Política

Jotta Mendes Pensando com Coragem “Está chegando a hora da farra da cidade”

06/05/2013 - 09h44
Pensando com Coragem

Quero homenagear a minha cidade pela passagem do seu 28º aniversário na coluna desta semana. Eu nasci em Jucuruçu, mas, sou teixeirense de coração, porque Teixeira de Freitas é a cidade que eu escolhi para viver. Cheguei aqui em janeiro de 1987. Naquele dia 23 de janeiro eu desembarcava numa cidade muito diferente, apesar de naquela época Teixeira ser ainda muito pequena em relação ao que é hoje. Mas, para mim, com 11 anos, criado na roça pelos meus pais, qualquer novidade se agigantava. Aqui cheguei para encarar a lida diária e ver essa cidade crescer. Ainda me recordo de muita coisa, como da antiga estação rodoviária, onde, às vezes, eu ia no domingo assistir o jogo, já que em minha casa não havia televisão. Lá, encontrava muito amigos, todos buscando um pouco de lazer, afinal, todos tinham poucos recursos e buscavam alternativas de diversão.

O tempo passou e aquela Teixeira criança menor de dois anos, agora, está prestes a completar 28, adulta, consequentemente, crescida, mas, infelizmente, pouco desenvolvida em muitos aspectos. Vivemos nestes 26 anos belas histórias, que serão guardadas para toda a vida, levaremos para sempre as boas lembranças da cidade de Teixeira de Freitas.

Mas, na quinta-feira, 9 de maio, no dia em que a cidade completará 28 anos, começará o Teixeira Folia, a festa da cidade, que ficou por dois anos sem acontecer, e, agora, ganha novo nome; seu retorno neste momento, pode ficar marcado na história de forma negativa. Afinal, segundo dados da própria administração municipal, a cidade passa por sua pior crise financeira; a saúde está na pior, com greve branca e tudo mais; a educação segue com problemas antigos, que só aumentam; os demais recursos estão comprometidos com uma suposta dívida deixada pela administração Apparecido Rodrigues Staut, então, por que gastar dinheiro com uma festa que não pode resolver nada?

Ah! mas, a festa pode aumentar os problemas da saúde, muita gente pode beber demais, se envolver em brigas e precisar ser atendida no hospital municipal. Muitos também podem deixar de pagar as dívidas para viver momentos de alegria numa micareta, que vai durar quatro dias e deixar prejuízos para o resto do ano.

Eu não sou contra a festa, porém, penso que temos que ter coerência. Não podemos fazer festa quando estamos endividados, portanto, se há crise financeira, por que a festa?

Bem, o Teixeira Folia pode ser uma alternativa para gastar dinheiro sem licitação e, com isso, favorecer aliados da campanha eleitoral. Você, leitor, pode se perguntar: e isso pode acontecer?

Não só acho que pode, como tenho minhas dúvidas se não é isso que ocorrerá.

Nestes quatro dias de festa, a cidade, que está destruída pelas obras mal feitas da MRM, que continua fazendo o que quer nas ruas, apesar de a administração de “João, o Mentiroso” dizer que tinha embargado as obras. Entendo-o, pois, por que se preocupar com os estragos da MRM se a cidade toda continua abandonada?

Seria como cobrar do outro o que eu não faço.

Quais motivos teria Teixeira para comemorar?

Eu diria que muitos: o fato de a cidade não depender do Poder Público para sobreviver; de, mesmo abandonada, tanto pela administração passada, como pela atual, conseguir manter-se de pé; comemorar por termos um comércio forte, pessoas batalhadoras, gente dinâmica, que não fica esperando pelo Poder Municipal, que deixa de lado os problemas do município para mergulhar numa farra sem fim.

A festa da cidade será transformada na farra da cidade, que será bancada com dinheiro público, que deixará crianças sem aula por falta de merenda, pessoas doentes por falta de remédio. Que deixará a cidade imunda por não recolher seu lixo. Entretanto, deixará meia dúzia de gente comemorando, tomando as bebidas mais caras, comendo os pratos mais deliciosos, enquanto outros choram, por não poder contar com a condições mínimas de sobrevivência.

Parabéns, Teixeira!  28 anos não são 28 dias. Temos muito que aprender. Aprender a votar, a cobrar, a reivindicar. Precisamos saber que temos deveres, mas que precisamos também ter nossos direitos respeitados e cumpridos. Enquanto achamos que não podemos fazer nada, eles continuam fazendo festa com nosso dinheiro.

Está na hora da cidade acordar, ir às ruas reivindicar. Se podemos fazer festa, também podemos ter saúde, podemos ter uma educação de qualidade, podemos ter os enormes buracos que existe na cidade tapados. Precisamos acordar, cobrar, se não todo ano a festa da cidade será a farra da cidade.

Pense nisso. Semana que vem eu volto. Nem que seja para dizer parabéns, Teixeira de Freitas, você merece uma administração descente, que pena que não tem.

Jotta Mendes é radialista e repórter


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