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Edelvânio Pinheiro “Nos EUA policiais são aplaudidos; aqui se conta os tiros para incriminar a PM”

26/05/2013 - 14h29
EDELVANIO PINHEIRO

Os Estados Unidos aplaudiram os policiais que participaram da caçada aos terroristas, responsáveis pelos ataques em Boston, no dia 15 de abril, que deixaram mais de 260 feridos – alguns com amputações -, e três mortos. E assim, diante dos sangrentos e imprevisíveis holofotes do terrorismo, os americanos, defensores de sua nação e orgulhosos de sua pátria, guerreiam contra o deus Ades, travestido de Allah.

Com um pronunciamento claro e direto o presidente da terra do Tio Sam, Barak Obama, veio a público e afirmou que todos os americanos possuem uma dívida de gratidão para com os policiais que mataram um dos terroristas e prenderam outro, numa caçada que durou cinco dias. O terrorista morto pela polícia, Tamerlan Tsarnaev, de 26 anos, de origem chechena, chegou ao hospital com uma parada cardiorrespiratória. Questionado, o médico e chefe do pronto-socorro Richard Wolfe, afirmou que era simplesmente impossível contar a quantidade de tiros que atingiu o suspeito.

Enquanto os americanos vibram com a morte de Tamerlan Tsarnaev e a polícia, muito bem aparelhada, permanece de prontidão para o combate, caçada e confronto a novos terroristas que se atiram com destreza para a morte, a polícia brasileira, munida apenas de arco e flecha, sob os atentos olhares apedrejantes da hipócrita sociedade brasileira, faz o seu trabalho enfrentando os terroristas do tráfico. Estes, munidos de desumanidade e fuzis israelenses e de outras origens, usam e matam pessoas, inclusive militares, com horripilante naturalidade.

Por aqui, no Brasil, país onde o que importa mesmo é o futebol, carnaval, funk e o festival de besteirol de Gustavo Lima e companhia limitada, muitas pessoas contam os tiros que atingem os bandidos e usam esses números em defesa dos malfeitores, para incriminar policiais que trabalham no combate à criminalidade, submetidos a um salário desestimulante, armamento insuficiente e, muitas das vezes, obsoleto.

Os aplausos americanos em razão do trabalho feito pela polícia no último atentado contra os Estados Unidos, moveu, por aqui, naturais reflexões acerca da falta de solidariedade que o Estado brasileiro tem para com a segurança pública. Entre os comentários e opiniões a jornalista do Sistema Brasileiro de Televisão, Rachel Shehrazade, fez o seu desabafo afirmando que os PMs que trabalhavam no dia do massacre do Carandiru e que foram condenados à pena de prisão, apenas cumpria ordens de superiores que, ironicamente, foram absolvidos ou nem chegaram a sentarem no banco dos réus, sobrando, então, para os buchas de canhão, como sabiamente descreveu a jornalista.

As arenas brasileira e americana estão fincadas no mesmo século, porém, em relação àquela nação colonizada pelos britânicos ainda perdemos para problemas primários como a desigualdade social e mazelas, das quais a nação americana tem pouca ou nenhuma familiaridade. Nos berços daquela educação aprende-se, desde cedo, a valorizar a polícia como o braço direito do Estado e da sociedade. Já nos braços que embalam a nossa nação se aprende que o Brasil é um país onde tudo pode. Por aqui ninguém teme absolutamente nada e a permissão faz parte dos aconchegos da lei. Dificilmente o cidadão se preocupa em questionar as leis que regem a sociedade brasileira e, então, a preguiça de pensar e a vontade de encontrar tudo pronto fabrica as marionetes, que são facilmente manuseadas por políticos corruptos.

Cada dia mais submissos e sugados pelo ciclo da ignorância, o brasileiro, eterno crente de falsas promessas viverá das curtas visitas dos políticos, da batida trivial do funk, das letras monossilábicas de Gustavo Lima e dos carros alegóricos, que no mês de fevereiro enfeitiça toda a nação.

A nação brasileira abriga Allah, que também anda por aqui em nome dos políticos defensores da corrupção e do tráfico deteriorador de mentes humanas. Mesmo numa época em que o crime está cada dia mais organizado e consequentemente a sociedade precisa de maior segurança, o povo brasileiro, paradoxalmente, condena a ação militar e absolve, no sentido amplo da palavra, os políticos bandidos que ficam com toda a verba que poderia ser destinada a melhorias da educação e da segurança pública.

Na incessante peleja do bem contra o mal, em apenas oito meses, somente na cidade de São Paulo, mais de 100 PMs foram executados. E, enquanto o exército brasileiro (partindo-se da ideia constitucional de que as polícias são reservas das Forças Armadas) está sendo abatido um a um, o Estado finge que nada acontece, a justiça dorme em berço esplêndido e a sociedade, inerte a todos os acontecimentos assisti de camarote a sua própria degradação.

A sociedade brasileira, que ainda vive no tempo primitivo do cabresto, sem muita percepção crítica e entusiasmada pelas banalidades e alegorias, continuará aplaudindo o bandido. Já a feliz nação americana, que não bajula a hipocrisia e a desonestidade, pensa e critica para não se tornar subserviente. E, sem muita alternativa, a polícia brasileira continuará sendo as buchas de canhão.


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