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Comerciante é suspeito de queimar barco de luxo em Nova Viçosa

22/04/2015 - 19h35
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Um comerciante da cidade de Nova Viçosa está sendo acusado de cometer um sinistro criminoso ao incendiar uma embarcação de luxo avaliado em R$ 400 mil e colocar em risco a vida da população portuária da cidade. A Polícia Civil que investiga o fato “inédito” na costa baiana com base no Inquérito Policial nº 035/2015 que foi originado pelo Boletim de Ocorrência nº 00272-2015, apura um incêndio criminoso contra o Barco Joana, de número de Inscrição 29300575-4, de 12,60 metros de cumprimento, espécie lancha Cabinada, cor branca, categoria particular, avaliado em R$ 400.000,00, registrado em nome da empresa Cerâmica Itabatan Ltda.

O sinistro ocorreu por volta das 21h30 de terça-feira do último dia 31 de março de 2015, quando o barco se encontrava ancorado no Porto do rio Peruípe, da Avenida Petrobrás, na cidade de Nova Viçosa. O laudo pericial do Departamento de Polícia Técnica de Teixeira de Freitas, divulgado para a Polícia Civil de Nova Viçosa na manhã desta quarta-feira (22), evidencia que o incêndio tenha sido criminoso por ter sido possível coletar no que sobrou da embarcação, resquícios de carvão e óleo diesel.

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O caseiro Zildo Jovita do Nascimento, o “Zilto”, 53 anos, vizinho do porto onde o barco estava ancorado, foi à primeira pessoa a ver a embarcação pegando fogo de rio à cima. No momento do sinistro a maré estava enchendo, por isso, o barco foi levado de rio a cima. Segundo ele, descobriu o incêndio pelo anuncio dos cachorros que começaram a latir e, ao sair pelo lado de fora, avistou o Iate pegando fogo com as chamas altas em meio ao rio da frente da sua casa. Embora não tenha visto nenhum suspeito por perto, a sua primeira providência foi correr na casa do piloto do barco que mora a 600 metros do local e lhe avisar sobre o episódio.

Ao chegar ao porto, conta o marinheiro Adilson da Silva Figueiredo, 44 anos, que trabalhava há 2 anos como comandante da embarcação, desde a sua compra pelo proprietário -, sua primeira atitude foi entrar numa outra embarcação para tentar salvar o Barco Joana, mas os populares que já eram muitos naquele momento, impediram que ele fosse para o alto do rio tentar salvar o Iate, aconselhado pelo risco da embarcação explodir, já que seus tanques estavam cheios de combustível.

O comandante da embarcação informou que ao comunicar o fato ao proprietário do barco, o empresário Antoni de Navarro Soeiro, diretor-presidente da Indústria Cerâmica Itabatan Ltda., situada no distrito de Itabatã, município de Mucuri, ele teria lhe recomendado manter a calma e que apenas comunicasse a polícia e, que no dia seguinte ele próprio procuraria as autoridades policiais pessoalmente.

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O fato inédito na costa do descobrimento do Brasil, deixaram portuários e pescadores da Colônia Z-29 de Nova Viçosa preocupados com o sinistro nunca antes registrado em nenhum dos seus dois portos. As autoridades navais da Delegacia Marinha da Capitania dos Portos em Porto Seguro também demonstraram preocupação com a ocorrência. A cidade de Nova Viçosa possui dois portos marítimos: o Porto do Mercado de Peixe e o Porto da Petrobrás, este último onde ocorreu o incêndio no Barco Joana.

O comandante da 89ª Companhia Independente da Polícia Militar nos municípios de Mucuri e Nova Viçosa, capitão Silvio de Cerqueira Nunes, disse que quando o fato ocorreu, ele ainda não comandava a PM na circunscrição, mas ressaltou que o episódio fatídico é um crime com agravante contra a vida e o patrimônio portuário, tanto que a trama criminosa expôs a perigo a vida, a integridade física e o patrimônio de outrem, podendo ter causado a morte de pessoas inocentes que por ventura estivessem repousando em outros barcos, tendo em vista que durante o incêndio a corda de atracamento do Iate se rompeu e a nau em chamas passou a vagar pelo leito do rio sob o risco de ter encostado em outras embarcações e causado uma tragédia ainda maior e, repudiou o ato.

O presidente do inquérito policial, delegado Samuel Martins Neto, titular da Polícia Civil de Nova Viçosa, apurou que o comerciante do ramo de lojas de materiais de construção Nilo Junior da Rocha, o “Barrão”, 40 anos, é o principal acusado de ter planejado e executado a destruição contra o barco do empresário do ramo industrial de cerâmica Antoni de Navarro Soeiro, 63 anos. A pessoa de “Barrão” teria cometido o sinistro em vingança ao empresário que havia lhe denunciado para a Secretaria da Fazenda da Bahia e de Minas Gerais, por causa do transporte de lajotas da cidade de Governador Valadares para Nova Viçosa, cuja prática estaria praticando concorrência desleal no mercado regional, uma vez que o dono do Barco é proprietário de cerâmica em Itabatã.

O empresário Antoni de Navarro Soeiro confirmou a Polícia Civil que ele foi realmente o responsável pelas denuncias dando conta que o comerciante “Barrão” estava transportando lajotas sem nota fiscal e a denuncia acabou lhe penalizando, porque teve suas carretas apreendidas e ele multado pela SEFAZ em virtude das cargas ilegais. A Polícia acabou chegando a três pessoas do município, aos quais o comerciante “Barrão” teria confidenciado que atearia fogo no barco do empresário em vingança ao prejuízo que levou pelas multas aplicadas pela SEFAZ. Tanto um empresário do ramo de fábrica de argamasa do distrito de Itabatã, de 38 anos, quanto um industrial e pecuarista do distrito de Argolo, de 61 anos, confirmaram que o comerciante “Barrão” lhe contaram que se vingaria do empresário incendiando o seu barco de luxo.

Um carpinteiro da cidade de Nova Viçosa, de 38 anos, também confirmou a Polícia Civil que por várias vezes o comerciante “Barrão” lhe disse que botaria fogo no Iate do empresário Antoni e, que por diversas vezes também lhe aconselhou a não fazer isso. Embora disse, que nunca acreditou na sua promessa, tendo em vista que todas as vezes que dizia tal coisa, “Barrão” estava sempre sob o efeito de álcool e nem dizia como e quando faria. A Polícia Civil teve acesso a um vídeo do Posto de Combustível CNA, na Avenida Atlântica, em Nova Viçosa, que mostra o comerciante “Barrão” abordo de um veículo Volkswagen, modelo Saveiro, cor preta, comprando combustível que foi colocado em garrafas pet, por volta das 20h30h de terça-feira do dia 31 de março de 2015.

A Polícia Civil apurou que comerciante Nilo Junior da Rocha, o “Barrão”, 40 anos, teria agido em parceria com outras duas pessoas, o comerciante Eron Sampaio de Jesus, 41 anos, e o pedreiro Lucivan Nascimento da Silva, o “Van”, 23 anos. “Van” confessou sua participação no incêndio contra o Iate Joana e detalhou todos os passos para que o sinistro se concretizasse. O jovem pedreiro disse que há dois meses recebeu um telefonema do comerciante “Barrão” lhe informando que precisaria da sua ajuda para atear fogo no barco do senhor Antoni e ainda lhe contou a causa, que seria para se vingar das multas que estava recebendo no transporte das suas mercadorias de Minas para Nova Viçosa, frequentemente denunciando pelo empresário Antoni.

O pedreiro confessou que no dia do sinistro recebeu um telefonema do comerciante que fosse a sua casa e lá chegando, percebeu que todos estavam em festa e bebendo, inclusive o comerciante “Barrão” estava alcoolizado. Onde teria lhe feito á proposta que precisaria da sua ajuda naquela noite para atear fogo do Barco Joana, apenas para provocar um susto no proprietário da embarcação. Que por volta das 20h20, ele e “Barrão” foram ao Posto CNA onde compraram duas garrafas pet de combustível e se dirigiram para o Porto ZAP, na Fazenda Campo Grande, onde já na companhia de Eron, os três abordo de um pequeno barco, seguiram pelo rio até chegar ao Iate Joana.

“Van” disse que até o porto, ele foi no carro de “Barrão” e Eron foi no seu próprio veículo. Que bem orientado ele próprio subiu no barco Joana e espalhou o aproximado um saco de carvão e atirou as duas garrafas de combustível sobre a embarcação e depois ateou fogo apenas no carvão, para que fosse queimando devagarzinho até incendiar o Iate e para que desce tempo deles três fugirem pelo leito do rio sem que fossem vistos cometendo o crime. O pedreiro Lucivan Nascimento da Silva, o “Van”, 23 anos, ainda disse que nada recebeu de gratificação para promover o ato ilícito e que conhece “Barrão” há 6 meses, porque ele vende material de construção para o seu patrão. E que fez tudo isso porque lhe pegaram em um momento de fraqueza, sendo que naquele dia ele se encontrava fragilizado e deprimido com a separação da sua esposa.

Já o acusado Eron Sampaio de Jesus, negou qualquer participação sua no sinistro do Barco Joana. Dizendo que é cliente do comerciante “Barrão” e nunca ouviu ele dizer que atearia fogo em algum bem material do empresário Antoni e nem nuca ouviu dizer que ele tivesse algum desentendimento com o dono do barco. Tendo dito inclusive que no dia do fato chegou à casa de “Barão” ao meio-dia, onde se comemorava o aniversário do seu filho, onde permaneceu até às 19h. Que depois desse horário foi fechar sua loja e dispensar seus funcionários e retornou para a casa de “Barrão”. E as 20h, saiu novamente para fechar sua outra loja e de lá seguiu para sua casa e depois não soube e nem participou de mais nenhum acontecimento naquela noite e, nem tão pouco se fez acompanhar o acusado em nenhum porto da cidade.

Já o comerciante Nilo Junior da Rocha, o “Barrão”, 40 anos, investigado pela Polícia Civil nos termos do Artigo 250, § I, Inciso II “C”, disse que foi pego de surpresa com a acusação e negou sua participação na autoria do sinistro. Informou que conhece o empresário Antoni Soeiro a quase 10 anos e durante 8 anos foi cliente do empresário e com ele, promoveu inúmeros negócios, todos honrados inteiramente. Tendo dito que apenas sabia que o empresário que é proprietário de uma indústria cerâmica em Itabatã e outro empresário do mesmo ramo em Argolo, teriam ficado com raiva dele, porque há 2 anos deixou de comprar produtos cerâmicos em suas mãos e passou adquiri-los em Minas Gerais num preço mais acessível.

O comerciante “Barrão” também declarou que nunca soube que o senhor Antoni já havia lhe denunciado e negou que já tenha sido multado pela SEFAZ por nenhuma prática fiscal ilegal. Que no dia do fato, permaneceu na sua casa fazendo uso de bebida alcoólica e lá tinha inúmeras pessoas, inclusive o comerciante Eron Sampaio e o pedreiro Lucivan. Disse que fornece material de construção para o patrão de Lucivan e que as únicas ligações que já lhe fizera foi em épocas de bater mercadorias nas obras, que lhe ligava perguntando o horário e o local de entregá-las, mas nunca teve grau de amizade com o mesmo e nem nunca lhe contratou para realizar qualquer ilicitude.

O comerciante “Barrão” negou veementemente a sua participação na autoria do incêndio do Barco Joana e acrescentou que nunca anunciou a ninguém aos quais ele desafia a provar, algo parecido a vingança contra o senhor Antoni. Até porque, segundo ele, nunca teve motivo para tal e que embora soubesse que o senhor Antoni possuía um barco de luxo na costa de Nova Viçosa, não sabia onde ele ficava ancorado. Também disse que não lembrar se naquela noite, foi em algum posto de combustível da cidade de Nova Viçosa.


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