Polícia

Vereador do PT tenta matar irmão e ex-assessora

03/05/2012 - 16h24

O vereador Edmundo Santos, o Cona, (PT) teve um acesso de fúria no último sábado (28/4), no distrito do Guarani, município de Prado, e tentou matar a sua ex-assessora Tutiara Soares Lima e o próprio irmão Gilberto Ferreira dos Santos.

Gilberto, que esteve na manhã desta quinta-feira (3/5) no Ministério Público, acredita que o motivo da agressão seria uma queixa prestada na Delegacia de Polícia Civil de Prado. “Há um ano e pouco eu e Tutiara prestamos queixa contra ele pelas ameaças de morte que vínhamos sofrendo. Ele disse que daria um tiro na minha cara”, afirmou o irmão do vereador.

Segundo informações, Cona forçou a ex-assessora a pegar um empréstimo na Caixa Econômica Federal no valor de R$ 8.400,00 (oito mil e quatrocentos), para pagar dívidas de campanha, e não pagou as parcelas conforme combinado. Do irmão Gilberto, Cona teria pegado um cheque em branco emprestado e passado para terceiros no valor de R$5.700,00 (cinco mil e setecentos), o cheque voltou duas vezes. Tanto Tutiara como Gilberto afirmam que estão com os nomes “sujos” por conta da dívida não paga pelo vereador.

Não satisfeito com as cobranças, o vereador ameaçava de morte o irmão e a ex-assessora até o dia em que foi intimado pela polícia. Revoltado, o representante do PT no Guarani invadiu a casa da sogra de Gilberto, achando que o mesmo estava lá. Encontrando Tutiara, passou a espancá-la.

“Ele invadiu a casa da minha sogra, esmurrou a minha cunhada, falou de matar a minha esposa, de matar a minha cunhada, falou de me matar. Ele tirou o facão e falou que iria matá-la, saiu em alta velocidade com o carro, retornou e, mais uma vez, agrediu ela, deu um soco no olho que deu esse hematoma”, afirmou Gilberto, apontando a Tutiara.

Não é a primeira vez que o vereador ameaça matar o irmão. Durante a entrevista, Gilberto afirmou que, em certa ocasião, Cona o ameaçou na frente dos pais. “Essa não é a primeira vez que ela faz isso. Ele já ameaçou dar um tiro em mim na frente do meu pai e da minha mãe.”

Em entrevista, Tutiara, que hoje trabalha como doméstica em Itamaraju, também crê que a intimação da polícia foi o motivo da agressão do vereador e afirma que fez o empréstimo de R$8.400 a pedido de Cona. “Ele podia conversar, não chegar assim agredindo, batendo. Eu estava na casa da minha mãe. Ele me xingou de vagabunda, me deu um soco no olho, um nos seios, me chutou, saiu e voltou com um facão para me matar. Juntamos eu, minha mãe e minha irmã e conseguimos trancar a porta para ele não entrar. Ele prometeu que ia me bater e me bateu, dei queixa e até hoje a Justiça não fez nada. Espero que hoje a Justiça faça alguma coisa”, afirmou Tutiara.

Expulso de casa pelos pais

O vereador Cona, até sábado passado, morava com os pais. Depois da tentativa de homicídio, ele foi expulso de casa. “Depois de ele ter agredido Tutiara, me ameaçado de morte e a minha esposa, meu pai pediu para que ele saísse de casa. Ele pegou as coisas dele, da mulher dele e do filho e saíram”, afirmou o irmão.

Tragédia anunciada

O irmão do vereador Cona, Gilberto Ferreira dos Santos, apela para as autoridades e para o Partido dos Trabalhadores (PT) para que tomem providências.

“Eu peço às autoridades competentes, à delegada, ao promotor e aos vereadores. Eu acho que tem que ser colocado um ponto final nesse assunto porque, se continuar dessa forma, vão acontecer coisas piores. Ele [Cona] prometeu que ia bater e bateu, ele

prometeu agora que vai matar. A gente não sabe o que se passa na cabeça dessas pessoas. Eu quero proteção para mim e para minha família”, finalizou Gilberto.

Vereador teria forçado a namorada a abortar

Inconformado com a atitude do irmão vereador, Gilberto soltou o verbo e deu detalhes do aborto da hoje cunhada Ranieli Alves Conceição. No dia 26 de janeiro de 2011, “Rani”, grávida de gêmeos, passou mal e foi levada para a Policlínica de Itamaraju pelo vereador Cona, aonde ela chegou com forte sangramento. Após procedimentos médico, constatou-se que se tratava de um aborto.

Gilberto afirma que o pai da namorada de Cona o procurou querendo sabe o paradeiro da filha. “O pai da menina nos procurou lá na casa do meu pai querendo esclarecimento do sumiço. Ele [Cona] tratou o pai dela com arrogância dizendo que não devia satisfação a ele. O que eu sei é que a esposa dele, a atual esposa dele hoje, fez um aborto na época a mando dele, inclusive seriam gêmeos. Após o acontecimento do provável aborto, a menina ficou morando com ele na casa dos meus pais”, afirmou Gilberto.

A suspeita contra o vereador parte dos próprios familiares da vítima que relataram o ocorrido à reportagem. “Quando foi na quarta-feira ou quinta-feira (27/1), ele [Cona] levou Rani para Itamaraju. Ela contou para a prima que achava que estava grávida e que ele estava querendo comprar remédio para matar o filho. Ele estava lá em casa com ela, quando os dois saíram pra Itamaraju”, afirmou Sandoval do Carmo Conceição, pai de Ranieli.

Ainda segundo seu Sandoval, no dia seguinte, Cona apareceu na casa da família para pegar algumas roupas de Rani. Naquele momento, a reação do pai foi automática: “Oxente! Cadê Ranieli?”. Ao que o vereador Cona respondeu que a filha estava na fazenda de Jonga [Amaral, prefeito de Prado] em uma festa.

“Quando foi mais tarde, uns amigos nossos ligaram lá de Itamaraju falando que ela estava internada. Minha esposa foi lá e o pessoal confirmou que ela realmente estava internada. O pessoal não queria nem dar satisfação, mas, depois de muita insistência, a enfermeira confirmou que era um caso de aborto”, acrescentou seu Sandoval do Carmo Conceição.

Revoltado com o comportamento do vereador, seu Sandoval relatou que, quando Cona saía do hospital com Ranielli, virou para mãe da namorada e disse que Ranieli não tinha que dar satisfação a ninguém. “Poxa, como ela não deve satisfação a mim, ela é minha filha”, cobrou o pai da vítima.

Procurada pela reportagem, a prima de Ranielli, A.N.A, assegurou que esteve com Rani e que ela confirmou que o vereador teria ido à farmácia comprar o remédio abortivo. “Ela me falou que ele queria comprar, que foi à farmácia e apreçou, e que o remédio custava 400 contos. Ela me falou que ele ia comprar o remédio e ia dar pra ela tomar”, afirmou a prima de Rani, que está grávida e que teria aconselhado Rani a não abortar.

Seu Sandoval, que trabalha na coleta de lixo, levou nossa equipe até Rani, que estava em repouso. Falando à reportagem, Rani negou que o vereador tenha dado remédio para ela abortar. Confirmou que estava grávida de 2 meses e que foi para o hospital na quarta-feira (26/1), ficando até sexta, onde perdeu os 2 bebês. “Ele não me deu remédio nenhum”, afirmou Rani, que chegou a entrar em contradição quando perguntada sobre o nome do remédio que teria tomado para abortar. “Eu não vi não.”

Por Márcio Hack


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