Política

Peixeira Folia: a “Festa da faca e do desrespeito”

19/05/2013 - 16h41
Pensando com Coragem

Antes de entrar no assunto, vou tentar entender o que quis dizer o mais hipócrita de todos os colunistas que já ouvi falar.

Essa semana fui instigado a ler a coluna de determinado jornalista das bandas de Brocoxó. Imaginem que vi o propalado homem “puxa saco” de ladrões defender o combate à pedofilia. Olha que disparate! Este jornalista se julga imparcial, mas, sempre direciona seus comentários a defender ladrões, sobretudo os que estejam de vermelhos, ou seja, ladrões petistas.

Este mesmo colunista há muito pouco tempo abraçou um determinado senhor acusado de pedofilia, andou para baixo e para cima de mãos dadas com ele. Hoje, diz que é preciso combater a pedofilia, mas, é pau mandado do dito acusado.

Agora quer fazer campanha contra pedofilia. Por que não fez quando o patrão dele era acusado do crime?

Essa é uma pergunta para alguém que se julga moralista, no entanto, não pode passar em todas as ruas da cidade.

Vamos ao “Peixeira Folia”.

Você pode até se perguntar o porquê desta vez estarmos trocando o Teixeira por Peixeira. E explico: Peixeira é uma faca grande. Utensílio que personifica, a meu ver, o que foi esta festa da cidade.

O que era para ser um momento de resgate da cultura de Teixeira de Freitas, como fora divulgado, acabou se transformando no evento que entrou para história como exemplo da falta de respeito e de excesso de hipocrisia de pessoas que prometem e não cumprem, que estão pensando apenas no seu umbigo e querem mesmo é que a cidade se dane.

Imaginem os senhores que um jovem rapaz de vida simples, morador da região do Polo Industrial, saiu de sua casa no sábado, 11 de maio, para ir curtir a festa, e morreu sem que ninguém visse quem o atingiu com uma facada no pescoço. Curioso é que o secretário de Segurança com Cidadania, coronel Calheiros, ao anunciar o sistema de monitoramento de câmeras no circuito, teria dito que se um casal de formigas tivesse namorando no circuito, seria flagrado pelas câmeras.

O jovem Alisson Santos Brito, o “Conde”, de 18 anos, bem maior que formigas, foi esfaqueado na região do pescoço, morrendo no local. Seu agressor evadiu-se e até agora não há notícias sobre seu paradeiro.

Onde está o forte esquema de segurança e o sistema de câmeras da festa, que não conseguiram interceptar o assassino?

Ao comentar o assunto na coletiva de prestação de contas, Calheiros disse que aquele jovem morreria naquele dia onde ele estivesse, dizendo se tratar de um crime passional – onde há casos amorosos envolvidos. Segundo Calheiros, eles descobriram que a vítima estaria namorando uma jovem, já comprometida com o assassino. Independente das razões pelas quais  Alisson foi morto, o crime denota que o tão elogiado circuito apresentou falhas, que deveriam ser explicadas de forma convincente, não com falas tolas que remetem a destino; polícia não trabalha com tarôs ou afins, sim com prevenção e oferta de segurança às pessoas.

Outro caso envolvendo faca foi o caso do músico Wesley José dos Santos, que ficou conhecido como o “Homem da Faca”, porque no dia 16 de abril esfaqueou sua esposa na frente da filha do casal, de cerca de dois anos de idade, da sua sogra e uma amiga de sua esposa, que teria acompanhado a vítima com medo do que Wesley poderia fazer a ela.

Como recompensa pelo ato covarde, Wesley foi convidado pela organização da festa para puxar o primeiro trio a entrar na avenida no dia da abertura, exatamente o dia 9 de maio, quando a cidade completava 28 anos. Assim, foi para avenida aquele que desferiu três golpes de faca contra sua esposa.

Senhoras e senhores, o camarote oficial estava cheio de autoridades que foram prestigiar a abertura do “Peixeira Folia”. Wesley parou em frente ao camarote e começou a cantar o sucesso de Roberto Carlos, “Esse cara sou eu”. O ato foi, no mínimo, uma afronta aos cidadãos de bem que estavam no local. Autoridades que estavam no camarote me confidenciaram que a vontade foi invadir o trio e dar voz de prisão ao Wesley.

O músico não estava errado ao cantar, quem errou foi a comissão organizadora ao contratar a banda Fantasia do Samba e não pedir que outro músico puxasse o trio. Também me contaram que foi uma exigência da comissão que Wesley puxasse o trio, transformando o “Teixeira Folia”, no “Peixeira Folia”, a festa da faca e do desrespeito.

O desrespeito foi para com os cidadãos de bem que foram ao “Teixeira Folia” para se divertirem, mas, ficaram constrangidos com este ato. O desrespeito foi com a família de Alisson, que mesmo perdendo a vida da festa, se quer contou com a presença de alguém da comissão organizadora no seu velório, ou, algum tipo de suporte aos familiares do rapaz ou minuto de silêncio em homenagem póstuma no último dia da festa.

Só me resta dizer que, com dois episódios envolvendo faca, o “Peixeira Folia” foi a festa da faca, do desrespeito e da imoralidade. Gastar R$ 900 mil numa festa, enquanto a cidade está em estado de emergência, foi muita incoerência.

O slogan da festa deveria ser “Celebrando a morte de sua gente”, ao invés de “Celebrando sua gente”. Onde há tanta falta de respeito, tanta imoralidade, coisas escusas, não tem como dizer que a gente é celebrada. Teixeira precisa ter seu respeito de volta. A atual administração desmoralizou todo o município com atitudes mesquinhas, que promovem a desordem e ferem os bons costumes.

Imaginem o que vai pensar quem viu o “Homem da Faca” puxando o trio: “Poxa! Ele esfaqueou a mulher e está aí como se nada tivesse ocorrido. Se ele pode, eu também posso”. Este ato representou uma apologia à violência contra as mulheres, que viram uma companheira ser ferida, mas, se ela fosse ‘companheira’ o PT teria reviravolta e mais respeito. No entanto, não é uma filiada, por isso, eles celebram enquanto ela vive um momento de angustia. Nem se recuperou das facadas, ainda deve estar com medo de sair na rua e encontrar com o agressor, que já está por aí cantando e dizendo “esse cara sou eu”. Deve ser o cara que esfaqueia a mulher sem motivos, que afronta a sociedade puxando um trio, que causa vergonha e sensação de impunidade em todos que ainda cultivam bons valores.

Jotta Mendes é radialista e repórter.


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