Após reunião com PF e Estado, produtores rurais suspendem protestos; governo tem 10 dias para apresentar plano contra invasões

Prado: Os produtores rurais, comerciantes e moradores do Extremo Sul da Bahia decidiram suspender temporariamente os bloqueios na BR-101, após uma reunião realizada na tarde desta quarta-feira (25) com representantes da Polícia Federal e do Governo do Estado da Bahia. O encontro, que contou com a participação das vítimas das invasões de terra, estabeleceu um cronograma de medidas para conter a escalada de violência na região.
De acordo com a nota divulgada pelos manifestantes, ficou acordado:

1. Policiamento permanente imediato: O Governo do Estado se comprometeu a implantar, ainda nesta quarta-feira (25/02), policiamento contínuo na região do conflito, especialmente nas localidades de Corumbau e Cumuruxatiba, com o objetivo de evitar novas invasões e garantir a segurança de produtores, comerciantes, trabalhadores rurais e moradores.
2. Plano de ação em até 10 dias: As autoridades apresentarão, no prazo máximo de dez dias, um plano de ação contendo medidas concretas para conter a crise e restabelecer a ordem nas áreas invadidas.
3. Reunião com o CNJ: Está prevista para o período entre 23 e 27 de março uma reunião com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para buscar avanços nas reintegrações de posse das áreas ocupadas ilegalmente.

O recado dos manifestantes
Na nota, os produtores rurais, comerciantes e moradores locais reforçaram seu compromisso com a legalidade e a ordem, mas alertaram que permanecerão “atentos e vigilantes” quanto ao cumprimento integral dos acordos firmados, “a fim de evitar uma nova escalada de tensões e violência na região”.
O grupo também pediu desculpas à população que foi prejudicada pelos bloqueios, justificando que a medida foi “a única alternativa encontrada para chamar a atenção das autoridades para um problema grave, que não afeta apenas a Bahia, mas o Brasil”.
Convivência pacífica e a suspeita de interferência externa
Em um trecho que chama atenção, os manifestantes reafirmaram que “sempre houve convivência harmônica e pacífica com a comunidade indígena” e que “grupos de interesse externos e o crime organizado têm patrocinado a discórdia entre irmãos brasileiros que constituem um só povo”. A declaração reflete a percepção local de que o conflito atual vai além da disputa fundiária tradicional, envolvendo interesses alheios às comunidades historicamente estabelecidas na região — uma situação que, segundo eles, “infelizmente já resultou na perda de vidas inocentes”.

A suspensão dos protestos representa uma trégua momentânea em meio a semanas de tensão, que incluíram invasões armadas de propriedades, moradores vivendo sob terror, bloqueios na principal rodovia da região e até mesmo turistas baleadas. Agora, os olhos se voltam para o cumprimento das promessas feitas pelo poder público, em um cenário onde a confiança entre as partes ainda é frágil e a paz, um objetivo a ser construído dia após dia.
Por: Liberdadenews/Ascom