Economia

Pobreza recua, mas Brasil ainda é o 9º país mais desigual do mundo

13/11/2020 - 15h45

A porcentagem de brasileiros na linha da pobreza, que recebem menos de 5,5 dólares por dia caiu de 25,3% para 24,7% da população do Brasil, de 2018 para 2019, revelou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O órgão destacou que o índice de Gini do Brasil (medida de desigualdade comumente utilizado para medir a desigualdade de distribuição de renda) (0,543) caiu ligeiramente em relação a 2018 (0,545) e o país ocupa a nona posição entre as nações mais desiguais do mundo, de acordo com os critérios estabelecidos pelo Banco Mundial.

A parcela da população brasileira que vive em situação de extrema pobreza, ou seja, que ganha menos de 1,90 dólares por dia manteve-se em 6,5% no mesmo período. No entanto, o IBGE informou que a extrema pobreza no país cresceu 13,5% nos últimos oito anos, passando de 5,8% da população, em 2012, para 6,5%, em 2019.

Entre os que se declararam “brancos”, 3,4% eram extremamente pobres e 14,7% eram pobres, mas essas incidências mais que duplicava entre “pretos” e “pardos”.

Das pessoas que viviam abaixo da linha de pobreza no Brasil, segundo critérios do Banco Mundial, 70% eram de cor ‘preta’ ou ‘parda’, enquanto as pessoas que se declararam com essa característica representavam 56,3% da população total.

Os dados indicaram que a pobreza afetou ainda mais as mulheres “pretas” ou “pardas”, que somam 28,7% da população brasileira, mas eram 39,8% dos extremamente pobres e 38,1% dos pobres.

A pesquisa do IBGE também abordou outros temas como a situação no mercado de trabalho e as condições de moradia.

No maior país da América do Sul, “pretos” ou “pardos” tem maiores taxas de desemprego e trabalho sem contrato do que “brancos”, estão mais presentes nas faixas de pobreza e extrema pobreza e moram com maior frequência em domicílios com algum tipo de inadequação.

Um dos principais indicadores do mercado laboral, a taxa de desocupação foi, em 2019, de 9,3%, para ‘brancos’, e 13,6% para “pretos” ou “pardos”.

Entre as pessoas com trabalho informal, o percentual de “pretos” ou ‘pardos’ chegou a 47,4%, enquanto entre os trabalhadores “brancos” foi de 34,5%.

A desigualdade também aparece nos indicadores de moradia já que 45,2 milhões de pessoas no Brasil residiam em 14,2 milhões de domicílios com pelo menos um problema grave: ausência de banheiro de uso exclusivo, paredes externas com materiais não duráveis, adensamento excessivo de moradores, peso excessivo com pagamento de aluguel no orçamento das famílias e ausência de documento de propriedade.

Desta população, 13,5 milhões eram de cor ou raça branca e 31,3 milhões “pretos” ou “pardos”.

Não é possível elencar um único indicador como mais importante em termos de desigualdade. Percebemos uma desigualdade estrutural que ocorre ao longo dos anos da série em vários indicadores, e não apenas em 2019. Eu entendo que a análise conjunta das informações é que tem a sua força para mostrar a desigualdade“, conclui João Hallak, responsável pela pesquisa do IBGE.

Revisão: Bell Kojima/RC


Deixe seu comentário