ONG Ser’Luz e Cristhiane Ferreguett comentam denúncia contra Francap
Roberio, ex-presidente e membro da Ser’Luz, diz que denúncia teve cunho pessoal
Uma nota de esclarecimento divulgada pela ONG Ser’Luz no final da semana passada tenta eximir a instituição de qualquer apoio a denúncia contra a Francap feita pela ex-presidente, gestão 2010/2012, professora da UNEB e associada da ONG Ser’Luz, Cristhiane Ferreguet.
O documento também diz que a Cristhiane teve como motivação questões pessoais para formalizar a denúncia no Ministério Público e oficiar a Vigilância Sanitária sobre supostas situações de maus-tratos na loja.
No início da semana, o membro da organização, Roberio Sulz, disse que a nota precisou ser elaborada depois que Cristhiane usou a conta da ONG nas redes sociais para fazer publicações alusivas à denúncia, demonstrando apoio e difundindo o conteúdo das irregularidades aos usuários relacionados à página da organização na internet.
“A Ser´Luz vem a público esclarecer que não participa nem endossa qualquer das manifestações que pululam ultimamente na mídia contra a Loja Francap e Clínica Saúde Animal”, diz um trecho da nota.
Na verdade, a Francap e Clínica Saúde Animal funcionam no mesmo prédio e pertencem a mesma família. De acordo com Roberio, apesar de ter citado a Francap na denúncia de maus-tratos, o alvo principal seria manchar a imagem da Clínica Saúde Animal; e os motivos seriam pessoais.
Entretanto, conforme informações levantadas pelo Sulbahianews e declarações da própria Cristhiane, devido à falta de verba e apoio do poder público, a ONG sempre trabalhou contando com contribuições de amigos e fazendo parceria com as diversas clínicas veterinárias da cidade, que prestavam serviços voluntários sempre que solicitadas.
Cristhiane, em entrevista, afirmou “que o diálogo aberto com as clínicas, iniciado em sua gestão (2010/2012) foi encerrado pelo ex-presidente Roberio, que centralizou toda a parceria com uma só clínica, a Saúde Animal”. Cristhiane, que precisou morar em Porto Alegre por conta dos estudos, disse que ficou sabendo da parceria, mas, desconhecia a Clínica Saúde Animal. “À distância, eu imaginei que se tratava de um casal de veterinários que havia chegado à cidade e que havia decidido ajudar a ONG. Posteriormente, fiquei sabendo que ficava em cima da Francap, e lamentei o local escolhido por eles, uma vez que, é uma loja que comercializa animais”, comentou.
Ela conta ainda que retornou de Porto Alegre em dezembro, poucos dias antes do Natal. “Em janeiro fui, pela primeira vez, na Clínica Saúde Animal, juntamente com o associado Geraldo Nolasco, para levar um cãozinho de rua para atendimento. Lá, fiquei chocada quando tomei consciência que a Saúde Animal e a Francap são, praticamente, a mesma empresa, e que Nancy (veterinária responsável pela clínica) é filha da dona da Francap”, disse.
Cristhiane rebate e reafirma que finalidade da iniciativa é o combate aos maus-tratos
Cristhiane alega que não houve motivos pessoais. Em sua opinião, Roberio se apega a tal argumento sem nenhum respaldo e veracidade. “Ele precisa justificar o injustificável. Ou seja, como ele não tem nada consistente para alegar, sai com estas invenções e tenta denegrir minha imagem”, argumenta.
A Francap já teria sido motivo de discussão em reunião de diretoria, durante a gestão da denunciante. “De qualquer forma, mesmo que os animais comercializados lá fossem bem tratados, ainda assim, a ONG estaria indo contra seu próprio Estatuto e os seus objetivos (incentivar a adoção de animais domésticos)”, salienta. E lembra que o slogan da ONG é: “Amigo não se compra. Adote!”.
Depois que soube da parceria, Cristhiane passou a questionar o atual presidente por esta atitude e pediu um posicionamento com relação ao fato de a ONG vincular sua imagem e nome a empresas que comercializam animais; e ainda o fazer de forma inadequada.
Com relação isso, a ONG argumenta que embora a comercialização de animais e o modo como eles ficam expostos a venda, em confinamento, na maioria dos pet shops do Brasil sejam vistas com restrição pela Organização, a Ser’Luz, não concorda com a gravidade potencializada nas denúncias.
Mais embaixo, na nota, a Ser’Luz diz que seu estatuto contemplam claramente aversão a maus-tratos a animais, e sua contraposição a tais ocorrências. No entanto, Cristhiane diz não compreender os motivos de uma defesa “tão forte e apaixonada” por parte de Roberio.
Em entrevista ao Sulbahianews, tanto a Cristhiane quanto o Roberio lamentaram os rumos tomados pela polêmica. Até o momento, não foi realizada nenhuma reunião para discussão do assunto com os associados.
Após as denúncias, fiscais da prefeitura estiveram no local e não encontraram irregularidades. Apesar de a situação regular encontrada no momento da fiscalização, a coordenadora da Vigilância, Rosana Vaz de Campos, prometeu intensificar as visitas à loja. Ela acredita que por conta do vazamento da denúncia, que, inclusive, teve grande repercussão nas redes sociais, a proprietária teria se adequado às normas, já que a situação exposta nas fotografias juntadas ao processo mostram realidades diferentes. O Ministério Público ainda não se manifestou sobre o assunto.
Fonte sulbahianews