Clécio se envolve em nova confusão com dinheiro da APLB de Prado e caso vai parar na delegacia

Na tarde da última sexta-feira 16 de março, a coordenadora da APLB/Sindicato, professora Francisca Brasília Marques, esteve na delegacia de polícia de Prado para registrar uma queixa crime de apropriação indébita contra o ex-coordenador da APLB/Prado Clécio Ribeiro Santana.
Segundo informações, Clécio, que é atual gerente de Convênios da Prefeitura de Prado e vice-presidente da Igreja Batista de Prado, deixou de prestar contas dos anos de 2007, 2008 e 2009 da APLB/Prado, que, nesses anos, arrecadava uma média de R$1 mil ao mês.
Em entrevista à imprensa, a professora Brasília relatou que o sindicato esperou muito para que o ex-coordenador prestasse contas de como gastou o dinheiro da categoria, nos três anos em que ocupou a pasta.
“Ele [Clécio] tentou passar por cima da delegacia do sindicato, dizendo que o mesmo convocou a diretora regional, alegando que existe dentro do sindicato em Salvador pessoas que são filiadas ao PC do B, mesmo partido em que ele é filiado, e que se desse ‘um jeitinho’ para aprovar as suas contas sem passar pela delegacia do sindicado em Teixeira de Freitas. Nós achamos esta uma atitude irresponsável, indigna e nada transparente, porque ele estava administrando o dinheiro dos associados. Ou seja, ele tem que prestar contas para os associados, tem que ter nota fiscal de onde ele gastou o dinheiro. Se ele não prestou conta pra gente, ele vai prestar através da Justiça”, afirmou a coordenadora.

Brasília ressaltou que foram dadas todas as chances e tempo hábil para que Clécio prestasse as contas. A coordenadora afirmou em entrevista que Clécio chegou a alegar que as notas dos gastos estavam na cumeeira da sua casa e foram molhadas pela chuva. “Eu orientei que ele procurasse o comércio onde havia comprado para pedir a segunda via. Nós, que combatemos tanto a corrupção no Brasil e que estamos à frente de sindicato, que defendemos os direitos dos trabalhadores, a gente não pode compactuar com uma situação dessas de forma nenhuma. Prestamos queixa, esperamos que ele seja processado e que ele preste conta de como gastou o dinheiro. Infelizmente foi preciso chegar a esse ponto”, destacou a professora Brasília.
O atual coordenador da APL/Prado, professor José Nilton, confirmou em entrevista o teor da queixa contra o professor Clécio, ressaltando que havia cobrança de muitos associados pela não prestação de contas do dinheiro da categoria.
Um levantamento parcial da não prestação das contas já prova que não foram justificados R$ 15 mil gastos por Clécio.
Clécio Ribeiro Santana, vulgo Clécio do Cimento, Clécio da Patrol e agora Clécio do dinheiro da APLB
Não é de hoje que Clécio se envolve em escândalo envolvendo dinheiro público. Em 2008, o braço direito do prefeito Jonga Amaral foi apontado por moradores como o cabeça da obra que se encontra até hoje abandonada nas localidades da Juerana e do Imbassuaba, município de Prado.
Existem informações dos próprios moradores de que Clécio levava materiais de construção no carro particular para destino desconhecido e que uma carreta de cimento foi descarregada em lojas de materiais de construção da cidade e parte na sua residência no centro de Prado. Na época, a FETAG, órgão vinculado ao governo do estado, bloqueou parte dos recursos que viriam para o município.
No último dia 24 de outubro, o mesmo Clécio foi convocado pela Câmara Municipal de Prado para prestar esclarecimentos sobre suposta compra superfaturada de uma patrol no valor de R$510 mil.

Entre outros temas questionados pelos vereadores, Clécio iria responder a questões como: Por que a administração do prefeito Jonga Amaral preferiu comprar uma patrol por R$ 510 mil quando poderia tê-la adquirido por R$ 420 mil? Por que adquiriu um veículo importado quando poderia ter comprado um nacional que, como se sabe, tem a manutenção mais em conta?
Clécio ignorou a convocação e não compareceu à Câmara. À imprensa, ele disse o que lhe convinha. Nunca falou sobre as casas de Juerana e Imbassuaba, e sobre a compra da patrol Xing-ling. Tanto Clécio como o prefeito Jonga (PCdoB) se esquivam de falar sobre o assunto.
Em entrevista à Rádio Prado na tarde desta segunda-feira (19/03), Clécio apresentou cópia de documentos justificando a contas do período em que esteve na APLB.
Sobre esses documentos, a coordenadora regional da APLB afirmou que foi apresentada “parte de documentos”, mas o teor não justificou o que foi arrecadado e ela ainda complementou que ele apresentou parte da prestação de contas sem as notas fiscais.
Em entrevista, Clécio disse que, enquanto esteve à frente da APLB, usou o carro particular, telefone e a casa onde mora a serviço da classe. Ele justifica, porém, “que apenas gastos com combustíveis foram pagos pela APLB”.
Candidato derrotado nas eleições 2008 ao cargo de vereador, Clécio tentará, este ano, emplacar a esposa, atual secretária de Educação de Prado, Bruna Giono. Ambos eram membros ferrenhos da APLB no governo do ex-prefeito Wilson Brito, no governo Jonga não participaram de nenhuma manifestação do movimento.
por Márcio Hack