120 dias depois, imprensa se cala, polícia não fala e caso Gel Lopes cai no esquecimento

O fatídico 27 de fevereiro de 2014 aos poucos vai caindo no esquecimento. Este foi o dia em que o radialista, jornalista e ex-vereador de Teixeira de Freitas Jeolino Lopes Xavier, o “Gel Lopes”, de 44 anos, foi executado a sangue frio em via pública, dentro do seu veículo de trabalho, um carro plotado de sua empresa, o Portaln3, um site de notícias que foca seu trabalho na linha política.

Desde o crime, por volta das 21 horas daquele dia, até o presente momento, se passaram 120 dias, ou seja, quatro meses, e não há sequer indícios de que o caso possa ser esclarecido, levando a crer que o homicídio entrará para o rol dos crimes sem solução.
No dia seguinte ao crime, o delegado-coordenador da 8ª Coorpin, Marcus Vinícius, chegou a conversar com membros da imprensa e dizer que o caso estava 80% esclarecido, o que deixava a entender que a qualquer momento o assassinato seria elucidado, porém, se passaram 120 dias e até hoje não há nem indícios de que o crime venha a ser esclarecido e os responsáveis punidos.
No dia 30 de abril, 63 dias após o faro, o delegado Marcus Vinícius falou pela primeira vez sobre o crime. Na época, não trouxe à baila qualquer novidade sobre o caso, apenas descartou o tráfico de drogas e crime passional como possíveis motivações para o crime.
Apenas alegou que as investigações continuavam e que seria uma questão de tempo o esclarecimento, entretanto, o tempo passa e até agora nada voltou a ser dito pelo delegado e as investigações estão praticamente paradas.
Silêncio da Imprensa
Uma coisa que vem incomodando a sociedade é o silêncio da própria imprensa com relação à cobrança para o esclarecimento do homicídio de Gel Lopes. Nos dias que sucederam ao crime diversos sites, jornais e rádios da região ainda fizeram cobrança pelo esclarecimento, em seguida todos se silenciaram e hoje quem toca no assunto Gel Lopes chega a ser repelido pelos colegas de profissão, como se pedir esclarecimento fosse cometer um outro crime.
27 de junho é justamente aniversário de Jóris Bento Xavier, o filho mais velho da vítima, que mais do que ninguém quer ver o assassinato do pai esclarecido. Esclarecer este crime agora seria um presente de aniversário para Jóris, que sofreu um choque muito grande com a perda do pai, com quem teria cursado a faculdade de jornalismo e juntos tocavam o Portaln3.
O que há de mistérios neste crime que nem mesmo as organizações ligadas à imprensa cobram providências?
O que há por trás da morte de Gel Lopes que os próprios colegas da imprensa local não querem tocar no assunto?
Descartadas as possibilidades de crime passional e tráfico de drogas, qual seria então a motivação para o assassinato de Gel Lopes?
Gel Lopes foi vereador de Teixeira de Freitas no período 2005/2008, sendo em todas as eleições o mais votado no distrito de Santo Antônio, local onde sempre morou. Nas eleições de 2012 Gel Lopes teve mais votos que uma boa parte dos vereadores eleitos, chegando a ser anunciado como eleito, mas, na soma das sobras de votos acabou ficando fora da Câmara atual, porém, nenhum dos vereadores atuais liderou qualquer cobrança pelo esclarecimento da morte dele, ou mesmo fez qualquer cobrança ao delegado em prol do esclarecimento do crime. Apenas o vereador Ronaldo Baitakão, presidente da Câmara, encaminhou um oficio ao secretário de Segurança Pública Maurício Teles Barbosa pedindo providências no caso.
120 dias se passaram; quantos dias mais se passarão sem qualquer providência no caso Gel Lopes?
Por Jotta Mendes/Repórter Coragem