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Edelvânio Pinheiro em “Quem matou Carol?”

02/12/2012 - 12h27

Os anjos abrem reluzentes asas e Deus entrega à humanidade o privilégio de fazer escolhas. São decisões particulares que atravancarão nosso caminho por toda a vida e, a depender de nossas atitudes, serão como feixes de luz ou sombras frias e aterrorizantes.

Foi assim com Carol Pereira Costa de Souza, de 18 anos. O valor existencial quebrou-se em mil pedaços e a jovem se perdeu dolorosamente pelo caminho. Sem conseguir arrancar as plantas daninhas que nasceram em sua vida, ela embrenhou-se por florestas taciturnas e, a juventude que emanava por todos os seus poros, silenciou-se no dia 30 de novembro de 2012, numa demonstração clara de que nossas escolhas pulsam no mesmo compasso da nossa existência. Na luta voraz pela ânsia de viver, naquela noite fatídica, Carol ainda clamou por misericórdia, mas o que se ouviu foi uma pausa entre sua voz tremulante e os tiros certeiros.

Os tenebrosos laços de Hades – que na mitologia grega é o deus do mundo dos mortos e é temido por todos -, aparecem do submundo para corromper e matar muitos corações. Todos os dias o ciclo interminável dos alucinógenos escraviza aqueles que hasteiam a sua bandeira. Após isso a vida é sufocada por fantasmas reais, que tornam a essência humana medíocre, deixando de possuir a sensibilidade da misericórdia e do amor. Por essa e outras razões é importante saber mais sobre o mundo sombrio que naturalmente surge a partir das nossas más ações.

E muitas outras Carois, Joãos, Pedros e Marias irão tombar o corpo ainda florescente. Serão executados à bala porque irão descumprir alguma lei do reino do tráfico. Como não existe comércio sem demanda, milhares de pessoas são ludibriadas todos os dias pela falaciosa chama libertadora dos entorpecentes, que permitem uma sensação mórbida e passageira de fuga para dores físicas e psicológicas. Pobres almas, que culpadas ou não pelo desconfortante problema das drogas, perdem a vida como se fossem apenas marionetes nas mãos de quem mantêm o tráfico no país.

E, afinal, quem matou Carol? O assassino dela está por toda parte. Com cheiro de mistério e de morte ele ruge para acelerar seu império de escravos, os quais serão também premiados com a cessação da vida. A inexplicável escolha que Carol fez agora é irrelevante, pois o ardor da existência seguirá em sua maravilhosa ordem e renovação criteriosa, oferecendo sempre a opção dos caminhos.

A droga matou Carol com a impiedade de um carrasco frio e sanguinário. A jovem tentou esconder-se, desesperadamente, por entre árvores na escuridão, mas o fim foi inevitável e não há mais, agora, como juntar os pedaços da sua existência. E os cuidadosos anjos continuarão entregando a cada um de nós o milagre da escolha.

Edelvânio Pinheiro é jornalista e graduado em Letras Vernáculas


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