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Garoto muda versão sobre morte de menino de 10 anos

05/06/2016 - 11h27

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O garoto que estava junto com o menino Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira (10 anos) morto pela Polícia Militar na última quinta-feira (02) mudou a sua versão sobre os fatos do ocorrido.

Em novo depoimento feito na noite desta sexta-feira (03), ele agora disse que não houve confronto com a polícia, e que três disparos foram feitos com o carro em movimento, e nenhum depois de o carro ter parado, durante a abordagem da polícia.

No novo depoimento, o garoto diz que o tiro que matou o menino de 10 foi disparado por um policial da Rocam (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas) imediatamente após de o carro ter colidido e parar.

Disse ainda que o mesmo policial que atirou o deitou no chão e deu um tapa no seu rosto.

Segundo o relato do jovem, os policiais disseram ainda que seria morto caso não tivesse pai e mãe.

Segundo advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Direitos Humanos, a ação pode ser considerada uma execução, de acordo com o relato da criança no depoimento.

O principal é que não houve confronto no desfecho, no momento que o carro parou”, disse Ariel, que acompanhou o segundo depoimento.

Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira_e

De acordo com nota da SSP (Secretaria de Segurança Pública), a criança morta e a outra, de 11 anos, teriam furtado um carro dentro da garagem de um condomínio na região do Morumbi. Policiais perceberam a ação e saíram em perseguição ao veículo, um Daihatsu Terios.

Pela versão policial, o menino foi baleado em confronto após ter atirado três vezes contra os policiais com uma arma calibre 38. Os primeiros dois tiros foram dados com o veículo ainda em movimento, antes de o carro bater contra um ônibus e, depois, contra um caminhão que estava estacionado, até perder o controle.

Um terceiro tiro teria sido disparado pelo menor após as colisões.

Vídeos de câmeras de segurança mostram o carro parado, desgovernado, e um policial se aproximando do veículo e atirando.

O garoto sobrevivente prestou dois depoimentos à polícia. No primeiro, acompanhado apenas pela mãe, ele disse que o outro menino atirou duas vezes contra os policiais e que, depois da batida do carro, disparou novamente, pouco antes de ser baleado e morto.


Entenda o caso:


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