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Penélope Belitardo foi diagnosticada com depressão e ansiedade e buscou atendimento fora da rede pública municipal e estadual, por não confiar

A primeira-dama de Teixeira de Freitas, Penélope Belitardo, que completa aniversário neste domingo, 25 de janeiro, demonstrou que, assim como qualquer outra pessoa, está sujeita a enfrentar dificuldades, inclusive relacionadas à saúde física e emocional.
Por volta das 3h da manhã do sábado, 24 de janeiro, Penélope Belitardo, primeira-dama e pré-candidata a deputada estadual, passou mal após tomar conhecimento de uma suposta traição do marido, o prefeito Marcelo Belitardo. Diante da situação, apresentou uma crise de ansiedade associada a um quadro depressivo.
Imediatamente após o mal-estar, Penélope, que reside no condomínio de alto padrão Terras da Bahia, localizado na saída de Teixeira de Freitas para Medeiros Neto, solicitou socorro médico e foi prontamente encaminhada para atendimento no Hospital particular Sobrasa.
Chama atenção o fato de que, no trajeto até o Hospital Sobrasa, existem outras unidades de saúde que poderiam prestar atendimento de emergência, como o Hospital Sagrada Família e a UPA 24 horas, ambos geridos pelo município administrado por seu marido. Além disso, há também o Hospital Costa das Baleias, referência estadual na região.
A escolha por um hospital particular foi interpretada como um gesto de descrédito em relação à rede pública municipal e estadual de saúde, evidenciando uma falta de confiança nos serviços oferecidos pelo próprio município.
No Hospital Sobrasa, Penélope Belitardo foi diagnosticada com crise de ansiedade e quadro depressivo. Mesmo com o diagnóstico confirmado, a primeira-dama e sua equipe optaram por realizar exames mais detalhados na cidade de São Mateus (ES), onde o diagnóstico foi novamente confirmado.
Após os exames, Penélope retornou a Teixeira de Freitas, onde foi recepcionada por um grupo restrito de pessoas, escolhidas previamente, para lhe desejar feliz aniversário. O prefeito Marcelo Belitardo, que também é médico, assumiu a responsabilidade e assinou pessoalmente a alta hospitalar da esposa.
Diferentemente do que se poderia imaginar, o transporte da paciente não foi realizado pelo SAMU — Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do município. O serviço foi contratado junto à empresa particular Gama, com acompanhamento de uma enfermeira de confiança da família, identificada como Gerliane, que atua tanto na rede municipal de saúde quanto na empresa privada.
Todo o procedimento foi custeado pelo plano de saúde Unimed. Ressalte-se ainda que, além do Hospital Sagrada Família e da UPA, o Hospital Municipal de Teixeira de Freitas (HMTF), também gerido pelo município, estava no trajeto e igualmente foi preterido.
O episódio deixa claro o recado transmitido pela primeira-dama: a falta de confiança na saúde pública municipal, nos profissionais e na estrutura oferecida pela gestão do próprio marido.
Diante disso, surge um questionamento legítimo: uma pessoa diagnosticada com depressão e ansiedade está, de fato, em condições emocionais e psicológicas de disputar e exercer um mandato como deputada estadual, representando o Extremo Sul da Bahia?
É importante destacar que depressão e ansiedade são doenças sérias, reconhecidas pela medicina, que exigem acompanhamento psicológico, psiquiátrico, tratamento contínuo, uso adequado de medicação quando indicado e, sobretudo, redução de estresse e exposição a pressões emocionais.
Uma campanha eleitoral impõe desgaste físico, emocional e psicológico intenso, com viagens constantes, cobranças públicas, exposição nas redes sociais e enfrentamento político diário — fatores que podem agravar quadros de ansiedade e depressão.
Neste momento, a prioridade deveria ser o cuidado com a saúde, e não o enfrentamento de uma disputa política. Saúde mental não é fraqueza, é condição básica para qualquer pessoa, especialmente para quem pretende ocupar um cargo público de tamanha responsabilidade.
Cuidar da saúde deve vir antes da campanha.
Por Jotta Mendes
Repórter Coragem