Covid-19

Vigilância Sanitária do Estado impede distribuição de “kit covid” e assunto causa polêmica

15/07/2020 - 17h35Por: Carla Félix/O Sollo

Em vídeo divulgado no Facebook, a médica Caroline Martins, falou sobre um episódio ocorrido recentemente em Teixeira de Freitas envolvendo a entrega de um “kit covid” na Igreja Batista Memorial.

Segundo a médica, “a iniciativa privada de Teixeira de Freitas, formada por alguns médicos, alguns empresários, instituições, nos mobilizamos para doar à população carente três medicamentos que estão sendo usados no combate da covid, a hidroxicloroquina, ivermectina e o zinco”.

Mas, de acordo ao relato que pode ser visto abaixo, a Vigilância Sanitária do Estado da Bahia esteve na igreja e “tentou ver irregularidades, mas não havia, pois estamos retendo receita, conforme recomendação da Anvisa, tem termo de consentimento assinado pelo paciente”, e prossegue:

Estávamos felizes, mas hoje fomos surpreendidos pela Vigilância do Estado, que autuou e recolheu todos os remédios que nós, da iniciativa privada, havíamos comprado na mão dessas farmácias de manipulação, com a ameaça de interdição, ou seja, se não entregassem, seriam fechadas.

Esclarecimento sobre doações de medicações para combate ao COVID 19! Ainda continuamos na Igreja Batista Memorial doando hidroxicloroquina.Nossa equipe continua no local!

Publicado por Caroline Martins Fernandes em Terça-feira, 14 de julho de 2020

Julio César

O pastor presidente da Igreja Batista Memorial, Julio César, também comentou o assunto. Ele classificou o impedimento como “algo difícil de compreender”.

Nossa igreja completa esta semana 20 anos de fundação e nestes 20 anos tem uma marca voltada para ação solidária, sempre de modo apartidário, sem envolvimento político, sempre prezamos pela autonomia das ações da igreja em prol do bem-estar da sociedade”, explicou o pastor.

Para o pastor, “estão querendo cercear uma ação que está sendo liderada por uma equipe médica competente, fruto de doações voluntárias de laboratórios e empresários que querem o bem da população, se não fosse por isso eu não estaria cedendo o espaço físico da igreja”.

E concluiu:

De modo arbitrário, estão querendo cercear algo que já é feito de modo protocolar em várias cidades do país e em muitas clínicas particulares também. Estou triste por uma ação que vai prejudicar o cidadão no fim das contas.

Fábio Vilas-Boas

O secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, criticou a distribuição do que vem sendo chamado de “kit covid” em diversos locais da Bahia, com medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina.

Fábio Vilas-Boas pontuou que não existe comprovação científica da eficácia desses medicamentos no combate ao coronavírus.

Primeiro, do ponto de vista técnico-científico, não existe qualquer comprovação de eficácia no que tange a hidroxicloroquina/cloroquina em associação ou não a azitromicina, existem evidências negativas, de que é maléfica, portanto, não deve ser prescrita. E do ponto de vista legal, a liberação destas medicações infringe uma RDC da Anvisa que obriga a dispensação mediante apresentação da receita médica, há uma portaria da Anvisa que exige a presença de um farmacêutico na unidade de saúde de dispensação. Além de recolher a receita que o médico tem que prescrever, tem que ter um farmacêutico registrado para carimbar e liberar”, disse Fábio.

Edição: Bell Kojima


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