Crédito de restituição de IR ajuda a pagar dívidas
Para Sílvia Brito, profissional liberal, 43 anos, antecipar a restituição do Imposto de Renda é a garantia de poder curtir suas férias e arcar com todas as despesas típicas do início do ano (IPVA, IPTU, matrícula e material escolar) sem muita preocupação.
Desde 2007, ela antecipa pelo menos 50% do valor que deve ser devolvido pelo Leão. “Entra como se fosse parte do orçamento”, justifica, acrescentando que acha a taxa de juros bem razoável. É de olho em pessoas como Sílvia que os bancos já anunciaram suas linhas de crédito para antecipação de IR e começaram a analisar os pedidos de crédito.
Até o último balanço divulgado ontem pela Receita, 3,5 milhões de declarações tinham sido entregues. Não é possível estimar quantas pessoas se adiantaram de olho na antecipação do IR, mas o Santander e o Banco do Brasil informam que a procura por essa linha de crédito cresce a cada ano. Sílvia mesmo fez a declaração logo no dia 1º de março e procurou a sua gerente em seguida. Ela preferiu não revelar o valor da restituição, mas disse que não anteciparia mais de 60%.
Os bancos permitem que o contribuinte antecipe até 100% do valor a receber, mas alguns condicionam esse percentual à análise de perfil, caso do Banco do Brasil, ou oferecem o valor máximo apenas para quem tem conta-salário, como o Bradesco. Em todos os grandes bancos em operação na Bahia já é possível antecipar a restituição do IR, com taxas de juros que variam de 1,57% a 1,90% ao mês, acrescidos de IOF.
Os interessados devem apresentar apenas uma cópia do recibo de entrega da Declaração do IR referente a 2012 e especificar qual percentual da restituição querem antecipar. Experiente na operação, Sílvia diz que apenas uma vez antecipou 90% do montante total e dá a dica: se limite a antecipar um percentual que ao final quite completamente o empréstimo, sem dívida pendente. Afinal, se você pedir 100% da sua restituição por esta linha de crédito ainda ficará devendo ao banco quando a Receita Federal depositar o valor na sua conta, pois haverá a incidência de juros.
O contribuinte só pode pedir empréstimo no banco para o qual direcionou sua restituição e o valor é bloqueado para quitar a dívida assim que é depositado pela Receita, o que significa que a operação tem risco zero para os bancos. Para o contribuinte também é uma operação segura, desde que não seja encontrada nenhuma mínima discrepância entre o declarado e o obtido pela Receita.
Também é importante ter atenção, pois, caso o valor real da restituição seja menor do que o previsto, o cidadão pode ter problemas para quitar a nova dívida.
Com um procedimento fácil, rápido e seguro, a tentação costuma ser grande, mas antes de pedir a antecipação da restituição do Imposto de Renda é preciso pensar bastante. Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, a primeira questão a se observar é a real necessidade de contrair um empréstimo. Ele ressalta que, apesar dos juros serem mais baixos que os praticados em cheques especiais, cartões de crédito e financeiras, ainda são maiores que os aplicados em empréstimos consignados, por exemplo.
Embora ciente da existência de opções com juros mais baixos, Sílvia Brito, por exemplo, não tem muita paciência para empréstimos cobrados em parcelas mensais, que dão a sensação de dívida se prolongando – por isso, não tem dúvida de que para seu perfil a antecipação de IR é a melhor opção.
Domingos concorda que não é possível generalizar, mas aponta em linhas gerais as situações nas quais recorrer a essa linha de crédito é interessante: “Vale a pena você fazer uma operação de valor agregado, como comprar um carro, ou adquirir um produto à vista com grande desconto”.
Em caso de dívidas vencidas, ele recomenda o empréstimo apenas se o valor for suficiente para resolver completamente a pendência. Embora trocar um parcelamento de dívida com juros elevados pelas taxas relativamente baixas da antecipação do IR seja financeiramente vantajoso, Domingos destaca que sem uma reflexão e ajuste no orçamento familiar, a tendência é que rapidamente o contribuinte fique novamente endividado.
Fonte: Correio