Política

Jotta Mendes Pensando com Coragem “Jaques Wagner”: o inimigo da imprensa do Extremo Sul

17/03/2013 - 08h06
Jotta Mendes Pensando Com Coragem
A imprensa do Extremo Sul está insatisfeita com a maneira como é tratada pelo governador Jaques Wagner, que, desde seu primeiro mandato, em 2006, desrespeita os representantes dos principais veículos de comunicação da região.

Exemplo desta insatisfação foi a decisão que a classe tomou em reunião no último dia 11 de março, na Rádio Sucesso FM. Os membros da recém-criada Associação dos Profissionais de Imprensa do Extremo Sul da Bahia (Aiesba), por unanimidade, decidiram que todos os meios de comunicação ligados à associação não cobrirão e/ou divulgarão as visitas do governador ao Extremo Sul.

Embora alguns membros da comunidade local não tenham acreditado que a classe cumpriria a palavra, ao que parece, a decisão chegou ao governador e já teve impacto: Jaques Wagner tinha presença agendada em Teixeira de Freitas para a quinta-feira, 14 de março, no entanto, preferiu mandar substituto. Ele viria para, mais uma vez, fazer propaganda para a Fibria e Suzano no famigerado Plano de Desenvolvimento da Costa das Baleias.

Ao tomar conhecimento da decisão da imprensa, o governador, que, obviamente, aproveitaria a ocasião para começar a “campanha” e engrandecer os nomes dos possíveis candidatos ao governo do Estado, optou por não vir sem os holofotes da mídia local. Decidiu, então, mandar um secretário insignificante em seu lugar. Resultado: não deu ninguém. A mídia não divulgou; o ato passou despercebido.

As agressões da turma de Wagner

Pouco depois de assumir o governo da Bahia, Jaques Wagner veio ao Extremo Sul. Ironicamente, a visita era de cortesia, para agradecer à população pela expressiva votação recebida aqui.

O que o povo levou? Nada.

Mas, Fernando Moulin levou… Tapa dos seguranças de Wagner em sua careca, ou melhor, cabeça pensante.

Outros companheiros da imprensa também foram agredidos na ocasião.

Uns foram impedidos de subirem ao palanque, outros,  levaram cotoveladas.

Eu levei um soco nas costas, no aeroporto, enquanto, na época, fazia um flash ao vivo para a Rádio Três Corações, de Itabatã/BA.

Desde então, as agressões e as mais diversas formas de desrespeito são corriqueiras nas vindas de Jaques Wagner à região.

Mas, ter deixado a imprensa, em pleno sol, esperando no aeroporto, enquanto foi pousar no 13º BMP e de lá partiu direto para a TV Sul Bahia, foi a gota d’água, distanciando de vez governador da Bahia e imprensa do Extremo Sul, que decidiu reagir boicotando a divulgação de visitas do ilustre Wagner.

Na quinta-feira, segundo informações, ao chegar ao Espaço D, local em que acontecia o evento do qual Wagner participaria, seu representante sentiu a falta da imprensa, e, inclusive, procurou um único repórter que registrava o momento para o seu álbum de fotografias, e perguntou o que estava acontecendo entre Wagner e a imprensa. O repórter informou; o representante deve ter levado o recado para Wagner, que, ao invés de vir pedir cachaça no Extremo Sul, como fez da última vez em Itamaraju, agora, deverá vir trazer obras e pedir desculpas à imprensa.

O governador petista fala abertamente que a turma de ACM era truculenta. Pode até ser verdade, mas, ao menos eu, nunca ouvi falar que a guarda da governadoria agrediu alguém, sequer a imprensa, na época de ACM.

Eu, por exemplo, fui ao aeroporto de Teixeira de Freitas em 2006. Na ocasião, Paulo Souto vinha entregar o programa “Viver melhor” e inaugurar a delegacia da mulher, quando, numa das entrevistas consideradas mais polêmicas que já fiz, perguntei ao então governador Paulo Souto, assim que desceu do avião, sobre a Grendene – que, naquele momento, sequer havia saído do papel.

O questionamento causou mal-estar ao governador e à turma que o acompanhava, todavia, ninguém ousou questionar nem o porquê de tal pergunta.

Imagino se tivesse que fazer a mesma coisa agora.

Qual seria a reação do governador?

O que aconteceria comigo?

Como eu sairia do local?

Da última vez que o governador Wagner esteve aqui, para inaugurar obra que não foi ele quem fez, é do governo federal e, como sempre, quem vai pagar pela obra é o povo, fiquei com uma pergunta entalada na garganta. No entanto, deixei para fazer na próxima ocasião. Ao que parece não terei a oportunidade, haja vista, que não voltarei a cobrir eventos que envolvam as visitas do governador.

Mas, deixo para vocês o meu questionamento:

“Governador, o senhor não tem vergonha de sair de Salvador usando um avião do Estado, com diárias e demais despesas pagas pelo Estado, para vir ao Extremo Sul entregar uma obra tão porca quanto essa, e quem nem foi o senhor quem fez?”

Será que eu sairia de lá vivo?

Tenho minhas dúvidas.

Mas, vida que segue.

Os direitos humanos

Outro assunto que merece destaque é este. Eu nunca conseguir enxergar direitos humanos no Brasil.

Na verdade, os direitos humanos, “de fachada”, só aparecem para proteger bandidos.

Ainda assim, a eleição de Marco Feliciano, que é “Pastor”, para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), da Câmara dos Deputados, causou a maior polêmica. Primeiro, porque o pastor deputado teria se declarado contra o homossexualismo. Segundo, por conta de uma declaração, mal interpretada, que o deputado fez citando os africanos, a qual muitos deturparam e disseram que era contra os negros.

Como Marco Feliciano faria uma declaração contra negros se ele tem origem negra?

Fato é que suas declarações suscitaram diversos debates e protestos na internet e grande mídia contra a permanência do pastor na comissão.

Diante disso, pergunto: qual é mais grave, ter na comissão de direitos humanos alguém que atingiu duas classes de pessoas, no caso, os homossexuais e, supostamente, os negros, ou, ter na presidência do Congresso Nacional, com a possibilidade de ser Presidente da República, alguém que atingiu todas as classes brasileiras?

Porque os escândalos envolvendo Renan são muitos mais graves que as declarações de Marco Feliciano.

Não que eu aprove as atitudes, ou, as declarações de Marco Feliciano. Mas, acho que o povo brasileiro está usando dois pesos e duas medidas. Deixando de lado um corrupto de carteirinha para perseguir um pastor, que, pode até ter errado ao fazer suas declarações, mas, podem ter certeza, jamais seus erros mataram tanta gente como os de Renan.

Reino dividido

Está chegando ao fim o prazo dado a toda administração em começo de governo: 100 dias – faltam apenas 30!

Em Teixeira de Freitas, apesar de a oposição estar respeitando o prazo, parece que o grupo de João Bosco não está tendo a mesma paciência.

Desde os primeiros dias de governo que os perfis falsos, os conhecidos “fakes” (falso, em inglês), começaram a surgir no Facebook, denunciando muita coisa dos bastidores do governo petista.

Dentre eles, destaque tem tido Andreas Vegas. Muita gente na cidade se pergunta quem é ele?

Posso até imaginar: é alguém que veio de Las Vegas e queria passear no parquinho, mas, o Lobo Mau, aquele que pegou Chapeuzinho, não deixou.

Tendo que se contentar com a Vovozinha, o dito cujo criou o Andreas Vegas, que pode ter feito Marketing, e ninguém sabe quem é, mas, todo mundo sabe decifrar.

Qual o real interesse de Andreas Vegas?

Estaria ele(a) chateado com o fato de não ter sido amparado no governo?

Ou, será que, realmente, Andreas Vegas só quer denunciar as coisas erradas do governo?

Se for isso, acho que esse governo não vai precisar de oposição.

Lembro uma resposta de Jesus Cristo dada aos “fariseus” quando tinha acabado de expulsar demônios de um jovem, e, aqueles, disseram: “ele não expulsa demônios, se não por ‘Belzebu’, que é o príncipe dos demônios”.

Jesus falou ”como posso expulsar demônios, sendo eu o príncipe dos demônios?”.

E resumiu: “qualquer reino dividido contra si mesmo será aniquilado”.

Está dado o recado.

Jotta Mendes é radialista e repórter


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