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Receita Federal cobra R$ 23 milhões da Igreja Maranata

08/04/2016 - 12h01

Igreja Maranata

A Receita Federal está cobrando da Igreja Cristã Maranata (ICM) quase R$ 23 milhões por fraudes que resultaram em prejuízos ao cofre nacional. Também são alvo das infrações – já aplicadas – 10 membros de sua antiga diretoria, incluindo o presidente da instituição, Gedelti Victalino Gueiros.

A íntegra do documento produzido pelos auditores fiscais, a que A GAZETA teve acesso com exclusividade, aponta que entre as irregularidades praticadas está a emissão de notas fiscais consideradas frias por não ter havido a prestação do serviço ou venda da mercadoria, o que configura crime contra a ordem tributária.

Há três semanas, os envolvidos no processo começaram a ser notificados sobre o arrolamento de seus bens – que é uma forma de garantia para a Receita.

Isto acontece quando a dívida cobrada é de pelo menos

R$ 2 milhões e totaliza 30% do patrimônio. Como os bens da ICM são superiores a este percentual, ela ficou livre do arrolamento.

O trabalho dos auditores foi concluído no final do ano passado e logo após foi formalizada uma Representação Fiscal para Fins Penais. Os autos de infração, já emitidos e entregues, cobram, além dos tributos não pagos, as multas.

Segundo o relatório, um pequeno grupo detinha o poder na ICM. E foram eles os responsáveis pela prática de uma série de irregularidades.

Diz ainda que os fatos caracterizaram “o intuito fraudulento do contribuinte em se eximir do recolhimento do tributo.

Igreja Maranata

É a primeira vez que a própria igreja (instituição) é investigada, junto com outras dez pessoas: pastores, ungidos, diáconos e seu presidente. Além disso, durante os procedimentos, um total de dez empresas foram fechadas após a constatação das fraudes.

A investigação teve início em fevereiro de 2014. O alvo foram os anos de 2010 e 2011. Foram analisados documentos da igreja, de empresas e feitas diligências junto a fornecedores e prestadores de serviços.

Algumas empresas não foram localizadas, outras estavam com as atividades paralisadas, ou sócios e titulares não foram encontrados.

Também foram ouvidos depoimentos. Informações que reforçaram para os auditores “os indícios de que recursos foram desviados da ICM a partir da utilização de notas fiscais frias em que não se provou a efetividade das operações nelas descritas”, diz o relatório.

A emissão destas notas frias ocorria a pedido do Presbitério – a cúpula da igreja, à época – e era destinada a empresas cujos donos eram membros da instituição.

E o ciclo se fechava com o depósito dos valores nas contas correntes daquelas pessoas jurídicas, concretizando-se o desvio com os saques dos recursos e sua entrega a particulares.”

Outra constatação da investigação foi que o próprio estatuto da igreja foi desrespeitado. Um exemplo é que ele proíbe que seus membros sejam sócios de empresas prestadoras de serviços.

De acordo com a Receita, a imunidade tributária concedida às igrejas não é “ampla e irrestrita”, mas destinada às finalidades essenciais da instituição religiosa. E pode perdê-la, como foi o caso da Maranata, se houver desvios.

Como foi constatado neste procedimento fiscal.”


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