Coordenador Marcus Vinícius só se pronunciou sobre o caso Gel Lopes após série de cobranças feitas na Rede Sul Bahia de Comunicação

Desde a sexta-feira, 25 de abril, que a Rede Sul Bahia de Comunicação desencadeou uma série de programas cobrando respostas sobre o caso do jornalista Jeolino Lopes Xavier, o “Gel Lopes”, de 44 anos, executado a tiros no dia 27 de fevereiro, na rua da Saudade, Bela Vista, região central de Teixeira de Freitas.
A série de cobranças foi desencadeada em razão de o crime completar em 27 de abril 60 dias sem, sequer, um pronunciamento do delegado sobre o caso e nenhuma informação ser passada para a imprensa.
O primeiro programa foi o “Comando Geral”, do jornalista Fernando Moulin, na manhã de sexta-feira, 25 de abril, que contou com a participação de Jóris Bento Xavier, filho do jornalista Gel Lopes, e também do repórter Jotta Mendes. Juntos com Fernando Moulin intensificaram uma cobrança pelo pronunciamento do delegado, pedindo explicação pelo silêncio.
A cobrança foi tão grande que até o presidente da Câmara de Vereadores, que estava em Salvador, ligou para participar. Fernando aproveitou para trazer aos ouvintes momentos de Gel Lopes em vida, o que fez seu filho Jóris Bento ir às lágrimas.
No sábado, 26 de abril, a cobrança foi programa “Roda de Samba, com dois toques de política”, que vai ao ar sempre das 12 às 14 horas, todo sábado. Neste dia a cobrança foi tão grande que o programa se estendeu até pouco depois das 16 horas.
Participaram deste programa o filho da vítima, Jóris Bento Xavier, o jornalista Athylla Borborema, o blogueiro Dilvan Coelho, o repórter Edvaldo Alves e o também repórter Jotta Mendes, juntos fizeram uma cobrança séria sobre o esclarecimento do caso e pediram explicações sobre o silêncio do delegado-coordenador Marcus Vinícius.
Durante este programa, o ex-deputado Uldurico Pinto, que é atual presidente do Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos Humanos, participou por telefone e endossou a cobrança dos jornalistas, fazendo duras críticas ao silêncio do delegado e perguntando quanto isto custou.
O radialista Lucas Bocão e Uldurico Júnior também participaram por telefone do programa, e também cobraram o porquê do silêncio por parte das autoridades, cobraram providencias e que o crime fosse esclarecido.
Na segunda-feira, 28 de abril, o programa “Lucas Bocão” voltou a cobrar o assunto, novamente a participação de Jóris Bento foi marcante, pedindo providências e que a morte do pai não ficasse impune, agradecendo as pessoas que lhe deram suporte e cobraram justiça na morte do seu pai.
Jóris Bento, inclusive, deixou uma mensagem a todos os filhos: “Ame os seus pais, pois você não sabe o que vai acontecer amanhã”, e deixou também uma grande lição a toda sociedade: “Eu perdoou o assassinos do meu pai, mas, quero que eles sejam punidos; não me calarei enquanto eu puder cobrar”, finalizou Jóris Bento.
Após a série de programas, o delegado Marcus Vinícius, coordenador da 8ª Coorpin, convocou uma entrevista coletiva na quarta-feira, 30 de abril, quando se pronunciou sobre o caso, porém, não trouxe à tona nada que pudesse esclarecer o crime de Gel Lopes.
Apenas descartou duas motivações para o crime, motivações essas que teriam sido levantadas por eles mesmo, que seria tráfico de drogas e crime passional, dizendo que ao longo das investigações elas foram enfraquecidas.
A pergunta que não quer calar é por que apenas após a cobrança o delegado se pronunciou?
Será que o delegado precisa de pressão para trabalhar?
Por Jotta Mendes/Repórter Coragem