com a cor do PT.

Ah! teve também o deputado federal Valmir Assunção, do PT, que veio mais cedo de Itamaraju, foi ao aeroporto, no entanto, acabou tomando do “chá” no Vila Feliz, onde encontrou a militância petista.

Sem falar o presidente da Câmara de Vereadores de Teixeira de Freitas, Ronaldo Baitakão (PSC), que não tomou “chá” sozinho, por ser cristão, Ronaldo soube dividir com os colegas vereadores e botar o papo em dia.

O dia da vinda do governador para Teixeira entrou para história mesmo. Foram fatos alucinantes (também, esperar num Sol escaldante por mais de 2 horas!). Houve quem viu navios enquanto o governador não chegava, como o caso do prefeito municipal João Bosco Bittencourt.

Agora entendi o porquê da frase de Bosco: “Ninguém fez pela cidade o que Jaques Wagner está fazendo”. É porque ninguém, depois da eleição que o consagrou prefeito da cidade, havia lhe deixado a ver navios. Jaques Wagner se encarregou de fazer isso a Bosco, que, hoje, deve estar se perguntando “por que foi dizer aquela frase? Parece que só por isso ele resolveu me dar uma ‘olé’; será que é só para eu aprender a me valorizar mais e não dizer coisas tão ridículas?”.

Se a frase de Bosco não for usada como piada, qual outra finalidade poderia ter?

Vejamos.

Jaques Wagner teve em Teixeira de Freitas, em sua primeira eleição, 2006, nada mais que 80% dos votos válidos. Um contingente eleitoral que, com certeza, contribuiu para sua vitória ainda no primeiro turno. O que, diga-se de passagem, foi surpresa até para o próprio.

O que foi feito no primeiro governo por Teixeira?

Nada.

Na segunda eleição, novamente foram mais de 80% dos votos válidos.

O que Teixeira recebeu? Nada. Aí vêm me indagar: e o saneamento básico e esgotamento sanitário, que vai alcançar 75% da cidade?

Essa obra foi a única participação do governo do Estado. Que precisou conseguir um empréstimo para que a Embasa realizasse, valor que será cobrado do contribuinte, que pagará um acréscimo de 80% na conta de água, logo, o governo nada fez.

Então, o que comemorar com a vinda do governador a Teixeira e Itamaraju? Nada também. Isso é apenas tentativa de aproximação com o povo, haja vista que, no próximo ano, haverá disputa eleitoral e o governador quer fazer seu sucessor para o governo do Estado; nem que para isso tenha que enganar os baianos novamente.

Bem, mas, transformo a afirmação de Bosco em pergunta e respondo o que ninguém fez pela cidade que Jaques Wagner está fazendo? Deu “olé” na imprensa, tratou mal os correligionários, deixou professores mais de 100 dias em greve, no mesmo governo colecionou greves da Polícia Militar, Polícia Civil e outras classes.

Mas, alguém saiu “lucrando” com a vinda do governador a Teixeira de Freitas?!

Esse alguém assina pelo nome de Rogério Pereira, o “Pantera”, uma das figuras mais folclóricas da cidade, que possui trânsito livre em todo lugar.

“Pantera”, que confidenciou a este aprendiz de escriba, a suposta compra de uma SW4 pela bagatela de R$ 180.000,00. Isso mesmo! Paga a vista, conforme seu relato na quinta-feira, na porta da prefeitura, um dia antes da vinda do governador.

Quem sabe, foi nessa SW4 que “Pantera” carregou o governador para passear em Teixeira de Freitas. Ou, teria “Pantera” levado também “bolo”? Porque ele, no mínimo, deve ter ido junto com a trupe “bosqueana” ao aeroporto.

Só tenho certeza que “Pantera” foi a estrela do fim do discurso do governador.

Por volta das 14h30 de sexta-feira, um sol quente, o governador sem almoçar, soado feito um cuscuz, após um discurso longo proferido ao calor de, aproximadamente, 30 graus, recebe de seu cerimonial lista com nomes de muitas pessoas para que ele registrasse a presença. O governador, então, começa a ler um por um. Ao terminar, alguns choramingam pedindo que o seu seja citado. Quando, um engraçadinho atrás do governador, grita o nome de “Pantera”, e Wagner fala em voz alta “vereador ‘Pantera’”. De imediato, notando ser um nome exótico, pergunta se há vereador ali com tal alcunha. Neste momento, “Pantera” aparece no palanque, sendo apresentado ao governador, e, sem querer, rouba a cena.João Bosco, Jaques Wagner, Pantera e Bentivi

Digamos que o felino “Pantera”, que chegou a ser perguntado por Wagner se era ela a “Pantera cor de rosa”, marcou a passagem de Jaques Wagner em Teixeira de Freitas.

E, por isso, dou como explicada a frase de Bosco “ninguém fez pela cidade o que Jaques Wagner está fazendo”, porque, fatos do presente deram significado ao que via somente como piada. Ninguém popularizou tanto “Pantera”, como fez o governador Jaques Wagner. Foi isso. Ao menos para mim, só isso ele fez.

Mas, de verdade, “Ninguém fez pela cidade o que Jaques Wagner está fazendo” é, ou, não, é uma boa pegadinha?

Jotta Mendes é radialista e repórter


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