São Paulo registra primeira chacina do ano com quatro mortes em Guarulhos

A Polícia Civil investiga se a chacina que deixou quatro mortos em Guarulhos, na Grande São Paulo, na madrugada deste sábado (2) está relacionada com a morte de um policial militar no dia 30 de dezembro na cidade. Segundo a PM, os disparos partiram de um veículo que passou em frente a um bar na Rua Domingos de Abreu, na Vila Galvão, por volta das 0h30. Os jovens mortos tinham entre 19 e 28 anos.
Moradores da região, que não quiseram gravar entrevista, disseram ao SPTV que a chacina pode estar relacionada com a morte do policial. O delegado responsável diz que ainda é cedo para fazer qualquer afirmação, mas que todas as hipótese são investigadas.
“Nós trabalhamos com todas as hipóteses, mas seria muito leviano e muito irresponsável a gente informar qualquer informação fechada agora nesse instante. Tudo isso carece de investigação, uma apuração”, afirmou o delegado Rubens Barazal, do 2º Distrito Policial.
Segundo testemunhas, três homens fizeram os disparos. Dois deles desceram de um carro preto e começaram a atirar na rua. Uma das vítimas tentou fugir, desceu a escadaria, mas foi atingida. Um jovem foi morto na casa dele e outros dois jovens foram mortos no bar.
Uma amiga do homem que ficou ferido disse que o viu pouco antes do crime e que ele será pai de gêmeos.
“Eu vim até o bar e desejei feliz ano novo pra todo mundo que eu vi ali. Esse rapaz que está baleado no hospital a esposa dele está grávida de gêmeos”, afirmou.
A tia de Hermes Augusto (19 anos), que morreu na garagem de casa, disse que o sobrinho era entregador de pizza. Ela ouviu os tiros.
“Quando eu cheguei meu sobrinho estava lá dentro, ele conseguiu correr mas já estava com 4 tiros, na barriga e um na perna”, afirmou.
O pai de Francisco Fernando Pereira Caetano (23 anos), que estava no bar e morreu no hospital disse que chegou a chamar o filho para voltar para casa.
“Eu chamei ele. Vamos pra casa. Ele disse ‘daqui a pouco eu vou’. Aí, eu tomei banho, eu ouvi um monte de tiro achei que era fogo”, afirmou Francisco Francimar
Os outros jovens assassinados são Leonardo de Souza (23 anos), e Adriano Araújo (28).
Em 2015, segundo levantamento do SPTV, houve 16 chacinas com 76 mortos na região metropolitana de São Paulo.
Osasco, Barueri, Itapevi e Carapicuíba
A Polícia Civil concluiu neste mês o inquérito sobre o caso da chacina ocorrida em agosto na Grande São Paulo, indiciando seis policias militares e um guarda-civil por envolvimento nos assassinatos. As informações foram confirmadas nesta quinta-feira (17) ao G1 pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Segundo a pasta, os sete agentes responderão diretamente pelos assassinatos de 23 pessoas e pelas tentativas de homicídios de outros sete sobreviventes. As vítimas foram executadas e feridas a tiros em Osasco, Barueri, Itapevi e Carapicuíba nos dias 8 e 13 de agosto.
O motivo que levou PMs e GCMs a cometerem a chacina seria vingar as mortes de um policial militar no dia 7 de agosto e de um guarda-civil no dia 12 de agosto.
Algumas das vítimas tinham passagens pela polícia, mas não há confirmação de que elas teriam participado dos assassinatos do policial e do GCM.