Marcha das Vadias promoverá em 14/7, na Uneb, reunião aberta à população
No dia 1º de agosto será realizada em Teixeira de Freitas/BA a Marcha das Vadias, cujo nome “é tradução do inglês ‘Slut Walk’, como foi nomeada a primeira manifestação, no Canadá, em 2011. O termo ‘slut’, ou, vadia, foi utilizado numa palestra feita por um policial na universidade de Toronto, no início de 2011, em que ele sugeriu às mulheres que deixassem de se vestir como vadias para que não fossem estupradas”. Assim, o evento mundial se iniciou em Toronto, no Canadá, em 2011, em protesto contra a fala deste policia, sendo que a organização da marcha em todo mundo deixa bem claro que “qualquer ação minimamente desviante dos padrões de comportamento impostos às mulheres as torna passíveis de serem rotuladas como ‘vadias’ – o que levaria ao direito de violentá-las. Mas o único culpado pela agressão é o agressor – não é a roupa, não é o comportamento da mulher”.
Aqui no Brasil os assuntos da pauta são inerentes à homofobia, machismo, aborto, e devido às últimas políticas também tem se levantado bandeiras contra o “bolsa estupro”, como ficou popularmente conhecido o Estatuto do Nascituro, que, dentre outras coisas, obriga a vítima de estupro a ter o filho e colocar o nome do estuprador como pai da criança na certidão de nascimento, além de oferecer um auxílio mensal para a estuprada e depois exigir pensão alimentícia do criminoso.
A fim de tornar público para a população teixeirense os assuntos referentes à marcha mundial em defesa das mulheres, os responsáveis pela organização da marcha em Teixeira de Freitas promoverão no próximo domingo, 14 de julho, às 9 horas, no auditório da Uneb/campus X, reunião aberta.
Confira pauta da reunião:
– Explicação sobre a origem da marcha e o porquê do nome;
– Dados e programas sobre as mulheres no município de Teixeira de Freitas;
– Dados sobre a marcha em Salvador;
– Assuntos da bandeira: machismo, racismo e homofobia;
– Debate a respeito da conscientização pelo fim da violência contra mulher.
– Abaixo-assinado contra o ‘bolsa-estupro’;
– O que ocorrer.
Segundo a idealizadora e uma das organizadoras do evento teixeirense, Petrina Moreira Nunes, professora e repórter na cidade, que há muito tempo atual na área de defesa aos direitos da mulher e respeito à identidade de gênero, o objetivo da reunião “é mostrar para a população quais são os princípios da marcha. E justificar o porquê desse nome que assusta tanto”.
A marcha vem sendo, principalmente, organizada por meio de uma página criada no Facebook , e, tendo em vista a importância do evento, causa estranheza a pouca adesão de pessoas ao grupo que já confirmou presença na marcha em 1º de agosto. Dentre as possíveis razões para essa postura da sociedade teixeirense, tem-se comentado que o nome é inibidor e o preconceito, por vezes, impede que as pessoas descortinem preconceitos e vejam além, percebendo a necessidade urgente de um evento como este no município, cujos índices de violência contra a mulher são altíssimos, conforme informações da Delegacia da Mulher, e observações de matérias veiculadas em diversos meios de comunicação sobre casos de abuso e violência doméstica.
Sobre o nome, Petrina, que tem ajuda de muitas pessoas que já abraçaram a causa na elaboração de todos os detalhes da marcha, conta ao Pauta Diária: “Fomos questionadas algumas vezes sobre o nome da marcha, já que a causa é tão nobre e, segundo nos disseram algumas pessoas, esse nome poderia impedir que algumas participassem da marcha. Porém, o nome nasceu dessa forma justamente para ironizar o pensamento machista de um policial que, em julgamento as meninas que eram estupradas em uma universidade do Canadá, segundo ele, a culpa era delas e de suas roupas curtas”.
Ela ainda relatou que o objetivo precípuo do evento é despertar mulheres e autoridades para o problema e provocar mudanças urgentes. “Queremos sim chamar a atenção da população, principalmente para as mulheres que sofrem algum tipo de violência que denunciem e procurem ajuda. Também queremos atentar as autoridade para a necessidade de agilizar a criação da secretaria da mulher em nosso município. Além disso, é objetivo arrecadar assinaturas para um abaixo-assinado contra o Estatuto do Nascituro, popularmente conhecido como ‘bolsa estupro’”, afirmou Petrina.
De acordo a idealizadora do evento, as meninas da Marcha de Salvador não poderão participar da reunião, mas, serão gravadas entrevistas com elas a fim de apresentar à população dados sobre a aceitação do evento do Estado, que, segundo Petrina, devido “ao preconceito influenciado pela visão erotizada que se tem das mulheres baianas, as deixas propícias para a exploração sexual, tráfico de pessoas e outros da mesma natureza”.
Clique e conheça as páginas da Marcha das Vadias no Facebook: http://www.facebook.com/events/157058544481316/?ref=ts&fref=ts
Por Carla Félix/Repórter Coragem