Rejeição em alta na Bahia leva Lula a avaliar troca de Jerônimo por Rui Costa na disputa pelo governo

Fontes muito próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelaram à nossa reportagem que, em pelo menos duas reuniões com o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, Lula demonstrou profunda preocupação com o desempenho eleitoral do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), diante das eleições estaduais de 2026.
Segundo esses interlocutores, o presidente teria orientado Rui a ponderar a possibilidade de disputar o governo estadual em vez de concorrer ao Senado, caso a rejeição de Jerônimo se mantenha em níveis elevados. Para Lula, a Bahia é um estado estratégico para seus planos de reeleição e precisa estar alinhado com as expectativas do eleitorado petista.
A mais recente pesquisa de intenção de votos realizada pelo Instituto Real Time Big Data nos dias 24 e 25 de novembro de 2025, com 1.200 eleitores entrevistados e margem de erro de três pontos percentuais, mostra um quadro delicado para o governador Jerônimo. No cenário estimulado para o governo da Bahia, o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto lidera com 44% das intenções de voto, enquanto Jerônimo Rodrigues aparece com 35%. Outros nomes, como José Carlos Aleluia (Novo) e Kleber Rosa (PSOL), registram percentuais menores, e brancos, nulos ou indecisos somam cerca de 16%.
Além disso, o levantamento identificou que Jerônimo lidera a lista de rejeição no estado, indicando que uma parcela significativa do eleitorado afirma que não votaria nele de jeito nenhum, um fator que tem preocupado estrategistas da campanha petista.
Os números de avaliação da gestão estadual também apontam desgaste: 51% dos baianos desaprovam o governo de Jerônimo Rodrigues, contra 48% que aprovam, um indicador que sinaliza insatisfação entre os eleitores.
Especialistas em segurança pública destacam que a Bahia lida com índices elevados de violência em relação à média nacional. Segundo dados do Atlas da Violência 2025, a Bahia apresentou uma das maiores taxas de homicídios intencionais do país em 2023, com cerca de 46,5 mortes por 100 mil habitantes, acima da média brasileira, colocando o estado entre os mais violentos.
Essa percepção de insegurança é reforçada por relatórios de organizações internacionais e nacionais que apontam a persistência de altos índices de mortes violentas e tensões nas políticas de segurança pública no estado, um dos temas mais sensíveis para a população.
Além dos desafios eleitorais e de segurança, membros do governo de Jerônimo Rodrigues enfrentam acusações de irregularidades administrativas e suspeitas de desvio de recursos públicos em contratos e licitações, segundo relatos de fontes políticas e denúncias que circulam em meios de comunicação e tribunais de contas. Para grande parte da sociedade baiana, casos de corrupção e má gestão de recursos públicos corroem a confiança do eleitorado e ampliam o descontentamento com a atual administração.
A população enxerga a corrupção como um verdadeiro câncer social, que corrói instituições, compromete serviços essenciais e mina a confiança na política. Trata-se de um mal que precisa ser combatido de forma permanente e extirpado do meio público, sob pena de aprofundar desigualdades, enfraquecer a democracia e perpetuar um ciclo de descrédito entre governantes e governados. Para a sociedade, o desvio de recursos públicos não é apenas um crime administrativo, mas uma agressão direta a áreas sensíveis como saúde, educação e segurança, cujos prejuízos recaem principalmente sobre os mais vulneráveis
Nas recentes festividades da Lavagem do Bonfim, em Salvador, o governador Jerônimo Rodrigues foi alvo de vaias por parte do público presente, um episódio que ganhou repercussão na mídia e nas redes sociais, reforçando a imagem de um político em dificuldade para reconquistar a simpatia popular.
Aliados históricos do PT e prefeitos que foram incorporados à base governista após a eleição vêm manifestando insatisfação com a administração estadual, apontando que promessas de campanha não têm sido cumpridas e que há dificuldades até mesmo para viabilizar repasses e execução de obras em municípios do interior. Essa percepção de descumprimento de compromissos tem gerado tensões internas e críticas à gestão de Jerônimo.
Diante desse quadro, segundo nossas fontes governistas, Lula teria sinalizado a Rui Costa que considere seriamente a possibilidade de ter o ministro como candidato ao cargo de governador, caso a tendência de rejeição e avaliação negativa de Jerônimo persista. Para o presidente, manter o controle político da Bahia é essencial não apenas para as eleições estaduais, mas para fortalecer a pré-candidatura petista à reeleição em 2026, em um cenário nacional que se aproxima de polarizações cada vez mais intensas.
A articulação política na Bahia segue em intensa movimentação, com aliados de diversas correntes avaliando cenários alternativos e buscando construir convergências que possam assegurar competitividade e estabilidade à base governista nos próximos meses.