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Economista prevê crescimento acelerado no 1º tri e mais inflação

18/03/2013 - 11h40

Crescimento econômico acelerado no primeiro trimestre de um lado e mais inflação de outro. Esse foi o quadro que o Banco Itaú pintou ontem aos investidores estrangeiros e brasileiros que aproveitaram o encontro anual de governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Panamá para ouvir, em reunião fechada, o que o banco tinha a dizer sobre o país.

“Na minha opinião, o BC parece bem mais confortável com a retomada do crescimento econômico e menos confortável com a inflação”, disse logo depois a jornalistas o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn. O economista introduziu a apresentação do diretor de assuntos internacionais do BC, Luiz Awazu Pereira, na mesma reunião patrocinada pelo banco.

A projeção do Itaú é que a expansão da economia dobre no primeiro trimestre do ano em relação ao trimestre anterior, para 1,2%. O impacto mais positivo virá do agronegócio, com um forte crescimento de safra, para algo próximo de 25% no caso da soja. “Considero o quadro bem relevante em termos de confiança e ânimo”, disse Goldfajn.

Ao mesmo tempo, e na contramão do mercado que espera desaceleração da inflação em 2014, segundo o último Boletim Focus, o Itaú projeta alta de 5,7% do IPCA em 2013 e de 6% em 2014.

Segundo Goldfajn, as previsões levam em conta o impacto das desonerações no nível de preços de curto prazo. Mas, mesmo no curto prazo, a expectativa é que o IPCA alcance 6,6% já em março, o que poderia chegar a 6,7% sem o 0,10% de alívio esperado da desoneração.

Essa e outras desonerações esperadas, contudo, não devem ser suficientes para mudar a dinâmica de preços em prazos mais longos.

COPO CHEIO

Uma mudança mais consistente na dinâmica de preços, diz Goldfajn, exigiria atuar sobre componentes muito valiosos não só para o governo, mas para a sociedade como um todo, como o consumo, salários e mercado de trabalho, o que está fora de questão e deve fazer com que a inflação estacione em um nível mais alto.

“Não acho que vai se mexer a fundo nisso agora. Na minha previsão de longo prazo, teremos esse ajuste a partir de 2015, mas nada que venha a gerar uma grande recessão ou levar a inflação lá para baixo, mas estabilizá-la em 5,5%, 6%”, disse.

Comentando o que disse Awazu no encontro do Itaú –que o BC espera retomada de crescimento da economia aliada ao arrefecimento da inflação no segundo semestre–, Goldfajn disse que os argumentos que suportam uma queda da inflação na segunda metade do ano são verdadeiros, como preços de alimentos em baixa e aumento menor do salário mínimo.

“O problema é que há outros argumentos tão verdadeiros quanto. Como por exemplo, a inflação de serviços que deve continuar alta o mercado de trabalho apertado e os salários que continuam subindo”. Esses dois “mundos”, na visão do Itaú, exigirão quatro altas de 0,25 ponto na taxa Selic a partir de maio, para 8,25% em 2013, mantendo-se neste nível em 2014.

Quanto ao crescimento do PIB, embora espere um primeiro trimestre mais forte, o ritmo deve se arrefecer nos trimestres seguintes, fechando o ano em 3% e acelerando para 3,5% no ano que vem.

Se o quadro é muito ruim? “Dá para ver o copo cheio”, diz o economista. “Levei esses números e algumas pessoas `na reunião~ me disseram que eu estava otimista. O que há é uma visão dentro do Brasil que a gente quer mais”, disse.

Fonte: Folha de São Paulo


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