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‘Ela morreu só na mente dos outros…tenho ela viva ainda’, diz pai de grávida baleada pelo marido dois dias antes do parto na BA

08/03/2018 - 09h25

As horas de dor e angústia à busca da filha desaparecida às vésperas do parto ainda estão latentes na voz do comerciante Rubem Oliveira Mota, de 56 anos.

A esperança de encontrar a filha viva deu lugar à luta por justiça quando o corpo foi achado no dia 17 de dezembro de 2017. A jovem Daiane Reis Mota, de 25 anos, foi assassinada com um tiro na nuca pelo marido, Adilson Prado Lima Júnior. Ele ainda ajudou a família a procurar a vítima após o suposto sumiço.

O caso da jovem de Serrinha, cidade a 180 quilômetros de Salvador, é um dos 74 feminicídios registrados na Bahia em 2017, segundo dados da Ouvidoria Geral de Polícia da Secretaria de Segurança Pública do estado. As narrativas alegadas pelos acusados dos crimes, como o ciúme, se repetem e tentam esconder a principal motivação: a condição de ser mulher.

“Ela morreu só na mente dos outros porque eu tenho ela viva ainda”, diz o pai da jovem em entrevista exclusiva ao G1. O bebê que Daiane esperava, fruto do relacionamento com o acusado, iria nascer no dia 18 de dezembro de 2017, quando estava marcado o parto cesáreo da vítima. E, nesse mesmo dia, ela foi enterrada sob forte comoção. Os planos da jovem, segundo Rubem, eram os melhores.

“Daiane estudava em Feira de Santana. Fazia nutrição. E trabalhava durante o dia em uma farmácia. Ela sonhava em ser alguém na vida e dar tudo de melhor para os filhos dela”, lembra Rubem. A jovem deixou um filho, fruto de outro relacionamento, que está prestes a completar 3 anos e ainda não sabe o que aconteceu com a mãe.

“Nós estamos fazendo de tudo para que ele não fique sabendo o que aconteceu. Ele está com a gente e estamos lutando pela guarda dele. Ele sempre foi criado pela mãe e por nós. Esperamos que a Justiça olhe por nós também nesse caso porque fazemos de tudo por ele”, conta Rubem, que é casado com a mãe de Daiane, Maria das Graças Silva Reis, há cerca de 25 anos.

A família convive com a dor da perda e a busca por Justiça. “Com certeza a gente vai vencer. Dependemos muito da justiça de Deus e depois a justiça da terra, que com certeza essa não vai falhar também não”, acredita o comerciante.

“O sentimento de dor não passa nunca. Mas nós temos que ter força, fé em Deus”

O que diz a família:

Rubem Mota acredita que Adilson Prado Lima Júnior já se preparava para cometer o crime. O motivo alegado pelo acusado à polícia foi o ciúme após ele ter lido mensagens de whatsapp da vítima. “Não teve nada de traição. A conversa que ele desconfiou era uma conversa normal com o patrão dela. Até o delegado disse que não tinha nada que justificasse esse ciúme”.

A hipótese de premeditação do assassinato levantada por Rubem é devido ao celular de Daiane ter desaparecido quando a família ainda procurava por ela. “Meu filho e uma amiga dela tentaram localizar o celular dela para rastrear. O celular indicou a casa dela e ele tirou de tempo. O crime foi premeditado. Ele já vinha arquitetando isso há muito tempo”, conta o comerciante.

“O comportamento deles, na presença da gente era uma coisa, depois que a gente ficou sabendo de brigas. Ele se mostrava ser uma pessoa boa. Ele enganou a gente”

O caso é acompanhado de perto pela família da vítima. “Estamos acompanhando com a melhor criminalista da cidade e com certeza esse crime não vai ficar impune”, afirma Rubem Mota.

“O que eu desejo é que ele pague caro pelo que fez à minha filha. Ela já está pagando onde está”

Para ele, o caso de Daiane, assim como tantos outros casos devem ter repercussão na sociedade e, principalmente, atenção redobrada da Justiça. “Aconteceu comigo e está acontecendo com muita gente. Por isso que eu digo que a justiça tem que tomar conta disso. Nós fizemos uma caminhada para chamar atenção para a morte de mulheres”.

“Se todo mundo se preocupasse com isso, talvez as coisas não aconteçam do jeito que vêm acontecendo”


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