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Ouviram-se os estampidos e Luquinhas desabou-se

11/03/2014 - 10h26
Lucas Santos da Cruz, o “Luquinha executado em Medeiros Neto

Dia 8 de março de 2014. A tarde caía devagar na cidade, iluminando os eucaliptos e o parquinho onde crianças brincavam alegremente. Por ali, como quem olha a infância perdida, estava Lucas Santos da Cruz, o “Luquinha”. Com um dos pés no ambiente infantil e o outro na obscura criminalidade, ele andava de “corpo aberto” e meio ébrio entre os brinquedos, quando, por volta das 17 horas, apareceram os serviçais do vício e o executaram.

Mais um corpo de um adolescente caiu sobre a poeira do vazio. Inerte, ele teve uma das mãos rasgada por um dos tiros de .380 que o alvejaram. Ele tentou se defender, mas sucumbiu em frente da própria escolha, talvez a única que lhe ofereceram quando sua personalidade podia ainda ser lapidada com os bons preceitos sociais.

Populares juntaram-se em volta e todos ficaram em frente do caminho irremediável de uma triste lacuna deixada pela sociedade que, antes mesmo do IML remover o corpo, já cria outros futuros mortos, vítimas do descaso social do país e filhos de uma sociedade que acha dificuldade em impor regras, determinar limites, ensinar e punir.

A alma de Luquinha desprendeu-se, libertou-se das algemas que o encarceraram durante, praticamente, toda a vida. Um policial e uma vizinha tentaram, em vão, adverti-lo quando o relógio da morte já havia acionado seu cronômetro. O Radar58, no exercício do seu papel social, também temeu pela vida desse adolescente na última vez em que ele foi alvejado por um tiro próximo à coluna. Mas as garras da morte chegaram antes da “Carta à Justiça” fazer o efeito que desejara e Luquinha se foi ao entardecer, quando o sol e o manto da noite se abraçaram.

Alguns internautas desejaram que ele seguisse viagem em paz, outros disseram que ele não fará falta e, assim, a vida segue seu curso imutável, velejada por uma “sociedade que cria seus monstros e depois não aceita conviver com eles”. Essa mesma sociedade, do barquinho do egocentrismo, continua criando monstros cada vez mais melhorados para o mal.

E ouviram-se os estampidos e Luquinha despencou-se de um corpo ainda franzino, mas perigoso e que parecia não caber nele mesmo. Fecharam-se as portas terrestres, mas o menino de personalidade adulterada não levou toda a fatura da dívida com ele. Promissórias certamente serão quitadas, em um futuro não muito longínquo, por familiares e todos os demais que compõem a hipócrita sociedade que o fizeram invisível.

Então, desejemos que a paz que Luquinha nunca teve a oportunidade de conhecer e semear o acompanhe, quem sabe, no caminho do paraíso.

Fonte Radar58


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