15 dias após o crime Polícia Civil intensifica investigações sobre o caso Gel Lopes

Completa hoje (13/03), os primeiros 15 dias do assassinato do radialista e jornalista Jeolino Xavier Lopes, o “Gel Lopes”, 44 anos. De acordo com o delegado-chefe da 8ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil de Teixeira de Freitas, delegado Marcus Vinicius, o trabalho tem sido ininterrupto na apuração do crime e garante que o ocorrido tem muita complexidade, por isso qualquer adiantamento sobre linhas de investigações é precipitada e causa prejuízo as investigações.
“O objetivo é esclarecer o crime e chegar aos criminosos ou aos possíveis mandantes. A prioridade é elucidar a morte do jornalista e não divulgar informações não conclusas, porque, caso isso aconteça, elas poderão literalmente prejudicar o trabalho da polícia judiciária”. O delegado coordenador Marcus Vinicius garante que a Polícia Civil tem ouvido muitas pessoas e todas as pistas têm sido essenciais para as investigações. Confirmou que muitas diligências têm sido cumpridas e outras serão realizadas esta semana, que versões já foram modificadas e linhas de apurações têm sido descobertas, inclusive com produção de resultados que poderão levar a Polícia Civil ao esclarecimento do crime, talvez num mais curto prazo de tempo possível.
Mas, nenhuma informação adicional ou parcial deverá ser fornecida para não embaraçar os trabalhos que poderão dá uma resposta satisfatória a sociedade. O delegado Marcus Vinicius não confirma uma informação levantada pelo radialista Jotta Mendes, editor do site Repórter Coragem, dando conta que a vítima possuía um dossiê sobre negócios suspeitos e teria tido um desentendimento com o envolvido que seria oriundo da cidade de Camaçari e que teria negócios públicos em Teixeira de Freitas e, indicando uma possível participação de prestadores de serviços do município na autoria do crime.
A Polícia Civil não confirma esta linha de investigação e nem admite sobre a existência de tal materialidade. Na semana anterior, o prefeito de Teixeira de Freitas, João Bosco Bittencourt (PT), se reuniu com o delegado do caso e pediu total imparcialidade na apuração do assassinato do jornalista, que considerou impiedoso e repugnante, contudo, advertiu a importância de se ter um papel extremamente responsável neste momento ao divulgar os fatos no calor da eclosão e terminar prejudicando o andamento dos trabalhos, podendo punir inocentes e ingenuamente favorecer os culpados.
Por sinal, no último dia 27 de fevereiro, o prefeito ingressou na justiça com um procedimento ordinário por uma ação de tutela antecipada sobre o direito do uso indevido do seu nome e da sua imagem que pedia a proibição do repórter Jotta Mendes em publicar ações públicas e suposições sobre o gestor (consideradas caluniosas), mas o pedido da tutela específica foi negado nesta última terça-feira (11/03), pelo juiz Marcus Aurélius Sampaio, titular da 1ª Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais, da comarca de Teixeira de Freitas, dando a chance ao repórter de apresentar suas alegações sobre o seu papel no exercício da profissão.
O magistrado decidiu que não se proíbe aquilo que ainda não existe e proibição configura amordaça a livre liberdade de imprensa e, entendeu que o radialista ou jornalista tem independência pública para divulgar, apurar ou investigar os fatos conforme a sua convicção. Por sinal, investigar é um dos princípios constitucionais garantido ao repórter, com liberdade plena e responsabilidades e, somente o juiz de direito, quando provocado, pode dizer se o repórter está errado ou não ao publicar resultados da sua apuração ou investigação.
Por Athylla Borborema/TN