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Anatel tem participação direta no fim da internet ilimitada no Brasil

20/04/2016 - 10h00

Anatel

Quando anunciou que iria começar a bloquear a internet fixa após o fim da franquia de dados contratada pelos usuários, a Vivo afirmou que a medida era regulamentada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Desde que a polêmica foi instaurada, o órgão já se posicionou algumas vezes sobre o assunto e nem sempre suas posições foram claras.

O primeiro pronunciamento sobre o assunto deu-se ainda em 2014, quando a Anatel já previa o fim da internet ilimitada. A agência calculou que a oferta de dados, o volume de consumo e o aumento da rentabilidade do serviço não estavam caminhando de mãos dadas e que isso poderia culminar no fim dos planos de internet sem limites.

Voltando para 2016, a Anatel regulamentou a mudança dos planos da Vivo, medida que, de acordo com órgãos de defesa do consumidor, dá mais dinheiro para a operadora. Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, a Proteste, isso não poderia ter acontecido.

A Anatel não pode regular o serviço de internet no Brasil. Ela pode dizer que concorda, mas não pode ditar normas para a internet fixa”, explica Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da entidade.

Em entrevista ao site Convergência Digital, em fevereiro, o superintendente de competição da Anatel, Carlos Baigorri, afirmou que ainda não há nada de errado com a cobrança por franquia na internet fixa e que a adoção pode se tornar, até mesmo, algo benéfico ao consumidor.

Não existe ‘um único consumidor’. Então, para quem está abaixo da média e consome menos, o limite é melhor

Já no dia 18 de abril, a Anatel resolveu tomar uma medida que a princípio parecia que iria atender aos protestos dos consumidores. Em publicação no Diário Oficial da União, a agência criou uma norma que impedia temporariamente que as operadoras de serviços de banda larga fixa reduzissem, cortassem ou cobrassem tarifas excedentes de consumidores que estourassem a franquia de dados contratada.

Se quisessem fazer isso, as empresas teriam que informar os clientes de suas intenções após 90 dias da data da publicação da norma.

João Resende

A fagulha que acendeu uma esperança em quem ainda sonhava com a internet ilimitada no Brasil foi extinta após a declaração do presidente da organização, João Resende, no mesmo dia, que afirmou que não existe serviço com oferta ilimitada no Brasil.

É importante dizer que na energia elétrica existe consumo limitado, na água existe consumo limitado e isso vale também para a Internet“.

Se na segunda-feira o presidente da agência deu um sopro na esperança dos internautas brasileiros, o discurso de terça-feira foi um verdadeiro balde de água fria. Durante entrevista coletiva, Rezende culpou quem joga online pelo limite da internet fixa.

Tem gente que adora, fica jogando o tempo inteiro e isso gasta um volume de banda muito grande“, disse.

Além disso, o executivo também salientou que a limitação da internet leva em questão o equilibro de consumo entre os diversos tipos de usuários.

É evidente que algum tipo de equilíbrio há de se ter porque, senão, nós teremos o consumidor que consome menos pagando por aqueles que estão consumindo mais”, afirma.

Enquanto isso, vale lembrar que o Idec (Instituto de Defesa de Consumidor), já afirmou que a limitação das franquias não é a melhor saída para resolver o problema da intensidade de tráfego da rede e que, inclusive, existem estudos que provam isso.

Para o Procon, a ação limita o acesso à educação e à cidadania.


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