Economia

Após cair mais de 10%, Bolsa entra em “circuit breaker”; dólar chega a R$ 4,79

09/03/2020 - 11h34Por: Bell Kojima

A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) entrou em circuit breaker, que é quando o Ibovespa, seu principal índice, cai abaixo de 10% e as negociações são interrompidas por 30 minutos para acalmar os operadores e evitar perdas adicionais aos investidores. Pouco depois das 10h30, o Ibovespa caiu a 10% e o mecanismo foi acionado.

O dólar comercial também opera em alta na manhã desta segunda-feira e chegou a ser negociado por R$ 4,792, mesmo após o Banco Central anunciar, antes da abertura dos negócios, que venderá US$ 3 bilhões no mercado à vista.

Por volta das 10h30, as ações da Petrobras ON caíam mais de 25%. Os papéis PN tinham queda de 24%.

Outras ações sofrem forte queda. Os papéis de BR Distribuidora, Gerdau e Eletrobras caem mais de 10%. As ações da Vale recuam mais de 7%. Os papéis da Via Varejo desabam mais de 20%.

Os mercados globais vivem mais um dia de nervosismo, após uma guerra de preços entre Arábia Saudita e Rússia ter derrubado a cotação do petróleo em até 30%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones, principal índice da Bolsa de Nova York, abriu em queda de 6,71%.

As Bolsas asiáticas fecharam em queda de mais de 5% e, na Europa, chegaram a recuar 8% nas negociações ao longo do dia.

Para tentar acalmar os mercados, o Fed, Federal Reserve, banco central americano, anunciou que vai elevar suas injeções diárias no mercado em US$ 50 bilhões para US$ 150 bilhões.

O dólar oscila com força na manhã desta segunda-feira, mas sempre em alta frente à cotação da última sexta-feira. Na mínima, chegou a ser negociado por R$ 4,7194 e, na máxima, por R$ 4,792. Por volta das 10h, era negociado a R$ 4,735, em alta de 2,19%.

No exterior, ações de empresas brasileiras como Vale e Petrobras operam em forte queda. A Bolsa brasileira abre suas negociações às 10h.

A venda de dólares no mercado à vista é uma estratégia diferente da que vinha sendo adotada até semana passada, quando o BC atuava no câmbio por meio de contratos de swap cambial, um instrumento financeiro que funciona como uma espécie de oferta de dólares no mercado futuro.

Na sexta-feira, o BC anunciou que faria um leilão de US$ 1 bilhão nesta segunda. Hoje, antes da abertura dos mercados, após o nervosismo global com a forte queda no preço do petróleo, a autoridade monetária informou que elevaria a oferta para US$ 3 bilhões. Desde 20 de dezembro do ano passado, o BC não atuava no mercado de dólar à vista.

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A “guerra de preços” no petróleo

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A disparada nos preços do petróleo ocorreu após uma reunião entre a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e a Rússia, outro gigante do setor, terminar sem acordo. O grupo vinha tentando costurar um acordo há semanas, pois a demanda por petróleo despencou com o menor apetite chinês. A China, afetada pelo coronavírus, é o maior importador global da matéria-prima.

Mas, em reunião no final de semana, a Rússia decidiu não cooperar com o grupo para reduzir a produção e, consequentemente, elevar os preços. Rússia e o cartel do petróleo mantinham uma cooperação desde 2016.

Em represália, a Arábia Saudita anunciou que cortaria seus preços em mais de 10% e que aumentaria a produção a partir de abril. Para os sauditas, um volume maior de produção permite manter a receita com o petróleo, mesmo com os preços mais baixos.

Edição: Bell Kojima


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