Política

Urubus, águias e beija-flores: secretária de Educação, esposo x imprensa

02/06/2013 - 18h16
Carla Félix Entrelinhas - banner central

Diversos veículos da imprensa deram notoriedade à matéria divulgada no jornal de maior circulação na cidade sobre o comentário infeliz da secretária de Educação. Ela disse, em minhas palavras diretas, que tem gente que possui olhos de beija-flor, e mesmo em meio à carniça enxerga flores; em contrapartida, existe o grupo dos que têm olhos de urubu, mesmo em meio a flores, só vê carniça.

O comentário foi feito durante entrevista à repórter do periódico. O marido da secretária, que é pastor, tentou, talvez, me pareceu, vai que não foi a intenção, né?! Usar de seu ‘bom’ nome para limpar a barra da ‘bobinha’ da secretária. Espera. Digo bobinha, porque no texto que ele fez em um ‘blogzinho’ aí deixou transparecer, em meio a um discurso típico de pessoas adeptas ao estilo ‘morde e assopra’, que elogiava ao passo que classifica o serviço do jornal em questão de imprensa urubu (MINHA LEITURA, CLARO!) que a pobre secretária foi persuadida a fazer a comparação, ou, a repórter e o jornal – “quase oficial da cidade”, nas palavras dele, agiram de má-fé, usando “afirmações fora do contexto, com inserções tentando, a todo custo, contextualizar de forma aderente aos objetivos da reportagem”.

O texto do amado e fiel esposo, para mim, assina o atestado de incompetência da secretária, pois, chega ser vexatório o marido escrever em defesa um texto tão… tão… poético, digamos, que foi o “Lamentável episódio entre a flor [secretário]  e o beija-flor [o jornal em questão]”. Observem que nem o prefeito, ou, sua famigerada assessoria vieram a público comentar o fato. Segundo relatos que correrem nos BASTIDORES DO PODER, imperou a lei do silêncio sobre o caso. Corre, ainda, a boca miúda, que a secretária, em ocasiões diversas, dizia em bom tom que nada sabia de política. Chamo atenção do leitor para esta ‘especulação’, porque não temos uma declaração oficial dela a este respeito. Mas, convenhamos, alguém que faz comentários tão boçais e abertos a interpretações em uma entrevista, que atende repórter de um dos principais jornais da cidade com rispidez, que confessa na cara dura que não tem sal, carne e mandou fechar um dos portões da escola, não conhece nada das malandragens desse mundo-cão que é a política.

De verdade, não condeno a titular da pasta de Educação. Acho que, embora digam que de boa intenção o que fica abaixo do céu está cheio, acredito que ela tenha boa índole, como o Daniel, secretário de Educação na Gestão Apparecido, é ‘gente boa’, como dizemos entre amigos. O problema é que é impossível se envolver com lixo, desprotegido, e não se contaminar. Política é assim, se entra limpo, sai sujo. Já sujo se insere, imundo sairá.

Agora, o tal esposo dizer que respeita o jornal é uma hipocrisia danada. Imagino que muita gente teve leitura semelhante a minha quando leu: “a reportagem afirma que urubu, para a secretária de Educação, é toda a imprensa, como se naquele momento a repórter fosse a imprensa, e não uma, entre muitas, da imprensa. Sabe lá o que ela disse, ou afirmou, à entrevistada, antes ou durante a entrevista, para colher a resposta que recebeu (não os pincelados fora do contexto), e depois chamou toda a imprensa para pagar o mico? Este é um erro gravíssimo, não ser forte suficiente para colher o que plantou, e então convocar, obrigatoriamente, todos os colegas para fazer isto; outros jornais, outros repórteres, na mídia escrita ou digital, até mesmo de rádio e televisão, já estiveram, como beija flor em contato e entrevista com a Secretária de Educação, mesmo apontando acertos e erros na atuação da Secretaria Municipal de Educação, incluindo a Escola Bom Pastor, e todos foram tratados com o devido respeito por ela”.

Ora, ora! Claramente ele põe em xeque o profissionalismo da repórter com um “sabe-se lá o que ela disse ou afirmou à secretária”, no que eu fico me perguntando o que um repórter pode falar para que alguém conte uma história tão inútil e boçal de olho de beija-flor e olho de urubu. Além do mais, é bom dizer, que a própria assessoria de JB tem medo da torneirinha de asneiras (vide Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, acho que fica bom com educação este diálogo… ) da secretária, porque sempre que é avisada que um repórter vai lá em tal horário, manda a assessora durona ir antes orientar/ditar tudo que é para ser ou não falado na entrevista – segundo informações de uns beija-flores tagarelas que têm por aí. Além do mais, foi covarde ao expor a repórter enquanto fingia elogiar o periódico impresso do qual já foi colunista, inclusive. Ele e todos sabem que um repórter não manda, apenas escreve o texto, que é alterado ao bel-prazer do editor, depois mexido pelo redator e revisor. Ou seja, ele não poderia jamais afirmar que “Sabe lá o que ela disse, ou afirmou, à entrevistada, antes ou durante a entrevista, para colher a resposta que recebeu (não os pincelados fora do contexto), e depois chamou toda a imprensa para pagar o mico?”.

Ah! Pontua-se ainda que imprensa é o conjunto dos jornais, dos jornalistas e dos meios de divulgação de notícias ou comentários, é um coletivo, e todo coletivo é unido (na teoria, óbvio). Desta forma, ao citar os olhos de urubu a quem lá foi com a boa intenção de ouvir seu parecer sobre denúncias sérias envolvendo a escola que tem sido chamado de ‘Febem teixeirense’ queria somente, como disse seu amado, que a carapuça servisse; e, se o jornal quase oficial não representar o coletivo, qual outro fará?!

Blogs e sites da cidade, por livre e espontânea vontade, divulgaram a matéria, porque viram como afronta à liberdade de imprensa a ação da secretária. Nenhum foi persuadido a postar a notícia. Antes, todos que têm olhos normais, não de bajuladores, veem os problemas da Escola Bom Pastor. Ninguém aqui – eu, reles colunista –, ou qualquer veículo de comunicação que divulgou a matéria, está cego para a importância da escola em tempo integral. Sabemos todos, sociedade e imprensa, que ela representa um passo importante para mudar a história de nossa cidade e trazer melhores condições de ensino para centenas de crianças. No entanto, entulhar menores de idade por mais de 8 horas numa escola, dando a eles duas maçãs de manhã, duas à tarde, arroz, feijão, farofa e frango meio-dia. Não ter psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e guardas in loco, é mais uma tentativa infeliz de mascarar a realidade. Sequer biblioteca funcionando há! Como diz o escritor, “um país se faz com homens e livros”.

A escola existe, ótimo! Faça ser pleno seu funcionamento. Ofereça mais que ESCOLA, dê ENSINO em tempo integral.  Chega de meia-boca! As crianças da Bom Pastor pulam o muro quando querem, gostam de lá porque “brincam e conversam com os amigos”, como disseram na entrevista.

Estou certa que alguém me entenderá. Não quero aqui desmerecer o projeto do prefeito. Aplausos a ele pela iniciativa. Mas, convenhamos, do jeito que está, nunca será a diferença que Teixeira precisa para ofertar educação e livrar crianças da criminalidade. Antes que eu me esqueça, ter olhos de águia, para mim, não é ser trapaceiro não, é observar melhor tudo a sua volta, o que muitos jornalistas aqui, orgulhosamente, fazem. E estão de parabéns! Se para uns vocês são urubus, atentem-se que esta ave “limpa o mundo”, como diria minha avó. Pouco importa que ave sou para a secretária e seu esposo, quero somente ver uma escola que vá além de um medíocre projeto, quero verdade, almejo melhorias, sonhos maiores sendo realizados em uma cidade que merece ser feliz plenamente.

Carla Félix é formada em Letras Vernáculas pela Uneb/Campus x. Revisora, redatora e editorialista; atua em jornal e sites de notícias da cidade.


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