Concordata da Suzano: verdade ou não?
A Suzano Papel e Celulose está em fase pré-falimentar e possível concordata, sendo que os cortes das despesas começaram pela área de comunicação, por ordem da direção. Essa foi a justificativa dada pelo grupo para encerrar o contrato publicitário de 20 anos com a Rede Sul Bahia de Comunicação. A decisão da Suzano foi comunicada em reunião realizada sexta-feira, 26 de abril, na sede da unidade industrial da Suzano, no distrito de Itabatã, em Mucuri, entre representantes da Suzano e da Rede Sul Bahia, da Cooperativa Brasileira de Sites e da Cooperativa de Comunicação.
Participaram a gerente de Comunicação Corporativa da Suzano, Cristiane Malfatti; o gerente executivo de Relações Institucionais do grupo na Bahia, Jorge Cajazeira; a diretora comercial da Rede Sul Bahia, Hélia Farias; o diretor financeiro, Isak Kein Ramos; e o superintendente da cooperativa e da Rede Sul, o suplente de deputado federal, Uldurico Pinto. No encontro, houve o rompimento formal da parceria, que já havia sido suspensa unilateralmente, por parte da empresa de papel e celulose, há 5 meses.
O argumento dos representantes da Suzano para encerrar o contrato foi que o grupo está em fase de concordata devido às dificuldades financeiras, motivo pelo qual a empresa dispensou os serviços da maior rede de comunicação do interior da Bahia, com um jornal, sete rádios, duas cooperativas de comunicação e oito sites.
Os representantes da Rede Sul Bahia discordaram dos argumentos da Suzano, afirmando que as contrações e expansões do mercado de papel e celulose são normais e que a Suzano sempre saiu mais fortalecida depois desses períodos de contrações.
Durante a reunião, que transcorreu em clima tenso, o gerente de Relações Institucionais da Suzano foi sarcástico com o suplente de deputado federal, Uldurico Pinto, afirmando que a Suzano ajudou financeiramente adversários políticos dele na campanha de 2010. “Uldurico, que foi um defensor intransigente da Suzano e sempre teve uma relação fraterna com a direção da empresa, pode ter se sentido humilhado pelo diretor de Relações Institucionais da Suzano”, afirmou Hélia Farias.
Esse apoio incondicional do parlamentar à Suzano acabou por prejudicá-lo politicamente na região, sendo que dois episódios foram decisivos para sua derrota nas eleições de 2010. Uldurico Pinto perdeu mais de 90% do apoio dos fomentados, o que significa, aproximadamente, 10 mil votos, por ficar ao lado da Suzano no episódio da crise dos fomentados. Estima-se que ele também perdeu mais 5 mil votos no episódio da crise da máfia do carvão, por ficar ao lado da Suzano ao invés de se posicionar a favor do trabalhadores, com os quais ele tem forte vinculação.
O parlamentar, eleito por três mandatos, em 2010 ficou suplente por apenas 5 mil votos de diferença. Ele recebeu 41 mil votos e precisava de 46 mil para garantir o novo mandato. Apesar de todo o apoio recebido de Uldurico, a Suzano, além de não ajudá-lo financeiramente na campanha, ainda apoiou os adversários do deputado na região. De acordo com a prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na campanha de 2010, Uldurico não recebeu qualquer recurso de empresas, ao contrário de alguns de seus adversários, que receberam doações da Suzano, pois o gerente de Relações Institucionais da empresa, Jorge Cajazeira, tem ligação com os concorrentes de Uldurico.
Durante a reunião, a gerente de Comunicação, Cristiane Malfatti, fez deboche da Cooperativa e da Rede Sul Bahia. A gerente nunca atendeu os telefonemas da Rede Sul Bahia, nem dos diretores da Rádio Três Corações, a única na Unidade Industrial em Itabatã. O único contato do grupo de comunicação foi com assessoria de imprensa da Suzano, que atuou de forma competente e ágil quando convocada pela família Feffer nos momentos cruciais da crise dos fomentados e da crise do carvão.