“Não podemos prejudicar 15 músicos por que um cometeu um crime” Afirma Marcílio Goulart
A coletiva de imprensa para prestação de contas do “Teixeira Folia” serviu também para que alguns questionamentos sobre a conduta da comissão organizadora durante a realização da festa fossem levantados. O principal deles foi quanto à apresentação do músico Wesley José dos Santos, o “Homem da Faca”, como ele ficou conhecido após desferir três facadas em sua ex-esposa no dia 16 de abril.
A primeira pessoa a se posicionar foi Petrina Nunes, repórter do Jornal Alerta, que questionou a comissão organizadora o fato de ter permitido que Wesley, que é acusado de tentativa de homicídio, puxasse um trio na avenida. Marcílio Goulart respondeu que todas as pessoas que foram contratadas para cantar na festa foram avaliadas pela comissão organizadora, levando em conta o histórico dos contratados e suas apresentações anteriores.
“Nos não poderíamos penalizar 15 músicos em razão do fato de um ter cometido um crime”, disse Marcílio, prosseguindo afirmando que a banda Fantasia do Samba participou de todas as festas realizadas nos últimos anos, o que contribuiu para que ela fosse contratada. Mesmo tendo como músico principal alguém que teria tentado contra a vida da ex-esposa na frente da filha de dois anos, da sogra e de uma amiga.
Em seguida, foi a vez do secretário de Segurança com Cidadania, coronel Bartolomeu Calheiros, falar sobre o caso. Para ele, a comissão organizadora não poderia julgar ninguém. “O músico cometeu um crime, mas, é um pai de família lutando pelo pão de cada dia, de forma digna”, concluiu Calheiros.
Em seguida, foi a vez do repórter Jotta Mendes, do Repórter Coragem, questionar o assunto: “Marcílio, você disse que não seria justo penalizar 15 músicos em razão do crime que um cometeu, mas, você acha justo afrontar toda a sociedade?”. Neste momento, Marcílio se recusou a responder a pergunta dizendo que fazia suas as palavras de Calheiros.
Sendo novamente interpelado pelo repórter: “vocês não acham que o fato de permitir que alguém que tenha cometido um crime tão recentemente vá para avenida puxar um trio e dizer ‘Esse cara sou eu’ é um incentivo ao delito que ele cometeu?”. Neste momento, a assessora de imprensa da prefeitura, Michele Ribeiro, simplesmente, não deixou que o questionamento fosse respondido.
Vindo do coronel Calheiros, atitudes como essa de dizer que o fato de um elemento ser pai de família justificar o crime que ele cometeu não é de se estranhar. Quando estava diretor do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas vinha liberando, de forma irregular, vários criminosos, os quais aproveitam a liberação irregular para cometer outros delitos na cidade.
Entre as pessoas que foram liberadas de forma irregular por Calheiros está o detento Hélio Conceição Manoel, de 38 anos, assassinado com um único tiro na cabeça na manhã de terça-feira, 23 de abril, na avenida das Galáxias (ladeira do bairro Bonadiman), que teria sido liberado para trabalhar na casa do agente penitenciário José Antônio Carmo Pereira, o “Pereirinha”, como pedreiro.
Hélio, que além de homicídio, era acusado de estupro, teria se envolvido com a esposa do agente penitenciário e, por isso, vinha planejando, segundo depoimento de “Pereirinha”, matar o filho do casal, fato que motivou o acusado a mandar matar a vítima.
Além deste caso, existem outros que foram beneficiados com a liberação irregular quando o coronel era diretor do presídio. Entre eles, existe, inclusive, um que teria montado uma empresa nos fundos do presídio, que ia a Posto da Mata e voltava quando bem queria.
Ao assumir a direção do presídio, o tenente-coronel Osíris Moreira Cardoso acabou com este tipo de prática. Coincidência, ou, não, os números de homicídios diminuíram drasticamente, o que pode significar que alguns crimes eram cometidos por pessoas que vinham se beneficiando de forma irregular do beneficio do semiaberto, que mesmo o crime sendo descoberto, tinha que ser abafado para não prejudicar quem tinha concedido o benefício.
Por Jotta Mendes/ Repórter Coragem