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Trabalhadores das empreiteiras de celulose deflagram greve no Extremo Sul

26/06/2013 - 22h37

A paralisação por tempo indeterminado foi decidida durante uma assembleia realizada com trabalhadores das empreiteiras das empresas de celulose Fibria e Suzano na manhã desta quarta-feira, 26 de junho, na praça da Prefeitura de Teixeira de Freitas.

Greve trabalhadores empreiteira de celulose2O movimento conta com trabalhadores da GEF, Plantar, LocaService e Em Flora. Segundo Silvânio Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Silvicultura, no Plantio Tratos Culturais, Extração e Beneficiamento da Madeira em Atividades Florestais e Indústria Moveleira do Extremo Sul da Bahia (Sintrexbem), que representa a categoria, a greve pretende acabar com a exploração das empreiteiras no Extremo Sul da Bahia.

Ainda de acordo com Silvânio, o movimento reivindica melhorias no salário, plano de saúde, cesta básica, transporte, alimentação e participação do lucro.

Silvânio presidente do SintrexbemNa questão salarial, a categoria, que atualmente tem o salário de R$ 641,00, luta para que o valor chegue a R$ 950,00 equiparando a remuneração mensal com os funcionários das empresas de celulose. Na cesta básica que hoje é avaliada em R$ 130,00 o valor almejado é de R$ 170,00.

“Nós queremos um emprego digno e de qualidade”, declarou o presidente, movimentos parecidos também acontecem em São José de Alcobaça e em Posto da Mata, distrito de Nova Viçosa, cerca de 1.500 trabalhadores participam aderiram a greve, segundo o sindicato.

O vereador Edinaldo Resende, líder da Comissão de Direitos Humanos na Câmara, acompanhou todo o movimento desta quarta-feira. O edil tem participado das lutas da categoria e recentemente provocou a realização de um estudo com especialistas voltado para a problemática da monocultura, exigindo a responsabilidade social das empresas de celulose na região. As empresas citadas ainda não se pronunciaram sobre a situação.

Greve trabalhadores empreiteira de celuloseNo início da tarde, a Fibria disse reconhecer o direito de manifestação dos trabalhadores se manifestarem e está acompanhando as negociações entre os provedores de serviços e o Sindicato dos Trabalhadores (SINTREXBEM). A empresa afirma ainda, que os provedores de serviços vêm buscando manter o diálogo com suas equipes, e ressalta que o diálogo é o principal instrumento para se chegar ao consenso.

A Suzano Papel e Celulose está acompanhando a paralisação por meio de contato com os representantes das suas prestadoras de serviço. A empresa espera que as partes consigam, através do diálogo, chegar ao consenso que beneficie a ambos.

Por telefone, o Sulbahianews conversou com o presidente da Associação das Empresas Prestadoras de Serviço do Extremo Sul da Bahia, Gean Rocha, que comentou sua surpresa ao saber do movimento, já que a Associação ainda não foi comunicada oficialmente sobre a greve.

Greve trabalhadores empreiteira de celulose3Gean também afirma que a data base para o acordo coletivo é maio, e que o Associação enviou, 60 dias antes, o pedido da pauta de reivindicação ao Sintrexbem, que ao contrário do que ocorre desde 1997, não foi encaminhada para discussão.

As empresas também teriam cobrado uma reunião com o sindicato para uma negociação, mas não obteve êxito. Após a tentativa, a associação das prestadoras chegou a oficiar o Ministério do Trabalho sobre a não discussão do acordo coletivo por conta da omissão do Sintrexbem. Ainda segundo Gean, todo o impasse está ligado ao posicionamento o Sintrexbem que é favorável a primarização do serviço, o que significa a extinção das 12 empresas prestadoras de serviço existentes na região.

Por Jotta Mendes/Sul Bahia News


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