Destaque

Resenha: Zarfeg escreve sobre livro de Cássia Oz, poeta itanheense

13/09/2018 - 08h43

O poeta e jornalista Almir Zarfeg escreve, nesta oportunidade, sobre o livro de poemas de estreia de Cássia Oz: “Via Vida”.

A título de curiosidade, tanto Zarfeg quanto Oz são itanheenses da gema e, também, membros efetivos da Academia Teixeirense de Letras (ATL)

Segue a resenha zarfeguiana em primeira mão:

“VIA VIDA”, MAS PODERIA SER “VIVA A VIDA”

Finalmente, Cássia Oz conseguiu publicar seu primeiro livro de poemas – “Via Vida” sai pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, do RJ. Trata-se de um projeto gráfico muito aquém da boa-nova que representa essa estreia poética, mas que, por outro lado, não dava mais para adiar.

Cássia Oz forma com Cynara Novaes as duas maiores expressões poéticas femininas de Teixeira de Freitas e região.

Ambas cultivam o verso livre e se expressam de maneira confessional e com absoluta originalidade. Mas, enquanto Cynara foca a sutileza das coisas, extraindo delas uma poesia leve e intimista, Cássia se volta para si, poetizando a dor do ser, com resultado existencial bem impactante.

Neste momento, me ocorrem duas imagens que ajudam a entender as poéticas em questão: a poesia de Cynara está para o sorriso contagiante e, por vezes, enigmático; a de Cássia, para o grito triste e, quase sempre, perturbador.

Em essência, elas tratam do mesmo tema, mas cada uma o faz à sua maneira – impressão versus expressão –, com os instrumentos estético-expressivos de que dispõe o talento de cada uma delas. E chega de comparações.

Uma frase cara a Cássia Oz com consequências éticas e estéticas – “Viver é estar posto diante de fronteiras” – remete a Batinga, no município de Itanhém, divisa da Bahia com Minas, onde a poeta nasceu no verão de 1970. O rio Umburana separa os dois estados. Eu, que também vivencio essa dualidade de ser e estar, tratei da questão no poema “Baianeiroway”: “Por que eu subia e descia o mesmo rio, / Afora, nesta água que me inunda agora?”

Pois bem, o mérito de Cássia Oz reside no esforço enorme e, por vezes, singelo de responder às demandas da existência: estar permanentemente diante de fronteiras físicas e/ou existenciais, tendo que fazer escolhas e, atenção, escolher sem fugir à luta ou da luta. Lutar com palavras ou situações, como lembrou Drummond, é condição “sine qua non” apresentada – imposta mesmo – aos poetas dignos desse nome.

Essa dor de existir diante do mundo vasto mundo, portanto, inspira a confreira Cássia Oz a responder poeticamente com um grito doloroso e belo. Para tanto, ela se apossa da linguagem sem malabarismo e se expressa sem grandiloquência desnecessária. Ela apenas dá o seu recado com eficiência.

Porque – volto a repetir – os motivos e motrizes dessa eficiência poética são intrínsecos à poeta que os trabalha com habilidade diferencial. Em vez de priorizar o intimismo, o que não seria pouca coisa (vide Cynara), Cássia impacta o leitor com um texto expressionista e perturbador, pintando o real com as cores da sua sensibilidade.

A vidinha de quem experimentar isso com grandeza nunca mais será a mesma. Viva a Vida!

Créditos: Água Preta News


Deixe seu comentário