Aglomerações podem levar Teixeira de Freitas a lockdown

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Desde o início da pandemia, a cidade de Teixeira de Freitas, tem travado uma luta para manter viva sua economia sem colocar em risco a vida das pessoas. Vários decretos foram editados e a medida que as regras de comportamento eram cumpridas, a flexibilização do comércio iria acontecendo.
A cidade sofreu com as medidas rígidas, mas necessárias para que a população e o comércio em geral entendesse a gravidade da situação e, também se preparassem para seguir os protocolos de saúde.
O funcionamento do comércio foi flexibilizado, inclusive bares e restaurantes, mas que todos sigam as regras de prevenção, principalmente evitar aglomerações que é o principal foco de contágio. Infelizmente alguns estabelecimentos (bares), não estão seguindo as regras e promovendo aglomerações de pessoas, e o que é pior, sem o uso de máscaras e muitas vezes ocupando parte da via pública e de calçadas.
Todo esse descumprimento provocado por alguns bares e pelos famosos churrascos de fim de semana, elevou o número de casos ativos que estava em queda e deu um salto para mais de 330, podendo chegar a 500 em poucos dias, o que seria grave. Diante de toda essa situação de crescimento do número de casos ativos, as autoridades jurídicas podem obrigar a prefeitura decretar um lockdown na cidade.
O prefeito, Temóteo Brito, não é muito adepto em fechar o comércio, mas infelizmente não depende única e exclusivamente do poder público, depende também dos cidadãos e empresários da cidade que precisam ajudar a coibir as aglomerações para evitarem o pior. Quem deu uma volta pelas principais avenidas de Teixeira de Freitas, sabe muito bem a respeito do tema que tratamos acima.
Salvador e Rio de Janeiro, já começaram a punir estabelecimentos que descumprem as regras de funcionamento, desobedecendo as orientações de distanciamento social, uso de máscaras e aglomerações. Infelizmente todos podem pagar por causa da irresponsabilidade de alguns.
Dentre elas, está o expediente máximo de 6 horas diárias com 40% da capacidade total, o uso de máscara e o fornecimento de álcool em gel é obrigatório para clientes e trabalhadores. Além disso, não é permitido atender grupos de mais de 6 pessoas e deve haver um espaçamento de 2 m entre as mesas.
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Aspectos que aumentam risco de contágio
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Se fosse feita uma escala para medir o risco de transmissão do novo coronavírus (covid-19) em diferentes lugares, a casa estaria posicionada na porcentagem nula e os estádios de futebol em 100%. Já bares e restaurantes ficariam num patamar entre 60% a 70%, sendo que a tendência é esse percentual subir.
Contudo, pode se afirmar que em todos os lugares a possibilidade de contágio depende de 3 aspectos básicos:
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número de pessoas presentes;
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tempo de permanência no local;
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existência ou ausência de ventilação.
“Num ambiente aberto, o risco é de baixo para médio, conforme o tempo que você fica ali e o distanciamento das pessoas”, pondera.
A especialista destaca que, de acordo com os protocolos do Ministério da Saúde e do governo de São Paulo para a reabertura da economia, a chance de infecção pelo vírus começa a aumentar após 15 minutos de permanência no estabelecimento.
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Gotículas suspensas no ar
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O infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, destacou que ainda não se sabe se o novo coronavírus pode ser transmitido por meio de aerossóis – pequenas partículas líquidas contaminadas que ficam suspensas no ar após serem expelidas durante a tosse ou espirro, por exemplo. Entretanto, a orientação é se prevenir.
“Se acredita que [os aerossóis] podem ficar de 30 minutos a 3 horas no ambiente. Por isso, coma, beba e vá embora”, recomendou.
Stucchi concorda com Gorinchteyn:
“Ainda não existe uma confirmação científica de que aerossóis são importantes na transmissão de pessoa para pessoa. Mas ela pode acontecer”, observa.
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Não compartilhe utensílios
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A infectologista é categórica ao afirmar que o risco de contaminação por meio de alimentos “é desprezível”. Por outro lado, ela chama a atenção para o perigo de compartilhar copos e talheres.
“O vírus se espalha por gotículas. Ele está ali na saliva e, enquanto estou com meu talher ou xícara, há uma quantidade de vírus que vai estar ali por um certo tempo. Em alguns [materiais] ele pode permanecer por mais de 12 horas”, observa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estudos mostram que o vírus da covid pode sobreviver por até 72 horas em plástico e aço inoxidável, menos de 4 horas em cobre e menos de 24 horas em papelão.
Na opinião de Stucchi, apesar da flexibilização adotada em diferentes municípios e regiões, a regra geral para conter a pandemia da covid deve continuar a mesma: ficar em casa. A médica enfatiza que o distanciamento social, o uso correto de máscara e a higienização das mãos são medidas essenciais de prevenção.
“Nesse momento em que cada gestor público estabelece regras diferentes para a reabertura e, muitas vezes, essas normas não são amparadas na ciência, cada um de nós é responsável por diminuir o número de casos e mortes”, conclui.
Correção e revisão: Bell Kojima/RC