Bahia

MPF recomenda que 31 municípios do centro-sul baiano regularizem transporte escolar

07/10/2018 - 12h51

O Ministério Público Federal (MPF) em Guanambi (BA) emitiu recomendações aos 31 municípios da sua área de abrangência (confira abaixo), no centro-sul baiano, para que regularizem as licitações, contratações e execuções do serviço de transporte escolar. Os documentos foram expedidos nesta sexta-feira, 5 de outubro.

   Cada prefeito tem 20 dias, a contar da data de recebimento, para se manifestar sobre o acatamento ou não da recomendação do MPF.

No documento, os procuradores da República, Adnilson Gonçalves da SilvaCarlos Vítor de Oliveira Pires apontaram a má aplicação de verbas do Programa Nacional de Transporte Escolar (Pnate) ou do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) relacionada à contratação e execução do serviço.

Dentre as irregularidades, pode-se destacar:

  • ausência de adequada pesquisa de preços;

  • escolha de critério de julgamento por preço global;

  • contratação de prestador de serviço sem capacidade operacional;

  • sobrepreço e superfaturamento de rotas;

  • subcontratação de praticamente todo o objeto;

  • utilização de veículos e motoristas em desconformidade com a legislação de trânsito.

Os prefeitos têm até 31 de janeiro do próximo ano para adotar uma série de medidas, a fim de regularizar a contratação, a fiscalização e o uso apropriado dos veículos de transporte escolar, anulando os contratos que não possam ser ajustados ao que foi proposto. O MPF recomendou, ainda, que cada prefeitura publique, mensalmente, nos portais de transparência, tabela resumida com indicação de todos os veículos, e cópia dos respectivos processos de pagamento dos serviços de transporte escolar.

   Além disso, deverão publicar e manter atualizadas as rotas de transporte escolar, com indicação dos pontos de saída e chegada, paradas e escolas abrangidas.

Ainda de acordo com os procuradores, estima-se que, caso as medidas recomendadas sejam adotadas, a economia anual para cada município será entre 200 mil e 1 milhão de reais; a empresa intermediária que não possui veículos ou motoristas próprios e, consequentemente, não oferece contrapartida ao Município, deixará de receber parcela significativa das verbas – entre 20 e 30%. Além disso, as mudanças poderão proporcionar melhorias na qualidade e segurança do serviço.

30 ANOS DA CONSTITUIÇÃO

Os procuradores explicam que a Constituição Federal/88 prevê a educação básica como direito público subjetivo do cidadão e dever do Poder Público, sendo essas recomendações uma medida para fazer cumprir os princípios constitucionais da probidade, eficiência, publicidade, legalidade e igualdade. Os documentos foram emitidos no dia do aniversário da promulgação da atual Constituição brasileira, que completa 30 anos.

O QUE ACONTECE AGORA? 

A recomendação é um instrumento de atuação extrajudicial do MPF, que busca evitar a judicialização e a consequente demora na solução de questões, tendo em vista os prazos e etapas previstos em lei até o julgamento definitivo de um processo. Agora o MPF aguardará o envio, pelas prefeituras, das respostas indicando o acatamento ou não das medidas.

   A partir daí, o procurador analisará as providências adotadas e poderá seguir acompanhando a situação por meio dos inquéritos civis públicos ou, se for o caso, mover ações requerendo judicialmente a regularização dos problemas apontados.

Municípios da área de abrangência do MPF em Guanambi:

  • Abaíra;

  • Botuporã;

  • Caculé;

  • Caetité;

  • Candiba;

  • Carinhanha;

  • Caturama;

  • Érico Cardoso;

  • Guanambi;

  • Ibiassucê;

  • Ibitiara;

  • Iuiú;

  • Jacaraci;

  • Jussiape;

  • Lagoa Real;

  • Licínio de Almeida;

  • Livramento de Nossa Senhora;

  • Malhada;

  • Matina;

  • Mortugaba;

  • Novo Horizonte;

  • Palmas de Monte Alto;

  • Paramirim;

  • Pindaí;

  • Rio de Contas;

  • Rio do Antônio;

  • Rio do Pires;

  • Santana;

  • Sebastião Laranjeiras;

  • Tanque Novo;

  • Urandi.

Confira a íntegra da recomendação.


Por Ascom MPF 

Edição Bell Kojima/Repórter Coragem

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